DOENÇAS BENIGNAS DA MAMA
28 ago 2011 Deixe um comentário
As doenças benignas da mama (DBM) sempre foram
negligenciadas, em comparação ao câncer de mama, apesar de acometerem um
número muito maior de pacientes. Dessa forma, esses distúrbios foram alvo de
um número relativamente menor de estudos isolados e desconectados, e os
trabalhos previamente relatados eram freqüentemente ignorados. Esses fatores
levaram a grande confusão, especialmente porque diferentes autores
desenvolveram suas próprias nomenclaturas para as lesões mamárias e,
infelizmente, uma definição uniforme e inequívoca ainda não foi aceita pela
comunidade em geral. Assim, fica ainda mais difícil encontrar na literatura
dados a respeito dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento dessas doenças.
O tecido mamário está sob o controle complexo de fatores
sistêmicos, principalmente os hormônios, que atuam por meio de seus receptores
específicos, bem como alguns fatores locais. Esses últimos incluem hormônios
parácrinos, secretados com o objetivo de influenciar células adjacentes, com
função semelhante ou não; fatores justácrinos, situados na superfície das
células secretoras, influenciando células vizinhas por meio de contato direto;
e hormônios autócrinos, que agem na própria célula secretora. Todos esses
hormônios interagem e influenciam os fatores locais, como as proteínas de
adesão celular, para ativar vias sinalizadoras que resultam, finalmente, na
estimulação e regulação celular.
As características morfológicas da mama sofrem mudanças
significativas entre a puberdade e a menopausa. O espectro de características
normais varia desde a predominância de estruturas glandulares (ductos, lóbulos
e estroma intra e interlobular) até as alterações fibrosas e com formação
de cistos, previamente denominadas de “doença fibrocística da mama”.
No entanto, atualmente prefere-se o termo “alterações fibrocísticas da
mama”, já que até 50 a 60% das mulheres podem apresentar essas
alterações, mesmo na ausência de doença mamária. Essas alterações
fibrocísticas, detectadas clinicamente, não se associam a aumento do risco de
câncer de mama.
No período da adolescência e idade adulta inicial, o tecido
glandular mamário pode responder de maneira exagerada ao estímulo hormonal,
levando ao desenvolvimento de fibroadenomas únicos ou múltiplos. Em séries de
necropsias, foi relatada uma prevalência de 15% a 23% dos adenomas em mulheres
nessa faixa etária. Na terceira e quarta décadas de vida, o grau de
nodularidade mamária difusa palpável aumenta e histologicamente esse achado
representa a chamada “adenose” – aumento da quantidade de tecido
lobular normal. O estroma também pode sofrer hipertrofia, resultando em áreas
palpáveis, mal definidas, freqüentemente na região axilar. Nessa faixa
etária também, as mulheres apresentam hipertrofia por aumento do tecido do
estroma. Uma maior prevalência de formação de cistos está associada à
menopausa tardia, uso de terapia de reposição hormonal e baixo índice de
massa corporal.
- Classificação (Tabela 1)
O termo DBM inclui um grande número de lesões
fisiopatológicas dos diferentes componentes da mama (epitélio, estroma,
adipócitos, vasos). A classificação e análise da DBM há muito tempo é
controversa, devido à ausência de dados definidos de diferenciação clínica
e histopatológica, entre as alterações fisiológicas e patológicas da mama.
Muito dessa controvérsia diz respeito à relação entre as DBM e o
desenvolvimento subseqüente de carcinoma.
Em 1985 foi definido um sistema de classificação
histológica, com base no trabalho de Dupont e Page, o qual foi adotado pelo
Colégio Americano de Patologistas. O conceito de doença epitelial
proliferativa benigna, identificava as características histológicas das DBM,
com potencial carcinogênico. Três grupos de DBM foram identificados: lesões
não-proliferativas; lesões proliferativas e sem atipia; lesões com
hiperplasia atípica.
Já em 1987, foi proposto o sistema ANDI (Aberrations of
Normal Development and Involution) de classificação das DBM, fornecendo uma
abordagem mais global dessas condições, abrangendo tanto a patogênese quanto
o grau de anormalidade. Esse sistema pressupõe que a mama encontra-se sob
controle endócrino e evolui com morfologia diversa, durante a vida reprodutiva.
Infelizmente, muitos estudos epidemiológicos não empregaram
esses dois sistemas de classificação. Assim, as duas principais condições
descritas na literatura são o fibroadenoma e a doença fibrocística. Seria
importante incluir também a mastalgia grave, como primeiro estágio da DBM e
com ligação potencial ao câncer de mama.
Tabela 1. Classificação fenotípica das DBM
Estádio |
Processo Normal |
Aberração |
Doença |
Idade Reprodutiva Inicial (15-25 anos) |
Desenvolvimento lobular |
Fibroadenoma |
Fibroadenoma gigante ou múltiplo |
Idade Reprodutiva Madura (25-40 anos) |
Alterações cíclicas durante a menstruação |
Mastalgia cíclica Nodularidade |
Mastalgia incapacitante |
Involução (35-55 anos) |
Involução lobular Turnover epitelial |
Macrocistos (lesões esclerosantes) Hiperplasia epitelial simples |
Mastite periductal Hiperplasia epitelial com atipia |
2. Incidência
A incidência das DBM não é, de maneira geral, bem
estimada. De fato, a DBM nem sempre é sintomática, e muitas pacientes não
procuram atendimento médico. As mulheres que se apresentam com diagnóstico
clínico, histológico ou citológico bem definido representam um subgrupo
selecionado de todos os casos. No entanto, a incidência das DBM pode ser
estimada por suas taxas de prevalência, em estudos de necropsia, bem como por
sua incidência cumulativa, em estudos de coorte.
Em uma revisão de estudos post-mortem, publicada em 1997,
foi estimado que uma em cada duas mulheres desenvolve algum grau de alteração
fibrocística da mama, durante a vida, e uma em cada cinco mulheres desenvolve
fibroadenoma. Pelo contrário, de acordo com os dados de estudos de coorte, a
incidência cumulativa de alterações fibrocísticas confirmadas por biopsia,
antes da idade de 65 anos, foi de 8,8% e a incidência cumulativa correspondente
de fibroadenoma foi de 2,2%. Assim, em comparação aos estudos de necropsia,
apenas 10% a 20% das DBM são diagnosticadas histologicamente. Dessa forma, é
difícil interpretar os estudos epidemiológicos relacionadas às DBM
patologicamente comprovadas, já que os casos incluídos podem estar
restringidos às lesões mais clinicamente significativas.
1. Fibroadenomas
Os fibroadenomas (FA) são tumores benignos da mama,
compostos tipicamente por células epiteliais e do estroma, que se desenvolvem a
partir dos lóbulos mamários. São mais freqüentes na faixa etária entre 15 e
25 anos, embora possam ser diagnosticados mais tardiamente. Os FA não devem ser
considerados neoplasias, e estudos mostram que nódulos hiperplásicos
(histologicamente idênticos ao FA) estão presentes tão comumente, que podem
ser considerados normais. Todos os elementos celulares são normais, e o
epitélio e o mioepitélio apresentam relação inalterada. Os FA são
policlonais, o que é consistente com hiperplasia, em contraste com os tumores
phyllodes, que são monoclonais, ou seja, neoplásicos.
Os FA costumam crescer de 1 a 2cm em diâmetro e, então,
estabilizar seu tamanho. Em raras situações, podem manter o crescimento e
chegar até 5cm de diâmetro, quando são considerados anormais (ou seja,
doença – FA gigante). Os FA múltiplos também são considerados como
doença. Os mecanismos que regulam esse crescimento são pouco compreendidos;
além do papel dos receptores de estrogênio e progesterona, expressos pelas
células epiteliais, estudos recentes sugerem um possível papel de fatores de
crescimento e seus receptores. Em relação ao risco de câncer de mama, um
grande estudo retrospectivo não demonstrou risco aumentado, para mulheres com
FA simples e sem história familiar.
Nas mulheres jovens, as características clínicas são
típicas: os FA são macios, arredondados ou lobulados, firmes, com edema
discreto e móveis (devido ao encapsulamento do FA e à maciez do tecido
mamário, nessa faixa etária). Nas mulheres mais velhas, a apresentação é
menos característica, devendo-se sempre descartar alterações fibróticas e
câncer. Nas mulheres com idade inferior a 35 anos, nas quais a mama é mais
densa, a mamografia não está indicada. Nas mulheres mais velhas, os FA podem
ser vistos como lesões sólidas, de densidade semelhante ao tecido vizinho,
quando pequeno, ou mais denso quando de grande tamanho. À mamografia, pode ter
aspecto semelhante a um cisto, porém a biopsia aspirativa diferencia as duas
condições facilmente.
Em pacientes jovens, o melhor exame é a ultra-sonografia,
que mostra lesões ovaladas, de contorno definido, hipoecóicas, com
distribuição uniforme e atenuação intermediária. A biopsia não está
indicada em pacientes com idade inferior a 25 anos e características típicas,
porém está indicada quando a idade é superior a 25 anos, ou as
características são atípicas.
Quanto ao tratamento, a abordagem conservadora é aceitável
em qualquer faixa etária, desde que tenha sido comprovado o caráter benigno da
lesão (biopsia em mulheres com mais de 25 anos). Caso alguma característica
seja atípica ou a paciente deseje, o tratamento cirúrgico encontra-se
indicado. Na Europa, tem havido uma tendência ao tratamento do FA com terapia
hormonal (progestogênios, tamoxifeno), porém os resultados ainda não foram
completamente avaliados.
Distúrbios
Cíclicos: Mastalgia e Nodularidade
O aumento pré-menstrual e a involução pós-menopausa do
tecido mamário, que ocorrem a cada ciclo, são comumente associados a
desconforto e nodularidade, de forma que são considerados dentro do espectro da
normalidade. A sensação dolorosa, associada à nodularidade, com duração
superior a uma semana do ciclo, diferencia a situação do desconforto
considerado normal. Enquanto não forem identificadas bases histológicas para
essas alterações, os estudos hormonais mostram que não são associadas a
doença, sendo demonstrado uma anormalidade fisiológica caracterizada por
liberação aumentada de prolactina pela hipófise. É provável que
alterações estromais e epiteliais súbitas, acompanhem variações
fisiológicas, nos casos mais graves de nodularidade e mastalgia cíclicas. Nos
momentos mais tardios do ciclo, pode ser demonstrado edema estromal ou lobular,
porém ainda não existem dados que correlacionem esses achados aos sintomas.
A nodularidade dolorosa, predominantemente na fase cíclica
da vida reprodutiva da mulher (20-35 anos), também pode mimetizar sintomas
observados mais tipicamente na fase involutiva da mama, especialmente os cistos
mamários. A mamografia ou a ultra-sonografia são necessários apenas nos casos
de nodularidade.
Distúrbios da
Involução: Cistos
Como o processo de involução da mama estende-se por mais de
20 anos de ciclos mensais de mitoses e apoptoses, não é surpresa que várias
aberrações possam se desenvolver nos diferentes componentes do tecido mamário
normal. Interessante notar que a incidência dessas alterações é semelhante
nas diversas etnias, com diferentes incidências de câncer de mama, apoiando a
visão de “alterações fisiológicas”, em contraste com a visão de
“alterações pré-cancerosas”.
O processo normal de involução do lóbulo depende da
presença continuada de estroma especializado ao redor do mesmo. Se o estroma
desaparece precocemente, os ácinos permanecem e podem formar microcistos,
criando o terreno para a formação de macrocistos, pela obstrução dos
dúctulos eferentes. Esse conceito de o macrocisto representar uma aberração
da involução, ao invés de uma doença, encaixa-se melhor com o fato de ser
bastante comum e também de que é freqüentemente múltiplo e subclínico. A
visão atual é de que todo macrocisto inicia-se com uma area de epitélio
apócrino, em uma unidade ductal lobular terminal. A secreção excessiva por
esse epitélio, associada ao efeito osmótico dessa secreção, leva a
dilatação progressiva dessas unidades, formando-se um microcisto. Se esse
microcisto aumenta de tamanho, forma-se um macrocisto. Os cistos ocorrem mais
comumente na metade e no final da vida reprodutiva, com maior freqüência após
os 35 anos, sendo o pico de incidência entre os 40 e 50 anos. Geralmente,
desaparecem após a menopausa, a não ser que a paciente faça uso de terapia de
reposição hormonal.
Os cistos macroscópicos são, usualmente, assintomáticos e
freqüentemente descobertos acidentalmente pela paciente, ao tocar sua mama. Em
alguns casos, podem ser causa de dor súbita, devido à distensão ou vazamento
de líquido para os tecidos circunvizinhos, causando irritação química. Não
existe relação com o ciclo menstrual, nem quanto à dor, nem quanto ao
tamanho. A descarga mamilar é incomum, mas, se encontrada, é típica de fluido
cístico. Ao exame, o cisto é notado como uma estrutura tensa, suave,
facilmente palpável contra a parede torácica e, até certo ponto, aderida ao
tecido mamário. Alguns cistos podem ser multilobulados, enquanto outros são
bem firmes e duros ou tão grandes que chegam a deslocar os ligamentos de Cooper
e produzir um aspecto semelhante à retração ou aderência à pele. Para o
diagnóstico, emprega-se a ultra-sonografia e a biopsia aspirativa.
Ao ultra-som, o cisto simples apresenta-se como estrutura de
paredes finas, sem ecos internos e com reforço posterior. No entanto, em alguns
casos, os cistos benignos não apresentam todas essas características. É
importante avaliar a parede do cisto com cuidado, em dois planos, para
identificação de possíveis papilomas intracísticos ou mesmo o carcinoma
papilar. Os cistos simples, com características típicas ao ultra-som, não
necessitam ser abordados com biopsia aspirativa, a não ser que seja
clinicamente indicada. Caso exista qualquer dúvida, a biopsia deve ser
realizada. A mamografia não está indicada para realização de diagnóstico de
cistos mamários. O tratamento dos cistos, se recorrentes, é conservador e
consiste em aspiração completa do fluido de seu interior, com o auxílio de
uma agulha fina. A massa deve desaparecer completamente e, caso isso não
ocorra, deve ser tratada como qualquer massa persistente. O exame citológico do
fluido só é indicado, se o mesmo for sanguinolento. Não existe nenhuma
justificativa, na literatura, para a realização de tratamento hormonal.
O adenoma é uma neoplasia epitelial pura da mama. Divide-se
em: tubular, de lactação, apócrino, ductal e pleomórfico. Excetuando-se os
tipos tubular e de lactação, os adenomas são lesões incomuns. Os adenomas
tubulares e de lactação ocorrem durante a vida reprodutiva da mulher. O
adenoma de lactação é a massa mamária mais prevalente durante a gestação e
o puerpério, apresentando-se como massa solitária ou múltipla, discreta,
palpável, móvel, tendendo a ser pequena (< 3cm). A lesão é bem
circunscrita e lobulada, sendo caracterizada por lóbulos hiperplásicos. Embora
esse tumor sofra involução espontânea, a remoção cirúrgica pode ser
necessária, devido ao efeito de massa que pode produzir e, nos casos em que a
lactação não é questão importante, pode ser empregada terapia medicamentosa
para eliminar o tumor. Essa lesão tende a não recorrer localmente, e não
possui potencial de malignização.
O adenoma tubular apresenta-se como massa firme e bem
circunscrita. Radiograficamente, assemelha-se ao FA não-calcificado.
Histologicamente, são estruturas tubulares ou acinares, bem regulares em
tamanho e formato. Foram descritas microcalcificações no interior de ácinos
dilatados.
Os lipomas são tumores benignos, geralmente solitários,
compostos por células adiposas maduras. Ocasionalmente, é difícil distinguir
o lipoma de outras condições clínicas, transformando-se em um desafio
diagnóstico. Clinicamente, apresenta-se como massa lobulada, macia e bem
circunscrita, geralmente indolor. A biopsia revela células adiposas com ou sem
células epiteliais normais. A mamografia e a ultra-sonografia demonstram
resultados negativos, a não ser que a lesão seja grande.
Se o diagnóstico clínico do lipoma for confirmado por
biopsia, e a mamografia e o ultra-som não demonstrarem características
suspeitas de malignidade, a paciente é acompanhada e reexaminada após seis
meses. No entanto, se o diagnóstico for incerto ou a lesão aumentar
rapidamente, o tumor deve ser removido cirurgicamente.
1. Guray M, Sahin AA. Benign breast diseases: classification,
diagnosis and treatment. The Oncologist 2006; 11:435-49.
2. Courtillot C, Plu-Bureau G, Binart N, et al. Benign breast
diseases. Journal of Mammary Gland Biology & Neoplasia 2005; 10:325-35.
3. Vaidyanathan L, Barnard K, Elnicki DM. Benign breast
disease: when to treat, when to reassure, when to refer. Cleveland Clinic
Journal of Medicine 2002; 69(5):425-32.
4. Santen RJ, Mansel R. Current Concepts: benign breast
disorders. New England Journal of Medicine 2005; 353:275-85.
5. Romero C, Lombardia J, Almenar A, et al. Diagnosis and
treatment of benign breast lesions during pregnancy. Radilogia 2007;
49(4):255-61.
6. Meller MT, Cox JE, Callanan KW. Incidental detection of
breast lesions with computed tomography. Clinical Breast Cancer 2007;
7(8):634-7.
7. Chang DS, McGrath MH. Management of benign tumors of the
adolescent breast. Plastic and Reconstructive Surgery 2007; 120(1):13e-19e.
FONTE: BOA SAÚDE
TUDO SOBRE O CÂNCER
06 ago 2011 Deixe um comentário
EQUIPE ONCOGUIA
Última atualização: 05/07/2011
O que é Câncer?
Câncer é o nome de
um grupo de mais de 100 diferentes doenças.
Células anormais
que se dividem e formam mais células de maneira desorganizada e descontrolada.
É também conhecido
como neoplasia.
A ciência que
estuda o câncer se denomina Oncologia e é o oncologista o profissional que
trata a doença.
O câncer pode
invadir tecidos e órgãos e se espalhar pela corrente sanguínea ou pelo sistema
linfático. Este processo se chama metástase.
Câncer não é
Um tumor benigno
que usualmente pode ser removido e que na maioria dos casos não volta a
aparecer, não se espalha pelo corpo e não ameaça à vida do paciente.
Uma sentença de
morte, atualmente muitos pacientes são tratados com sucesso sobre tudo quando a
doença é diagnosticada precocemente.
Quais as causas do câncer?
Fatores externos
Radiação.
Produtos químicos.
Vírus.
Consumo de cigarro.
Consumo de álcool.
Fatores internos
Sistema imunológico comprometido.
Predisposição genética.
Hormônios.
O que é incidência de câncer?
É a ocorrência de novos casos de câncer que surgem no período de um ano.
|
Estimativas de novos casos de |
|||
|
Tipo |
Masculino |
Feminino |
Total |
|
Próstata |
52.350 |
- |
52.350 |
|
Mama feminina |
- |
49.240 |
49.240 |
|
Traquéia, Brônquio e Pulmão |
17.800 |
9.830 |
27.630 |
|
Cólon e Reto |
13.310 |
14.800 |
28.110 |
|
Estômago |
13.820 |
7.680 |
21.500 |
|
Colo de útero |
- |
18.430 |
18.430 |
|
Cavidade oral |
10.330 |
3.790 |
14.120 |
|
Esôfago |
7.890 |
2.740 |
10.630 |
|
Leucemias |
5.240 |
4.340 |
9.580 |
|
Pele Melanoma |
2.960 |
2.970 |
5.930 |
|
Outras Localizações |
59.130 |
78.770 |
137.900 |
|
Subtotal |
182.830 |
192.590 |
375.420 |
|
Pele não Melanoma |
53.410 |
60.440 |
113.850 |
|
Todas as Neoplasias |
236.240 |
253.030 |
489.270 |
Qual é o objetivo do tratamento do câncer?
Curar a doença.
Melhorar a qualidade de vida do paciente.
Como o câncer é tratado?
Cirurgia
É o tratamento
local para a remoção do tumor. Algumas vezes os linfonodos (gânglios) próximos
devem ser também retirados
Radioterapia
Utiliza raios de
alta energia para atingir as células cancerosas e deter seu crescimento.
Quimioterapia
É o uso de
medicamentos injetáveis ou orais com objetivo de deter o crescimento das
células cancerosas.
Terapia Biológica
Também chamada
imunoterapia, utiliza o próprio sistema imunológico do corpo para lutar contra
a doença.
Outros tipos de
tratamentos
Hormonioterapia.
Transplante de medula óssea.
Terapia gênica
Tratamento
Combinado
2 ou 3 tipos de
tratamentos diferentes podem ser utilizados concomitantemente ou em fases. O
tratamento combinado pode aumentar a resposta do tumor.
Como posso diminuir o meu risco de ter câncer?
Não fume. Os
tabagistas são 10 vezes mais susceptíveis de ter câncer de pulmão comparados
com os que nunca fumaram, o consumo de tabaco é a causa de morte que mais pode
ser prevenida atualmente.
Abandone costumes
alimentares pouco saudáveis e a obesidade. Escolha alimentos com fibras, grãos
e com pouca gordura. Consuma frutas diariamente. Seja fisicamente ativo e
mantenha um peso adequado.
Evite a exposição
excessiva ao sol. Use protetor solar (FPS 15-30) e roupas minimizando sua
exposição.
Evite o consumo de
álcool. Beber quantidades importantes de álcool pode provocar câncer de boca,
esôfago e fígado. Consuma com moderação especialmente se você também fumar.
Evite a exposição
ocupacional. Siga as normas para evitar exposição a radiação, agentes químicos
e pesticidas.
O que as pessoas com câncer vivenciam?
Alterações físicas
Mudanças na saúde.
Mudanças nos níveis de energia.
Efeitos colaterais do tratamento.
Mudanças na aparência.
Efeitos
socioeconômicos
Alterações no desempenho no trabalho.
Alterações financeiras podem ocorrer.
Efeitos
psicológicos
Mudanças pessoais e no ambiente social.
Alterações de humor.
Dificuldades nos relacionamentos
Preocupação com o
futuro
Questões relacionadas ao tempo de vida.
Para outras
informações sempre consulte seu médico, é ele quem sabe seu histórico e o que é
melhor para seu caso específico.
FONTE: www.oncoguia.com.br
ENTENDENDO O CÂNCER
06 ago 2011 Deixe um comentário
EQUIPE ONCOGUIA
O corpo humano é formado por milhões de
células que se reproduzem através de um processo chamado divisão celular.
Em condições normais, esse processo é ordenado e controlado e é responsável
pela formação, crescimento e regeneração dos tecidos saudáveis do corpo.
Em contrapartida, existem situações nas quais estas células, por razões
variadas, sofrem uma “metamorfose” tecnicamente chamada de carcinogênese, e
assumem características aberrantes quando comparadas com as células normais.
Essas células perdem a capacidade de limitar e controlar o seu próprio
crescimento passando, então, a multiplicarem-se muito rapidamente e sem nenhum
controle.
O resultado desse processo desordenado de crescimento celular é uma produção em
excesso dos tecidos do corpo (que podem ser processos inflamatórios,
infecciosos ou mesmo os crescimentos celulares benignos), formando o que se
conhece como tumor.
Podemos dividir os tumores em:
Tumor Benigno
As células deste tumor crescem lentamente e são diferenciadas
(semelhantes às do tecido normal). Geralmente podem ser removidos totalmente
através de cirurgia e na maioria dos casos não tornam a crescer.
Tumor Maligno
As células deste tumor crescem rapidamente,
têm um aspecto indiferenciado e a capacidade de invadir estruturas próximas e
espalhar-se para diversas regiões do organismo. É considerado câncer.
Em outras palavras…
O Câncer, também conhecido como tumor maligno, pode ser definido
como um grupo de doenças que tem como característica central o crescimento
desordenado das células do nosso corpo.
O câncer detém o poder de matar por invasão destrutiva os órgãos
normais, pois não respeita as mais básicas regras de “convivência social” entre
as células e cresce demais, ocupando o espaço de seus vizinhos, sufocando-os.
Ele detém a propriedade de se disseminar através da corrente sanguínea e dos
vasos linfáticos, produzindo as chamadas metástases, que na verdade são
uma espécie de “filial” do tumor primário, em outro órgão ou tecido.
A metástase também pode invadir órgãos e tecidos circunvizinhos por
continuidade, impondo severos danos a estes órgãos e tecidos. O comportamento
anormal das células cancerosas é geralmente espelhado por mutações nos genes
das células, ou secreção anormal de hormônios ou enzimas.
A maioria dos cânceres invadem ou se tornam metastáticos, mas cada tipo
específico tem características clínicas e biológicas, que devem ser estudadas
para um adequado diagnóstico, tratamento e seguimento. Resumindo, cada caso é
um caso.
Ainda com relação ao câncer…
Devido as diferentes células existentes e componentes do corpo humano, o câncer
pode se apresentar de diferentes tipos. Podemos então, dividi-los em tumores
sólidos e neoplasias hematológicas.
Tumores Sólidos
Carcinoma – o câncer se origina nos tecidos epiteliais, ou seja,
aqueles cuja função é o revestimento ou a formação das glândulas. (Exemplos de
revestimento: pele, mucosa das vias aéreas, mucosa do tubo digestivo e exemplos
de glândulas: tireóide, mama e próstata).
Sarcoma – são definidos por sua origem embrionária, ou seja,
aquelas classificadas de acordo com a formação do órgão durante a fase de
embrião. Nas fases iniciais do desenvolvimento de um embrião, ocorre uma diferenciação
nas células que se dispõem em camadas. Essas camadas evoluem para formar os
diversos tecidos e órgãos do corpo.
A mesoderme, que é a camada intermediária, dá origem aos ossos, músculos,
gorduras, tendões e vasos sanguíneos.
Melanoma – são formados por células pigmentadas da pele.
Tumores de células germinativas – se originam nas células
reprodutoras (testículos e ovários).
Tumores de Sistema Nervoso
Neoplasias Hematológicas
São doenças malignas com origem nas
células do sangue e que desde o seu início já não costumam estar restritas a
uma única região do corpo, manifestando-se em várias partes do corpo sem
respeitar barreiras anatômicas. Os órgãos mais freqüentemente envolvidos neste
processo são: sangue, medula óssea, gânglios linfáticos, baço e fígado.
Neoplasia – de origem grega, a palavra neoplasia “neo” +
“plasis” significa, ao pé da letra: nova proliferação; novo tecido. É
o nome de um processo patológico que resulta no desenvolvimento de um neoplasma
(crescimento anormal, incontrolado e progressivo de tecido, mediante
proliferação celular). No organismo, podem ser encontradas formas de
crescimento celular controladas e não controladas, sem causa aparente. Como
exemplos de crescimento controlado temos a hiperplasia, a metaplasia e a
displasia. As neoplasias correspondem às formas de crescimento não controladas
e são chamadas tumores. Neoplasia é também ocrescimento de um tecido neoformado
capaz de invadir os tecidos adjacentes e reproduzir-se à distância
(metastização). O crescimento é devido ao desequilíbrio entre a proliferação e
a morte celular dando origem a células cancerígenas. A definição de neoplasia
se baseia na morfologia e na biologia do processo do tumor. Com a evolução do
conhecimento, a definição se modifica. Atualmente, a mais aceita é:
“Neoplasia é uma proliferação anormal do tecido, que foge parcial ou
totalmente ao controle do organismo e tende à autonomia e à perpetuação, com
efeitos agressivos sobre o hospedeiro” (Pérez-Tamayo, 1987; Robbins,
1984).
Várias classificações já foram propostas para as neoplasias. A mais utilizada
leva em conta dois aspectos básicos: o comportamento biológico e a histogênese
do tumor. Segundo o comportamento biológico, os tumores podem ser agrupados em
três tipos: benignos, limítrofes (ou “bordeline”) e malignos. Um dos
pontos mais importantes no estudo das neoplasias é estabelecer os critérios de
diferenciação entre cada uma destas lesões, o que, algumas vezes, torna-se
difícil.
Os tumores benignos tendem a apresentar crescimento lento e expansivo
determinando a compressão dos tecidos vizinhos, o que leva a formação de uma
pseudocápsula fibrosa. Já nos casos dos tumores malignos, o crescimento rápido,
desordenado, infiltrativo e destrutivo não permite a formação desta
pseudocápsula; mesmo que ela se encontre presente, não deve ser equivocadamente
considerada como tal, e sim como tecido maligno.
FONTE: www.oncoguia.com.br
