ARTIGOS MÉDICOS 8

Dentre estes últimos, pensamos que a questão de aderência a tratamentos merece um pouco de aprofundamento.  Queremos dizer, levar o tratamento até o final: não fugir antes mesmo de começar e não abandonar no meio do caminho.

Falamos de tratamentos de câncer, dolorosos e difíceis, que cobram um alto preço pelas possibilidades que anunciam: como as radioterapias, as quimioterapias e as cirurgias mutilatórias, que removem partes do nosso corpo.

E aí temos os elementos que vale discutir:  dor, dificuldade, preço e possibilidade.

Os tratamentos que citamos, ferramentas de excelência diante de diagnósticos de câncer, indiscutivelmente incluem dor

Pode ser a dor física, para a qual existem hoje muitas formas de controle por meio de medicamentos ou técnicas efetivas de acupuntura, hipnose, imagética e outras. Podem ser outras formas de dor, como a tristeza, a perda de significado e ilusões que trazíamos diante da vida, o isolamento daqueles com quem convivíamos ou mesmo as perdas de funções sociais ou profissionais.  Tudo isso dói – e dói muito – tornando difícil a escolha e a fidelidade diante de alguma coisa que nos machuca tanto.

Mas esses tratamentos têm um objetivo, que é a possibilidade de cura.  É assim que se estabelece a relação custo-benefício, que entendemos como o preço que pagamos por algo.

E aí chegamos ao ponto:  quanto pagamos ?  o que estamos comprando ?  Só assim poderemos avaliar se vale a pena.

O que nos faz derrapar é o fato de que estamos comprando possibilidades e não certezas.

De verdade, não há garantias.  Nem em assuntos de saúde, nem em questões de vida.  Compramos uma bicicleta ou um carro, porque imaginamos que possam resolver ou ajudar nossos problemas de deslocamento de um lado para outro, mas não temos garantias absolutas de isso vá acontecer.  Também não sabemos se, mesmo cumprindo a finalidade inicial, não ocasionarão outros ajustes que teremos de enfrentar.   Unimo-nos a uma pessoa por quem estamos nos apaixonados – ou assim acreditamos – pela possibilidade de construir um lar feliz e compartilhar um projeto de vida. Mas onde está a garantia ?

E ficamos com novas perguntas:  vamos investir em possibilidades e incertezas de um tratamento cheio de dores e dificuldades ?  Vale a pena, dado o preço alto que estamos pagando, além de tudo, de forma antecipada ?

Sinceramente, a esta altura pensamos que não.

Mas é preciso mudar o ângulo, olhar toda a questão com um outro olhar.

Vamos repetir a pergunta do título:  aderir a quê?

Se pudermos entender que, quando optamos por um tratamento de altos custos financeiros, emocionais, profissionais, sociais e espirituais,  estamos escolhendo VIDA, talvez possamos encontrar novos argumentos.

Tente acompanhar.   

As doenças evoluem e progridem.  Isso quer dizer que, o estado em que uma pessoa se encontra neste momento, provavelmente não vai ficar inalterado.   Novos incômodos podem chegar e, principalmente, um tratamento que em dado momento poderia ser efetivo, talvez não tenha os mesmos resultados depois de alguns meses.  A tendência que temos pela frente, portanto, é de piora, de perda das melhores condições de vida.

Por outro lado, tratamentos seriamente conduzidos já passaram por muitos testes e controles, o que lhes dá melhores probabilidades de sucesso.  Conseqüentemente, a opção pela vida pode mesmo sair vencedora.

Além disso, sofrimentos que resultam de tratamento tendem a reduzir e a desaparecer.  São diferentes daqueles que vêm da doença, cuja perspectiva é de agravamento.

Agora o mais importante.

A morte é um momento muito curto:  são frações de segundos em que se muda da condição VIDA para a de MORTE.

São as pessoas que, inadvertidamente, prolongam o processo de morrer, quando desistem de viver antes da hora.

Viver sempre envolve riscos e sofrimentos, lembra ?

Então, quando optamos pelo tratamento (que pode incluir sofrimento e risco), não estamos escolhendo a certeza ou a facilidade,  a possibilidade ou a certeza. 

Estamos decidindo pela VIDA.  Enquanto houver vida, ali estamos nós, lutando, correndo riscos e… vivendo.

Entendidas dessa forma, as escolhas talvez fiquem mais claras. 

Aderir a quê ?  À VIDA !!!

Maria Teresa Veit
Psicocóloga

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