Qualidade de Vida

 

ALIMENTAÇÃO E QUIMIOTERAPIA

 

A alimentação requer atenção especial para quem passa por um tratamento de quimioterapia. Alguns dos efeitos colaterais do tratamento podem afetar diretamente os hábitos alimentares, como náusea, perda de apetite, boca seca, diarréia e outros incômodos.

 

Por isso, é recomendável pedir ao médico uma orientação específica sobre esse tema antes de iniciar seu tratamento. Geralmente, seu médico será auxiliado por um nutricionista experiente no atendimento ao paciente com câncer, que poderá lhe dar dicas para utilizar o alimento como aliado no tratamento e como auxiliar na redução de eventuais incômodos. Cabe também ao nutricionista indicar o que é melhor para você e o que deve ser evitado. A alimentação pode variar dependendo das doses e do próprio medicamento que esteja sendo utilizado.

 

Há, porém, algumas normas gerais que podem, desde já, ajudar-lhe a se preparar para esse período. Para evitar o agravamento de enjôos, náuseas e diarréias, um dos cuidados é evitar o excesso de frituras. Para qualquer pessoa, alimentos fritos não devem ser uma rotina no cardápio: recomenda-se que as frituras sejam consumidas no máximo duas vezes por semana e que elas sejam preparadas em óleo não utilizado anteriormente. O óleo reutilizado produz substâncias que irritam o aparelho digestivo e podem ser mais um fator de agressão para quem trata um câncer colorretal ou para quem já está sofrendo com náuseas ou diarréia em função de um tratamento quimioterápico.

 

Seja para um prato que requer fritura, seja para o refogado do dia-a-dia, é preciso também escolher com cuidado o tipo de óleo a ser consumido. A preferência é que ele seja de origem vegetal, como o de canola, o de milho, o de girassol ou o de soja. O azeite de oliva, embora tenha ponto de fumaça maior do que os demais – ou seja, o ponto em que começa a produzir substâncias tóxicas -, deve ser consumido em alimentos crus ou refogados, não em frituras.

 

Outra dica para quem quer ter uma boa alimentação é procurar fazer o prato de forma bem colorida. As cores dos alimentos são indícios de suas propriedades e, por isso, pratos coloridos costumam ser sinônimo de oferta de substâncias e nutrientes diferentes.

 

O consumo de frutas também merece atenção. O adequado é comer pelo menos duas unidades por dia, sendo uma delas cítrica, como a laranja, a mexerica, o abacaxi ou o limão. Também para as frutas o que conta é a variedade e, por isto, não se deve comer sempre os mesmos tipos de fruta todos os dias. As frutas cítricas só devem ser evitadas se, durante o tratamento quimioterápico, o paciente se queixar de muita azia, náusea, estomatite, ou quando tiver refluxo gastro-esofágico, que é a sensação de que a comida está voltando para a boca.

 

Para aliviar o incômodo da sensação de boca seca, uma dica é lançar mão de balas de limão ou de hortelã, ou pingar algumas gotas de limão na água. Se a boca estiver ferida, a alimentação pode ser pastosa e úmida, evitando-se alimentos que a machucam, como as torradas, por exemplo.

 

Uma forma de diminuir os incômodos em relação ao apetite, digestão e náuseas, é evitar também os molhos gordurosos, principalmente aqueles em que entrem produtos à base de gordura animal, como o creme de leite. A gordura animal retarda a digestão dos alimentos e pode prolongar a sensação de náusea. É preferível optar por temperos à base de ervas aromáticas naturais.

 

A digestão é facilitada, ainda, quando o alimento é consumido em temperatura próxima à do meio ambiente. Quando a comida está muito quente, demora um tempo no estômago até chegar à temperatura ambiente, o que retarda o processo digestivo.

 

Se a náusea estiver muito forte, a ponto de prejudicar a alimentação do paciente, não é recomendável forçar a ingestão. O adequado é buscar orientação médica para verificar a necessidade do uso de medicamento específico. Mas, também aqui, algumas dicas podem ajudar a diminuir esse inconveniente. Sempre que possível, é bom passar a tarefa de preparar a refeição a outra pessoa. Fazer a própria comida quando se está nauseado é meio caminho para não se conseguir comer o alimento depois de pronto.

 

Outra dica é variar o prato a cada refeição e tentar produzir pratos que sejam visualmente atraentes, com muitas cores, alimentos frescos e dispostos de forma agradável ao olhar. As ervas aromáticas, não utilizadas em abuso, podem tornar o prato atraente também ao olfato. Para a sobremesa, pode-se alternar frutas com gelatinas ou sorvetes, preferencialmente à base de frutas, já que os cremosos contêm gordura animal.

 

É preciso estar sempre atento à ocorrência de diarréia ou constipação. Em caso de diarréia, deve-se evitar alimentos gordurosos, consumir vegetais cozidos sem casca e abolir condimentos fortes. Bebidas como café, chá preto ou mate e bebidas alcoólicas também são contra-indicadas. Para a constipação, ou intestino preso, o caminho é dar preferência para alimentos vegetais crus, suplementando a alimentação com cereais integrais, granola ou farelo de trigo, que podem ser acrescentados ao suco, leite ou sopa.

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