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Novas esperanças para as grávidas com câncer

27/06/2006
Novas Esperanças Para as Grávidas com Câncer

Amy Langford ficou extremamente surpresa quando, aos 42 anos, descobriu que estava grávida. Sua alegria durou pouco, pois algumas semanas depois, foi informada que o caroço suspeito em seu seio direito era canceroso.

"O médico voltou e disse que não tinha "notícias muito boas"’, lembrou o marido de Amy, Gregg. "Logo em seguida, disse ‘obviamente, isso significa que deverá interromper sua gravidez’".

Porém, os Langfords, que vivem em League City, Texas, fizeram algumas pesquisas e descobriram um grupo de médicos especializados no tratamento de mulheres grávidas com câncer de mama, no M.D. Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, em Houston. Amy Langford submeteu-se a uma amniocentese, além de uma cirurgia de conservação do seio e quatro sessões de quimioterapia. No dia 23 de maio de 2005 deu a luz à Bryan, um bebê saudável de 3kg. O tratamento com radioterapia só começou após o parto.

"Eu não tinha cabelo algum quando ele nasceu, mas o bebê sim", disse Amy.

Por muitos anos, o consenso na comunidade médica era de que mulheres grávidas com câncer de mama não poderiam receber tratamento sem prejudicar os bebês. Essa concepção está sendo desafiada pelos resultados de um pequeno experimento clínico conduzido pelo M.D. anderson, que descobriu que mulheres com câncer de mama invasivo podem receber cirurgias e quimioterapia durante a gravidez sem prejudicar o bebê.

Sob o protocolo estudado, a quimioterapia é postergada até o primeiro trimestre de gravidez, e radioterapia, só após o nascimento.

"Podemos afirmar agora que o dilema ético foi eliminado", disse o Dr. Richard Theriault, professor de medicina do departamento de oncologia mamária do M.D. Anderson, que apresentou as descobertas recentemente, durante uma coletiva feita pela Associação Médica Americana, em Manhattan. "É possível tratar a doença com sucesso e segurança, com resultados positivos para a mãe e o bebê".

Theriault é o autor principal de uma tese sobre o experimento, o qual disse ter sido aceitado para publicação numa revista médica. A Dra. Karin Hahn, médica de Amy Langford, co-assina a pesquisa.

Apesar de pequeno, o estudo é importante, disse a dra. Carolyn D. Runowicz, presidente da Associação Americana de Câncer e moderadora da coletiva de imprensa. O câncer de mama é diagnosticado em 3000 americanas grávidas a cada ano, porém são excluídas de testes clínicos por razões éticas.

"Esse é um grande passo à frente, com um período razoável de observação e com resultados positivos, portanto médicos e mulheres podem ter certeza de que existem dados que suportam sua decisão", disse Runowicz.

Um estudo de 1999, feito pelo M.D. Anderson, acompanhou o tratamento de 24 pacientes grávidas.

O dr. Larry Norton, diretor médico do Evelyn H. Lauder Breast Center, no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center em Nova York, concorda que não há razão para se interromper a gravidez. "A quimioterapia pode ser usada com segurança, se evitarmos alguns agentes", disse.

Segundo Theriault, o tratamento permanece controverso por conta de questões éticas sobre o uso da quimioterapia durante a gravidez, assim como a incerteza das condições de saúde a longo prazo da criança e a possibilidade da morte da mãe.

"Algumas pessoas acham que somos meio loucos", disse.

Porém, adicionou: "Muito pouco da quimioterapia é enviada da mãe para o feto".

Theriault também afastou preocupações de que os altos níveis de hormônios durante a gravidez podem acelerar o crescimento do câncer, dizendo que a maioria de suas pacientes tinham tumores não-receptores de estrogênio.

O estudo examinou os resultados de 57 mulheres e 57 partos. Os bebês eram um pouco menores que a média, com peso médio de 2,9kg. Também tinham risco mais elevado de complicações neonatais; 37% necessitaram de ajuda de respiradores, comparados com a média de 29% encontrada em unidades de tratamento intensivo.

Muitos dos bebês nasceram com anomalias, mas nenhuma atribuída ao regime de quimioterapia. Um bebê teve Síndrome de Down, outro nasceu com o pé torto, e um terceiro nasceu com refluxo uretral bilateral congênito, uma doença relativamente comum em recém-nascidos. Apesar de uma paciente ter morrido de embolia pulmonar após cesariana, 43 mulheres, ou seja, 75%, continuam saudáveis e sem câncer, disse Theriault.

Os pesquisadores continuaram a monitorar a saúde das crianças. Das 40 crianças, entre 2 e 15 anos de idade, 39 estão se desenvolvendo normalmente, sendo a única exceção o bebê com Síndrome de Down.

O filho dos Langford acabou de comemorar seu primeiro ano de vida. Sua mãe se preocupa com sua condição de saúde a longo prazo. Porém, Bryan começou a aprender a andar e segue sua irmã de 7 anos por todo lugar, e, segundo a mãe, é "a coisa mais bonitinha do mundo".
(IG/The New York Times)  

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