BIÓPSIAS CIRURGICAS

BIÓPSIAS CIRURGICAS

É um procedimento realizado no centro cirúrgico durante a cirurgia e tem a grande vantagem de se fazer a biópsia por congelamento durante o procedimento cirúrgico, que permite dar ao cirurgião as margens de segurança. Se a margem ainda tiver doença o cirurgião avança um pouco mais e o congelamento se repete até que as margens cirúrgicas estejam livres de doença, e com certa margem de segurança.

 

 

INDICAÇÃO

A Associação Médica Brasileira, o Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Mastologia com o objetivo de padronizar condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão do médico, elaboraram as Diretrizes Médicas baseadas em evidências científicas. As informações contidas nesse projeto devem ser submetidas à avaliação e à crítica do médico, responsável pela conduta a ser seguida, frente à realidade e ao estado clínico de cada paciente.

Para a escolha do procedimento invasivo deve-se observar criteriosamente as indicações e o método mais indicado para o caso específico:

 

Indicação dos métodos de intervenção percutânea segundo os achados imaginológicos

 

 

 

 

 

Procedimentos invasivos segundo as características da lesão determinadas pela ultra-sonografia quando se trata de cistos

 

 

 

Procedimentos invasivos segundo as características da lesão determinadas pela ultra-sonografia ou mamografia

 

 

TIPOS HISTOLÓGICOS

Segundo informações do INCA, o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais freqüente no mundo e o mais comum entre as mulheres. A cada ano, cerca de 22% dos novos casos de câncer em mulheres são de mama.

O número de casos novos de câncer de mama esperados para o Brasil em 2008 é de 49.400, com um risco estimado de 51 casos a cada 100 mil mulheres.

Na região Sudeste, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres com um risco estimado de 68 casos novos por 100 mil. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, este tipo de câncer também é o mais freqüente nas mulheres das regiões Sul (67/ 100.000), Centro-Oeste (38/ 100.000) e Nordeste (28/ 100.000). Na região Norte é o segundo tumor mais incidente (16/ 100.000).

Os tumores malignos da mama são classificados conforme as características de suas células e relação com os tecidos ao seu redor. Nas fases muito iniciais, ainda sem a presença de nódulos, as alterações do tecido provocam o acúmulo de cálcio e podem ser identificadas pela mamografia como agrupamento de calcificações. As chamadas microcalcificações agrupadas podem indicar o câncer em fase muito precoce.

Quando as células estão anormais e não existe quebra das suas membranas ou seja, não existe invasão de tecidos, o carcinoma é chamado de in situ. Se as células são provenientes dos ductos o carcinoma é dito ductal e se oriundas em lóbulos mamários chama-se de carcinoma lobular. Havendo quebra da barreira entre as células acrescenta-se a denominação invasor. Em resumo, o câncer ou carcinoma de mama pode ser ductal ou lobular, in situ ou invasivo, cada qual com suas características próprias que influenciam o comportamento clínico e decisão quanto ao tratamento cirúrgico, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia.

 

Carcinoma In Situ

O carcinoma in situ consiste de uma população de células que não invadiu a membrana basal, portanto, sem capacidade de lançar células na corrente sangüínea e provocar o surgimento de metástases em outros órgãos. Entretanto, essas células podem surgir em vários locais das mamas e produzir lesões extensas, comprometendo um setor ou toda a mama, exigindo muita atenção no tratamento inicial e seguimento da paciente pelo alto risco de recidiva, seja na mama tratada ou na outra mama, principalmente em caso de carcinoma lobular, o qual possui alto risco de bilateralidade.

O carcinoma in situ é quase sempre detectado em fase sub-clínica, por meio de mamografia, e pela presença de microcalcificações ou distorções dos tecidos, antes mesmo da formação de nódulos. O seu correto tratamento atinge índice de curabilidade próximo de 100% e é baseado na retirada de amplo setor da mama afetada ou da mastectomia subcutânea, a qual preserva a pele e substitui a glândula mamária por uma prótese de silicone, seguida de radioterapia e hormonioterapia, conforme análise da peça cirúrgica e características específicas do tumor.

 

Carcinoma Ductal In Situ

O carcinoma ductal in situ (CDIS) consiste de células epiteliais malignas confinadas aos ductos mamários, sem evidências microscópicas de invasão do tecido circunjacente. O CDIS é dividido em cinco subtipos arquiteturais: comedocarcinoma, papilífero, micropapilídero, cribriforme e sólido.

Os CDIS tipo comedo podem atingir tamanhos relativamente grandes e tornarem-se palpáveis. Histologicamente são constituídos por células tumorais grandes, pleomórficas e hipercromáticas de crescimento sólido ocupando os ductos, exibindo numerosas figuras de mitose, em meio a tecido conjuntivo escasso. A necrose, que costuma sofrer calcificação, é detectada na mamografia como aglomerados ou microcalcificações lineares e ramificadas. É comum a ocorrência de fibrose concêntrica periductal e inflamação crônica.

Os CDIS tipo papilífero se iniciam em grandes ductos e correspondem a uma pequena porcentagem dos tumores de mama. Geralmente formam uma massa bem circunscrita ou pode se ramificar para dentro de vários ductos para envolver todo o segmento da mama.

Os CDIS tipo micropapilífero e tipo cribriforme são tumores bem diferenciados ou grau I, de baixo grau nuclear, constituídos pela proliferação de células epiteliais pequenas e uniformes, com núcleo central e redondo e com relação núcleo-citoplasmático aumentada. Estes tumores não estão associados à necrose.

Os CDIS tipo sólido são tumores bem circunscritos, constituídos por um único tipo e célula com considerável pleomorfismo e atividade mitótica aumentada, o núcleo é hipercromático, observa-se presença de necrose de coagulação.

 

Carcinoma Lobular In Situ

O carcinoma lobular in situ (CLIS) geralmente é um achado acidental, em cirurgias realizadas por outros motivos, não é identificado clinicamente, nem em exames macroscópicos, pois na maioria das vezes não está associado a calcificações e não forma massa palpável. O CLI inicia-se a partir de ductos terminais em mamas atróficas pós-menopausa ou do complexo lobular do ducto terminal em mulheres pré-menopausadas. As células neoplásicas substituem o epitélio normal dos ductos intra-lobulares e acinares. Os lóbulos se apresentam distendidos e completamente ou parcialmente preenchidos por células relativamente uniformes, redondas, pequenas ou médias, com núcleo redondo e normocromático. A falta de coesão é uma das características das células neoplásicas do CLIS.

 

Carcinoma Invasivo

Carcinoma Ductal Invasivo

O carcinoma ductal infiltrante ou invasor (CDI) é classificado de acordo com as variações morfológicas, que são inumeráveis, e o padrão de disseminação. Os CDI são tumores sólidos, firmes, pouco circunscritos, com bordos infiltrativos e de consistência arenosa. A superfície de corte é amarelada ou cinza-amarelada, com trabéculas irradiando na gordura adjacente, conferindo ao tumor um aspecto estrelado ou espiculado. Algumas vezes estes tumores podem ser delimitados, redondos, lobulados ou multinodulares.

 

Carcinoma Lobular Invasivo

O carcinoma lobular invasor possui células tumorais pequenas, relativamente uniformes, dispostas em fila indiana ou de uma maneira concêntrica em torno dos lóbulos envolvidos por CLIS. Falta coesão entre as células, não existindo formação glandular. O estroma geralmente é abundante, podendo exibir infiltrado inflamatório. O diagnóstico diferencial deve ser feito principalmente com CDI, e muitas vezes a distinção entre os dois é muito difícil e subjetiva.

 

Dr. Waldemir Washington Rezende

Médico Assistente responsável pelo Setor de Ginecopatias e Cirurgia Oncológica em Obstetrícia, da Divisão de Obstetrícia do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICHC-FMUSP). (Jan/2001 a set/2008).

Fonte: http://www.mamainfo.org.com

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