ÍNDIAS LIVRES DO CÂNCER-DE-MAMA

 

 

 

 

O câncer de mama mata cerca de 9 mil mulheres no Brasil, a cada ano. Não fazem parte dessa estatística as índias não miscigenadas. Uma pesquisa feita com 180 índias xavantes, no interior de Mato Grosso, concluiu que o modo de vida da tribo pode explicar a ausência de casos de câncer e indicar caminhos para prevenir a doença em mulheres que vivem nas cidades.

Há seis anos, pesquisadores de Mato Grosso e da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, trabalham nas aldeias da Reserva de Sangradouro, a 320 km de Cuiabá. Com autorização do Ministério da Saúde e da Funai, foram coletadas amostras de sangue para a análise do DNA em laboratório.

Além da análise do DNA, os pesquisadores também estudaram, os hábitos alimentares, os costumes e o comportamento dos xavantes. Eles descobriram que todos estes fatores contribuíram para uma alteração genética nas células das índias que as protege contra o câncer de mama.

A pesquisa revelou que as índias não miscigenadas têm baixa concentração de estrogênio e progesterona, dois hormônios associados à reprodução e ao aparecimento do câncer de mama.

"Existem entre as índias, mulheres com 20, 30 anos com níveis hormonais de mulheres na menopausa. Isto é um nível muito baixo e mesmo assim elas têm uma atividade biológica reprodutiva normal", afirmou o Dr. Guilherme Bezerra, médico oncologista coordenador da pesquisa.

As índias também amamentam por mais tempo que as outras mulheres. "E a amamentação se prolonga até o nascimento do próximo filho, que costuma ser de dois em dois anos”, explicou Márcia, técnica em enfermagem.

Os primeiros resultados da pesquisa foram publicados em outubro do ano passado em revistas internacionais. A alteração nas células das índias, segundo os pesquisadores, pode ser atribuída principalmente aos hábitos alimentares, baseado na caça, pesca e frutas ricas em vitaminas e antioxidantes, substâncias que ajudam a combater o envelhecimento.

Para o médico que coordenou a pesquisa, o resultado pode ajudar na criação de programas de prevenção contra o câncer de mama mais eficazes e de baixo custo. "Onde nós podemos induzir as mulheres a terem hábitos alimentares ou ingerirem alimentos que vão criar uma condição semelhante a destas índias brasileiras", concluiu o médico.

Matéria do Jornal Hoje (22/02/2007)

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