REPOSIÇÃO HORMONAL

 

CÉLULA CANCEROSA

 

                        A célula cancerosa tem duas peculiaridades que a diferenciam das células normais:

 

                        – multiplicação muito mais rápida do que o normal;

                        – perda da diferenciação celular, adquirindo características indiferenciadas.

 

                        A progesterona, no organismo, ativa o gene P53, que é um regulador (ação inibitória) da multiplicação celular. O estrogênio, por sua vez, ativa o gene bc.1.2, que é um proliferador de células mamárias e uterinas. Se a proliferação fica fora de controle, inicia-se um tumor. Isso explica o motivo pelo qual nunca se deve ministrar estrogênio sozinho, sem progesterona para contrabalançar seus efeitos proliferativos, potencialmente cancerígenos.

                        A progesterona e o estrogênio têm mútua ação reguladora. É como se cada um fosse uma asa de um pássaro, que precisam estar em equilíbrio para que o pássaro possa voar bem.

 

ESTROGÊNIO E EQUILÍBRIO VITAL

 

                        A retenção  de líquidos e o aumento de peso corporal, efeitos estrogênicos considerados negativos, na verdade, constituem um mecanismo natural para a perpetuação da espécie. Em períodos de falta de alimentos, tanto a retenção de líquidos quanto o aumento de peso corporal contribuem para que mulheres se mantenham vivas e capazes de procriar. É vantajoso para a criança em gestação que a mãe tenha condições de armazenar gordura no corpo, como um estoque regulador de energia.

                        Os efeitos do estrogênio vão além de, simplesmente, dar forma ao corpo feminino e estimular útero e seios: quando não há condições nutricionais para sustentar uma gestação ou em períodos de fome intensa, a produção dos estrógenos diminui, evitando a fertilidade. Em casos extremos, acontece até a cessassão da menstruação, como forma natural de prevenir contra a desnutrição e evitar a gravidez.

                        Quando em fase de intenso treinamento físico, mulheres atletas param de menstruar porque o mecanismo corporal interpreta essa condição física como sendo de grande estresse e, portanto, inadequada para a gestação.

                        Os efeitos do excesso de estrogênio são potencialmente perigosos e precisam ser controlados a partir do equilíbrio entre os outros hormônios sexuais, como a progesterona, por exemplo.

 

                        A mulher, atualmente, consome muito mais calorias do que necessita. Na maioria das vezes, isso aumenta de forma desproporcional a produção dos estrógenos, elevando seus níveis muito além do normal, e cria condições propícias para o desenvolvimento da síndrome da predominância estrogênica.

                        Hoje em dia, as dietas alimentares de países industrializados costumam ser ricas em gordura animal, açúcar, amidos refinados e alimentos processados. Assim, fornecem um excesso de calorias em relação às necessidades da mulher e proporcionam níveis estrogênicos duas vezes mais elevados que os das mulheres de países em desenvolvimento.

                        A predominância estrogênica tem conseqüências indesejáveis no organismo feminino.

 

PROGESTERONA : O HORMÔNIO DA VIDA

 

                        Progesterona é uma substância naturalmente produzida pelo organismo humano ou em laboratório, cuja fórmula é C21H30O2. Nas mulheres, ela é produzida principalmente pelo corpo lúteo, no ovário, a partir da molécula de colesterol. As glândulas supra-renais e a gordura do corpo, tanto do homem quanto da mulher, também a produzem, mas em menor quantidade. E nos homens ela também é produzida pelos testículos.

                        Na mulher não-grávida, como já vimos, o corpo lúteo, que se forma após a ovulação, é o principal produtor de progesterona (durante a gravidez, essa função é desempenhada pela placenta). Com a interrupção da ovulação, como ocorre na menopausa, a produção desse hormônio cai drasticamente e, portanto, é preciso fazer a sua reposição.

 

LEMBRE-SE: Mais gordura no corpo significa maior produção de estrogênio. Isso explica a correlação existente entre obesidade e câncer.

 

FITO- HORMÔNIOS

 

 

                        Na década de 1950, similares ativos do estrogênios e da progesterona foram isolados de uma grande variedade de plantas, como o yam selvagem mexicano (Dioscorea mexicana), cujo principal ingrediente ativo com ação hormonal é a diosgenina, um fito-hormônio que tem uma molécula muito parecida, mas não idêntica, à da progesterona.

                        A exploração de fito-hormônios dessas plantas, assim como sua manipulação para a forma de hormônios bioidênticos aos da mulher, é um processo relativamente simples, pouco dispendioso e não-patenteável (não se pode patentear substâncias naturais) que consiste em isolar as moléculas dos fit-hormônios, transformando-as nas mesmas moléculas de progesterona, estrogênios, estrona, testosterona, etc. Esse procedimento garante a produção de um hormônio bioidêntico.

                        Os fito-hormônios precisam ser processados pelo corpo para fazer efeito; porém, deve-se levar em conta que a concentração de fito-hormônios nas plantas não é constante e, além disso, só uma pequena parte do que se ingere é absorvida. Isso faz com que os resultados clínicos com a administração de fito-hormônios sejam inconstantes.

                        Para se fazer uma reposição estrogênica exclusivamente com derivados de soja, por exemplo, estima-se que seja preciso comer oito quilos de tofu por dia, o que é uma quantidade tóxica. Naturalmente, não se deve descartar os benefícios os benefícios de nossas necessidades orgânicas. Mas, para esse efeito, a soja deve ser consumida apenas na sua forma fermentada, ou seja: missô, shoyu, natô e outros.

 

FITOESTRÓGENOS

 

                        Estudos recentes têm confirmado os benefícios dos fitoestrógenos nos sintomas da menopausa. O uso das isoflavonas merece destaque, pois elas podem ser usadas como auxiliares no controle dos sintomas da menopausa, desde que a paciente esteja sob supervisão médica e com seus níveis hormonais monitorados.

                        Como o uso associado de fitoestrógenos, é possível fazer reposição hormonal com menos efeitos colaterais.

 

EVIDÊNCIAS CLÍNICAS

 

                        Mulheres orientais, cuja alimentação é à base de soja, vegetais e legumes, quase não apresentam os sintomas típicos da menopausa sofridos pelas mulheres ocidentais. Além disso, a incidência de câncer de mama entre elas é cinco vezes menor do que as ocidentais.

                        A menor incidência do câncer de mama é encontrada de forma mais evidente na mulher oriental que ainda menstrua, que também apresenta baixa incidência de síndrome pré-menstrual. Provavelmente, pelo fato de a mulher ainda ser jovem, os fito-estrógenos “enganam” o sistema de controle e ocupam os receptores das células, fazendo um feedback negativo com a hipófise (a rainha das glândulas), informando ao controle do cérebro que o corpo não deve aumentar a produção de estrogênio, pois o organismo já dispõe de quantidades suficientes. Isso pode evitar a superprodução de estrogênio e, conseqüentemente, impedir que a predominância estrogênica se estabeleça.

                        Já na mulher menopausada, os resultado de estudos com isoflavona, por exemplo, não mostraram alívio nos sintomas da menopausa nem na prevenção do câncer de mama. O que explica esses resultados é o fato de os fitoestrógenos terem atividade estrogênica, muito embora bem mais fraca que a dos estrógenos endógenos. Como a produção de progesterona na menopausa é muito reduzida e não se consegue compensá-la com fitoestrógenos, ocorre um forte desequilíbrio hormonal, com predominância estrogênica e todas as conseqüências dela decorrentes. Portanto, os efeitos terapêuticos dos fito-hormônios são mais evidentes nas mulheres ainda produtivas do que nas menopausadas.

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