Técnica de Imagem

Técnica de imagem pioneira ajuda a extirpar tumores de mama
invisíveis a olho nu
Hospital Clínico de Barcelona é o primeiro do mundo a usá-la
Joan Carles Ambrojo
em Barcelona
 
Operar um tumor de mama com apenas alguns milímetros de tamanho é
muito mais complicado do que eliminar um de 5 centímetros, que é
facilmente visível. Como pode um cirurgião extirpar corretamente o
tumor diminuto se não o consegue ver nem apalpar?
Até agora os cirurgiões operavam esses pequenos tumores
impalpáveis "de ouvido", por meio de um sensor que determinava o
tecido a ser eliminado. Trata-se da técnica Roll, que é a
localização acústica do tecido canceroso mediante o emprego de
rastreadores radioativos injetados na paciente e que é detectado do
exterior com uma sonda. Essa técnica é freqüentemente combinada com
a biópsia do gânglio sentinela para saber se o câncer se expandiu.
Para isso são analisados os primeiros gânglios pelos quais passa o
líquido linfático desde o tumor. Se o gânglio der negativo, o tumor
foi extirpado com êxito.
E por que não levar à sala de cirurgia a captura de imagens através
de raios gama, técnica amplamente usada para estudar doenças? O
principal inconveniente era que uma dessas equipes ocupa um quarto
inteiro. Mas, em meados de 2006, o Hospital Clínico de Barcelona se
transformou no primeiro do mundo a intervir com êxito em pacientes
com câncer de mama com uma câmera gama portátil, de tecnologia
completamente espanhola, que indica ao cirurgião em tempo real e com
grande precisão a área de tecido mamário a ser extirpada. Desde
então operou cerca de 20 pacientes "com resultados muito bons",
afirma Gabriel Zanón, chefe da Unidade de Patologia da Mama.
Essa inovação, criada pela empresa Gem Imaging, de Valência,
funciona identificando o mesmo rastreador radiativo injetado na
técnica Roll. A diferença é que apresenta imagens livres de doença
maiores na primeira intervenção "e, provavelmente, a quantidade de
tecido glandular extraída será menor, com o que o resultado estético
é superior", acrescenta Zanón.
Além disso, com as técnicas convencionais, muitas pacientes com
tumores impalpáveis devem se submeter poucos dias depois a uma
segunda intervenção, porque é necessário ampliar as margens de
tecido limpo. Segundo Gabriel Zanón, a idéia é que a nova técnica
permita "extirpar completamente todas as células cancerosas em um
único ato médico".
Os especialistas afirmam que a câmera gama poderá ser utilizada em
outras patologias como tumores de pele (para encontrar um gânglio
sentinela no melanoma maligno) ou em tumores ginecológicos (de
endométrio ou de colo uterino).
Essa câmera, que pode ser utilizada em combinação com a técnica
Roll, também permite localizar – durante a intervenção – o gânglio
sentinela da mama. A técnica do gânglio sentinela reduz a internação
no hospital e, sobretudo, a mortalidade em muitas pacientes, afirma
Sergi Vidal-Sicart, do Serviço de Medicina Nuclear do Hospital
Clínico, que avaliou a câmera com 50 pacientes sem levá-las a
cirurgia.
Na Espanha morrem por ano 5.700 mulheres de câncer de mama. O
Clínico intervém em 350 pacientes e a metade delas são mulheres com
tumores potencialmente impalpáveis, calcula Vidal-Sicart. A
minicâmera é do tamanho de um pequeno dicionário de bolso, pode ser
ligada a qualquer computador e oferece as imagens da lesão em uma
tela táctil, enquanto um feixe de luz projetado sobre a mama indica
o lugar da incisão.
Coordenados pela equipe de Zanón, que criou o protocolo para
utilizar o equipamento, outros nove hospitais espanhóis começarão a
trabalhar imediatamente com essa técnica de imagem.
Nos próximos meses entrarão no projeto outros centros de saúde,
afirma Gabriel González Pavón, diretor da Gem Imaging. A empresa
criou o equipamento a partir do trabalho de pesquisadores do
Instituto de Física Corpuscular de Valência, pertencente ao Centro
Superior de Pesquisas Científicas, fundado pela empresa há três anos.
A empresa já recebeu pedidos de centros de saúde como o Memorial
Sloan-Kettering Cancer Center-Hospital Sloan de Nova York, o
Anderson Cancer Center de Houston ou o John Hopkins Hospital de
Baltimore. "Antes precisamos estender o protocolo de uso da câmera
na Espanha, enquanto tramitamos a autorização da Administração de
Alimentos e Drogas dos EUA", diz Pavón.

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