REPOSIÇÃO HORMONAL

 

Referência Bibliográfica

 

A verdade sobre Reposição Hormonal

 

Dra. Maria Lúcia Nogueira da silva

Dr. Roberto cesar leite

Dr. Lair Ribeiro

 

 

 

REPOSIÇÃO HORMONAL

 

A Reposição Hormonal está em discussão.

 

                        Médicos, preocupados com o bem-estar de suas pacientes, e pacientes, ansiosas por manter a qualidade de vida, questionam sobre o que deve ser feito e qual a eficácia da Terapia de Reposição Hormonal (TRH) tradicional.

 

                        Com a finalidade de contribuir para que tanto a classe médica quanto as mulheres possam decidir com mais segurança em relação à reposição hormonal, muitos estudos foram feitos.

 

                        Em julho de 2002, quando veio a público o resultado de um grande estudo dessa natureza, feito pelo grupo WOMEN’S HEALTH INITIATIVE (WHI) e patrocinado pelo NATIONAL INSTITUTE OF HEALTH (NIH), o susto foi geral.

 

                        O estudo em questão, desenvolvido em quarenta centros médicos e previsto para durar oito anos e meio, envolvia um grupo formado por mais de 16 mil mulheres americanas, com idade entre 50 e 79 anos. Metade desse grupo estava recebendo hormônio {(Premarin 0,625mg (estrógeno conjugados de éguas prenhes) e Provera (acetato de medroxiprogesterona 2,5mg)} e a outra metade recebia placebo (substância sem ação farmacológica, como leite em pó, por exemplo). Contudo, após cinco anos, esse estudo foi encerrado sob a alegação de que os riscos eram incompatíveis com a segurança das participantes.

                        Os resultados, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) em 10 de julho de 2002, foram os seguintes: reduções de 37% na incidência de câncer do intestino e de 24% fraturas em geral. No entanto, para surpresa de muitos, foram registrados aumentos de 41% nos acidentes vasculares cerebrais (derrames), de 29% nos ataques cardíacos, de 58% nas embolias e de 26% no câncer de mama.

                        Depois da divulgação desses resultados, vários estudos envolvendo reposição hormonal foram reavaliados e alguns, em andamento, foram suspensos. Diante disso, o debate científico passou a girar em torno de dois pontos: o perigo de sujeitar mulheres saudáveis à terapia hormonal, para fins de estudos científicos, e o futuro da reposição hormonal, como prática médica.

                        Curiosamente, todos os riscos identificados no estudo interrompido já eram conhecidos: Bergkvist (Suécia) os relatara em 1989, e Willet, Colditz e Stampfer também já o tinham feito no estudo do Harvard Nurses Questionnaire, em 1995. Portanto, a informação não era nenhuma novidade.

                        Além disso, em 1995, o New England Journal of Medicine (NEJM), prestigiosa revista médica americana, publicou um estudo que envolveu 121.700 mulheres e também teve resultados alarmantes: nas mulheres submetidas à terapia de reposição hormonal (com hormônios naturais e sintéticos não-bioidênticos) por mais de cinco anos, o risco de câncer de mama aumentou entre 30 e 40%. E nas que tinham 60 e 64 anos de idade, o aumento chegou a ser de 70%.
                        Em maio de 2003, retomando o assunto, o NEJM publicou outro estudo, dessa vez sobre os efeitos da reposição hormonal com estrógenos conjugados eqüinos associados a um progestágeno (hormônio não-bioidêntico, sintético, semelhante à progesterona) na qualidade de vida da mulher, uma vez que os riscos para a saúde, a longo prazo, já eram conhecidos a partir de estudos como os que citamos antes. Avaliando mais de 16 mil mulheres, com idade entre 50 e 79 anos, o estudo revelou que nem a saúde mental nem os sintomas de depressão ou o nível de satisfação sexual aparentaram melhoras significativas com esse tipo de reposição hormonal. Isso permitiu concluir que o uso de estrógenos conjugados eqüinos associados a um progestágeno proporciona mais riscos do que benefícios.

 

UTILIDADE DA REPOSIÇÃO HORMONAL

 

A vida da mulher é marcada por fases que se manifestam no seu corpo, e a menopausa é uma delas. Isso é parte da condição feminina. A mulher que se julga “vítima” dessa condição, provavelmente, dirá: “Chegou a menopausa, acabou a feminilidade e a juventude!”, mas essa afirmação não é verdadeira. A menopausa revela um novo aspecto da mulher e, como todas as fases, requer cuidados específicos. O que a mulher precisa entender é que a condição feminina, em grande parte determinada pelos hormônios, traz mais benefícios do que prejuízos. Afinal, a mulher vive mais que o homem mantém-se ativa por mais tempo, sofre menos e com menor intensidade de doenças crônicas, tolera melhor sangramentos, entre outras vantagens.

                        Como tais benefícios são propiciados pelos hormônios, é importante fazer a reposição quando há redução ou esgotamento deles no organismo. Se aplicada adequadamente, com substâncias corretas, a reposição hormonal não causa câncer nem qualquer distúrbio cardiovascular (derrame, embolia, infarto, etc). Feita com hormônios bioidênticos, e não com progestágenos e estrógenos conjugados eqüinos, a reposição hormonal, quando indicada apropriadamente e criteriosamente individualizada, protege a mulher e lhe permite manter sua qualidade de vida sem riscos.

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A MULHER?

 

 

                        Estudantes de medicina ouviam dizer que, diante de uma mulher com dor no peito, não deviam se preocupar, pois mulher não infartava! Também ouviam dizer que, quando a mulher apresentasse algum nódulo na mama, câncer era uma possibilidade muito remota.

                        Hoje, porém, mulher infarta quase tanto quanto homem. E quando se detectam nódulos na mama, o diagnóstico final de câncer é muito mais provável do que antes.

 

AFINAL, QUAL É A EXPLICAÇÃO?

 

                        É para responder a essa e a outras perguntas, que temos certeza de que você irá se beneficiar muito com os novos aspectos da hormonioterapia bioidêntica que lhe serão mostrados. Nos próximos segmentos você encontrará:

Informações necessárias para sua decisão pela reposição hormonal seja um processo consciente, sem falas expectativas nem temores.

                        Material suficiente para compreender as diferenças existentes entre hormônios bioidênticos e não-bioidênticos, e seus diferentes efeitos sobre o organismo.

                        Ampla abordagem sobre a fisiologia feminina, o ciclo menstrual e como funcionam os hormônios sexuais.

 

 

                        Mesmo que a abordagem lhe pareça um pouco técnica, vá em frente. O assunto mais compreensível à medida que você prossegue com a leitura. Procuramos colocar tudo em uma linguagem bem acessível, mas sem reduzir informações importantes a noções genéricas, para que mesmo o público leigo no assunto posso beneficiar-se.

 

                        Hormônios bioidênticos ou isomoleculares são aqueles produzidos a partir de fontes naturais, vegetais(yam mexicano, por exemplo) ou animais (porcos e cavalos, por exemplo), que passam por processo de sintetização em laboratórios e geram moléculas idênticas às dos hormônios endógenos, produzidos pelo sistema endócrino humano. Os hormônios bioidênticos, usados na Terapia de Reposição Hormonal Bioidêntica (TRHB), são: estrona (E1), estradiol (E2), estriol (E3), progesterona e testosterona.

 

 

OS HORMÔNIOS E SUAS PARTICULARIDADES

 

ABORDAGEM INICIAL

 

                        Devido à complexidade do tema, a abordagem inicial sobre os hormônios será limitada a definições sucintas que nos permitam começar, efetivamente, a tocar no assunto. Essas definições constituirão o ponto de partida. Progressivamente, e em contextos mais adequados, ampliaremos as explicações, tornando esse quebra-cabeça bem mais simples do que parece.

 

HORMÔNIOS

 

O QUE SÃO?

 

                        São mensageiros químicos que, quando chegam ao destino, ou à célula-alvo, transmitem uma determinada informação que modifica ou controla a ação dessa célula.

 

ONDE SÃO PRODUZIDOS?

 

                        Os hormônios são produzidos em células isoladas ou em glândulas (grupos de células organizadas na forma de órgão), e são transportados pelo sangue até as células-alvo.

 

ONDE ATUAM?

 

                        Eles atuam em todas as células do corpo. O hormônio da tireóide, por exemplo, controla a velocidade das reações químicas em quase todas as células do organismo; os estrogênios estimulam o desenvolvimento dos órgãos sexuais femininos; a aldosterona reduz a excreção de sal (cloreto de sódio) pelos rins, e assim por adiante.

 

PROPRIEDADES PRIMÁRIAS DOS HORMÔNIOS

 

                        São duas:

 

                        Alto poder de difusão, ou seja, atingem rapidamente todo o corpo;

 

                        Capacidade de atuar em quantidades muito pequenas.

 

FUNÇÕES HORMONAIS PRIMÁRIAS

 

 

                        Seres unicelulares (constituídos de uma única célula), como as amebas, retiram nutrientes e oxigênio diretamente do meio em que vivem e lançam nesse mesmo meio as substâncias tóxicas que não lhes servem mais. Em animais pluricelulares (constituídos de duas ou mais células), esse mecanismo é mais complexo.

                        Visto que os organismos pluricelulares podem ser constituídos de milhares de células, como é o caso do organismo humano, por exemplo, precisa haver uma estratégia especial para que cada célula, por meio do sangue, receba o alimento de que necessita. Mas o sangue não consegue chegar diretamente a todas as células e, por causa disso, uma quantidade considerável delas fica apenas embebida no líquido extracelular. Cabe, então, a alguns hormônios controlar a contínua atividade de entrada e saída de nutrientes e catabólitos (lixo proveniente do metabolismo) celulares.

 

AÇÃO DOS HORMÔNIOS NO METABOLISMO CELULAR

 

                        Os hormônios agem como mensageiros químicos, estabelecendo um sistema de comunicação eficiente, capaz de “informar” aos diversos territórios celulares quais substâncias devem ter prioridade em cada momento. Eles “dizem” às células o que deve ser queimado, produzido, eliminado e depositado.

 

OPERACIONALIDADE DOS HORMÔNIOS

 

                        No sistema nervoso, que é outro sistema de comunicação de que o organismo dispõe, as informações são transmitidas por impulsos nervosos, atingem o alvo rapidamente e provocam efeitos quase imediatos e de curto prazo. Já no sistema hormonal, o fluxo de transmissão da informação é mais lento, porque, para transmitir uma informação, os hormônios dependem do encaixe de suas moléculas em receptores especiais existentes na superfície e no interior das células, e seus efeitos se mantêm por um período de tempo mais prolongado.

A DESCOBERTA DOS HORMÔNIOS

 

                        Os hormônios foram identificados pela primeira vez em 1902, quando os fisiologistas britânicos William Bayliss e Ernest Starling demonstraram que uma substância retirada do revestimento do intestino, após ser injetada em um cão, podia estimular o pâncreas a produzir secreção. Eles chamaram essa substância de “secretina”e cunharam o termo “hormônio”, do grego HORMO, que significa “estimular, colocar em movimento”. Atualmente, já foram identificados mais de cem hormônios.

 

                        A mulher produz progesterona, estrogênios e, em menos quantidade, testosterona.

                        O homem produz predominantemente testosterona e, em menor quantidade, hormônios femininos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: