ARTIGOS MÉDICOS

Novidades no tratamento do câncer de mama
O último congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO-2005), realizado em maio na cidade de Orlando (Estados Unidos), apresentou três estudos clínicos que avaliaram o tratamento do câncer de mama HER-2 positivo.
Esse é um tipo de tumor (câncer) mais agressivo, onde as células apresentam uma proteína (HER-2) na sua superfície externa, que faz com que as células tumorais cresçam e ainda as protege do efeito de alguns remédios. Por outro lado, existe um medicamento, o Herceptin ®, que atua especificamente sobre essa proteína. Cerca de 25% dos tumores de mama possuem essa proteína (ou seja, são HER-2 positivos) e os resultados obtidos naturalmente só se aplicam a esses casos.
Esse medicamento foi utilizado inicialmente para tratar o câncer de mama já com alguma disseminação pelo organismo (metastático) ou que tivesse reaparecido após a cirurgia (recidivado). Os resultados foram muito favoráveis, a ponto de justificarem a análise do remédio dado numa fase mais precoce, logo depois que a paciente é operada. É o que chamamos tratamento adjuvante ou preventivo.
Existe uma regra geral dentro da oncologia: quanto menos órgãos atingidos pela doença e quanto mais precoce o início do tratamento, melhor o resultado. Há exceções, porém o câncer de mama é um ótimo exemplo: eliminar as possíveis células tumorais que sobraram após a cirurgia pode efetivamente impedir que elas se implantem em algum órgão posteriormente.
O objetivo dos pesquisadores era responder se o acréscimo de Herceptin® à quimioterapia (que é um tratamento padrão depois da cirurgia) traria mais proteção às pacientes com câncer de mama do que a quimioterapia isolada, no sentido de evitar que a doença reaparecesse em qualquer local do corpo.
Foram recrutadas quase 5000 mulheres para participarem de dois estudos norte-americanos, sendo que 3300 atenderam a todos os critérios para serem avaliadas. Já do estudo coordenado pelos pesquisadores europeus participaram mais de 5000 pacientes, distribuídas em 39 países, incluindo o Brasil.
O Herceptin® foi administrado juntamente ou em seguida à quimioterapia por um período de 1 ano e os efeitos colaterais também foram avaliados.
Os resultados mostraram que o remédio reduz pela metade a possibilidade da doença voltar (recidiva). Depois de quatro anos, cerca de 15% das mulheres estudadas que receberam o remédio apresentaram uma recidiva, em comparação com mais de 30% das que só receberam quimioterapia. Esse é, sem dúvida, um dos resultados mais importantes já obtidos dentro da oncologia.
Os efeitos colaterais foram poucos e o mais importante foi sobre o coração, podendo chegar à insuficiência cardíaca. Contudo, isso aconteceu em um número muito pequeno de pacientes. O benefício obtido com o remédio é muito maior que os eventuais riscos. O importante é que médicos e pacientes se conscientizem quanto à necessidade de acompanhamento freqüente, para que sejam feitas modificações no planejamento terapêutico assim que qualquer indício de problema cardíaco seja detectado.
Estes resultados fornecem a primeira evidência de que o tratamento tem potencial para reduzir os riscos do reaparecimento do câncer após a cirurgia e prolongar a vida das mulheres com câncer de mama HER2 positivo.
Como o remédio só atua nos casos positivos, é fundamental que a confirmação de que o tumor é mesmo HER-2 positivo seja feita em laboratório de confiança, para que não se deixe de oferecer o Herceptin® para pacientes que deveriam recebê-lo, ou ainda para que não se administre o medicamento inadvertidamente para mulheres HER2 negativo.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil são registrados mais de 40 mil casos novos de câncer de mama por ano e mais de nove mil óbitos decorrem da doença. Isso demonstra o impacto dessa novidade e a importância da divulgação desses resultados.
 
Dra. Andréa Naves – Oncologista

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