REPOSIÇÃO HORMONAL

 

EXEMPLIFICANDO:

 

                        PREMARIM (estrógenos conjugados eqüinos) e PROVERA (acetato de medroxiprogesterona): apesar de o primeiro ser originado da urina de éguas prenhes e, portanto, natural, e o segundo ser um progestágeno obtido por síntese química e, portanto, sintético, nenhum dos dois é bioidêntico.

 

                        ISOFLAVONA DE SOJA:  mesmo tendo atividade hormonal e origem natural, também não é bioidêntica a nenhum hormônio produzido pelo organismo humano.

 

HORMÔNIOS E RECEPTORES

 

                        Em geral, os hormônios são lançados diretamente na corrente sangüínea. Uma vez no sangue, eles fluem até os locais onde irão agir. E quando atingem as células-alvo, ativam uma série de reações bioquímicas que irão modificar o comportamento dessas células, desde que, é claro, sejam reconhecidos por elas, por meio dos receptores celulares.

                        É isso mesmo: ao chegar em uma célula-ovo, o hormônio só pode atuar se for identificado por ela. E para que essa identificação aconteça, a molécula do hormônio precisa ser reconhecida por uma proteína (receptor) existente na célula do órgão em que ele irá atuar. A proteína que existe na célula é o que se costuma chamar de “receptor para hormônio”.

                        Parece complicado, mas não é! Pense que você (hormônio) quer entrar em uma casa (célula-alvo). Você vai até a porta da casa. Chegando lá, se a fechadura que existe na porta da casa (receptor) não reconhecer a chave que está na sua mão (molécula do hormônio), você ficará impedida de entrar.

 

RECEPTORES

 

                        Receptores são as moléculas que ficam, como se fossem antenas, na superfície da membrana das células ou no seu citoplasma (interior da célula), como no caso dos hormônios esteróides (estrogênio, progesterona e testosterona). Os receptores são capazes de capturar as substâncias que neles se encaixem e de que as células estejam precisando.

                        Existe um receptor próprio para cada tipo de substância de que as células necessitam. Se uma célula necessita da substância “x”, por exemplo, abrem-se os receptores para “x”. Se ela não tem necessidade dessa substância, seus receptores para “x” ficam recolhidos ou parcialmente fechados. Entretanto, basta sentir que “x” está se esgotando para que a célula emita uma ordem e, então, os receptores para a substância “X” voltam a se abrir para poder capturá-la.

                        Como os receptores são altamente específicos, a ligação entre eles e a molécula do hormônio que lhes é correspondente é muito precisa. Esse tipo de ligação, conhecida como “chave-fechadura”, leva em conta o formato espacial(tridimensional) tanto do receptor quanto da molécula que nele se encaixa. Portanto, em um receptor específico, apenas uma molécula específica pode se encaixar e dar à célula o estímulo de que ela estiver precisando. Isso não impede, porém, que outra molécula, muito parecida com a específica, se encaixe no receptor e tente, nem que seja parcialmente, cumprir a função da molécula original ou impedir que esta atinja seu objetivo.

                        Receptores e hormônios são moléculas com estruturas químicas conhecidas, que, como sabemos, são tridimensionais. Logo, moléculas, queremos dizer que elas têm de se encaixar tridimensionalmente. Ou seja: o ajuste entre receptor e hormônio deve ser perfeito.

                        Se uma molécula transmissora de informação encaixa-se apenas parcialmente no receptor, é como se tentássemos abrir uma fechadura com uma chave semelhante, mas não idêntica à original. Nessa tentativa, quase sempre acabamos usando a força, e, então, entortamos a chave ou danificamos a fechadura.

                        Assim, quando uma molécula semelhante, mas não idêntica, tenta se encaixar em um receptor, uma parte dela pode ajustar-se, mas a outra pode ficar solta. E nessa tentativa de encaixe, como no caso da chave e da fechadura, também acontecem problemas. Como a informação que a molécula transmite ao receptor é parcial, ela será interpretada de forma distorcida e poderá ativar áreas da célula que não deveriam ser ativadas, levando à produção de substâncias que não deveriam ser produzidas.

 

COMO OS HORMÔNIOS AGEM NO ORGANISMO

 

PRINCIPAIS FUNÇÕES HORMONAIS 

 

                        Os hormônios têm quatro tipos de funções principais:

 

                        – alterar a permeabilidade da membrana celular;

                        – alterar a atividade de enzimas;

                        – estimular a liberação de outros hormônios;

                        – ativar genes específicos dentro do núcleo celular.

 

MECANISMO BÁSICO DE ATUAÇÃO

 

                        Para atuar na célula, o hormônio encaixa-se no receptor. O receptor, estimulado, lança, para o núcleo da célula, uma espécie de “braço molecular” que se liga ao DNA. E na longa cadeia do DNA, o hormônio ativa algumas de suas partes e desativa outras, provocando mudanças na intensidade da atividade celular. É por isso que, quando uma mulher toma hormônio masculino em doses altas, por exemplo, pode crescer barba no seu rosto. Isso significa que o receptor celular aumentou sua sensibilidade à testosterona e passou a produzir pelos.

 

CONTROLE DA CONCENTRAÇÃO HORMONAL

 

                        Normalmente, a quantidade de hormônio em circulação é controlada pelo mecanismo de feedback (sistema de auto-regulação), que é a resposta do corpo a uma alteração do meio interno.

                        Quando se como açúcar, ocorre um aumento de glicose no sangue. Todos temos um sensor para glicose no sistema nervoso central. Esse sensor percebe quando a glicose do sangue aumenta e emite uma ordem:

                        – Produza mais insulina!

                        Horas depois, o corpo já queimou quase toda a glicose acumulada. Então, o sensor percebe e emite uma nova ordem:

                        – Sinta fome!

                        No hipotálamo, estrutura localizada no sistema nervoso central, e em algumas outras regiões do cérebro, existem núcleos ou agrupamentos de neurônios (células do sistema nervoso) com a função de quantificar constantemente a concentração de hormônios e de outras substâncias presentes no sangue.

                        É dessa forma que a temperatura, a sede, a fome e a maioria das funções do nosso corpo são controladas! Isso mantém a homeostase, que é o equilíbrio interno.

 

 

OS HORMÔNIOS FEMININOS: ESTROGÊNIO E PROGESTERONA

 

                        Os hormônios sexuais foram descobertos por volta de 1900. Na época, os cientistas os descreveram como dois hormônios: estrogênio e progesterona. Com o tempo, soube-se que o estrogênio (ou estrógenos) não é um hormônio, mas uma classe de hormônios, e que os hormônios que integram essa classe são as únicas substâncias no organismo humano que contém fenóis e, portanto, são potencialmente tóxicas. Contudo, ficou comprovado que a progesterona é apenas um hormônio e não uma classe de hormônios, como o estrogênio.

                        Talvez as diferenças entre estrogênios e progesterona não tenham sido bem assimiladas desde que foram identificadas, pois muita gente ainda pensa que estrogênio é só um hormônio, assim como outro tanto passou a achar que progesterona é uma classe de hormônios.

 

AS APARÊNCIAS ENGANAM

 

PRELIMINARES DO PROBLEMA

 

 

                        – Como toda e qualquer substância natural, a progesterona não pode ser patenteada.

                        – O estrogênio, como se sabe, é uma classe constituída de três hormônios (estrona, estradiol e estriol) capazes de provocar efeitos estrogênicos na mulher.

                        – Efeito estrogênico: capacidade de uma substância, qualquer que seja, produzir endométrio (parte interna do útero) proliferativo.

                        -Efeito progestogênico: capacidade de uma substância, qualquer que seja, induzir e manter o endométrio secretório.

 

                        O PROBLEMA

 

                        A progesterona não é uma classe de hormônios, mas, mesmo assim, pesquisas foram feitas e novas “progesteronas” foram sintetizadas. Surgiu, então, o seguinte problema: não se podia chamar as novas substâncias de progesterona porque, de fato, elas não eram progesterona. Como, então, referir-se às substâncias que apresentavam efeitos progestogênicos sem ser progesterona?

                       

A  SOLUÇÃO

                       

                        Para resolver o problema, foram criados nomes como progestágenos, progestogênios ou progestatinas – todos se referem aos similares não-bioidênticos, sintéticos, da progesterona

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