LIBIDO DEVE SER TRABALHADA

Entrevista com a psicóloga Mara Pusch, da Unifesp
 
A busca do prazer pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar a atravessar períodos de desconforto eventualmente provocado pelo tratamento contra o câncer. Segundo a psicóloga Mara Pusch, que coordena o Projeto Afrodite, do Ambulatório de Sexualidade Feminina no Climatério da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), buscar atividades prazerosas, incluindo a sexual, ajuda o paciente a sentir-se vivo e aumenta sua motivação a aderir ao tratamento necessário para combater a doença.
Mara explica que a libido, ou apetite sexual, é uma energia humana que faz os indivíduos buscarem a realização de suas necessidades básicas, como a fome, por exemplo, e também as prazerosas, como a sexual. Na linguagem comum, a libido pode ser entendida como desejo e vontade. A libido tende a diminuir em função de algumas doenças. “Às vezes, por causas fisiológicas, como a chegada da menopausa na mulher, às vezes por questões emocionais, como o medo de fracassar na relação sexual ou como fruto de depressão”, afirma a especialista.
Durante um tratamento é possível, também, que a pessoa se sinta fraca ou indisposta para manter a atividade sexual ou, ainda, que ela não se sinta motivada para desempenhar determinadas atividades. Uma das conseqüências é que seu apetite sexual fique reduzido. Mara ressalta que pacientes submetidos a retirada da mama tendem a se sentir ainda mais debilitados e mais expostos a sentimentos de rejeição e de baixa auto-estima. Para a psicóloga, é importante que, mesmo nessas situações, o paciente procure motivar-se e enfatiza que uma vida sexual ativa pode ser uma ferramenta adicional para ganhar forças e atravessar fases complicadas no tratamento.
Quando as dificuldades para despertar a libido mostram-se intransponíveis, a psicóloga aconselha procurar grupos de ajuda. Existem grupos voltados para o paciente e família e na troca de informações é possível perceber que a falta de motivação é muitas vezes transitória, superada após o término do tratamento. Pode-se encontrar esse tipo de ajuda em entidades como a Associação dos Amigos da Mama – Adama (www.adama.org.br), em Niterói; grupos de apoio a pacientes http://www.grapo.hpg.ig.com.br/apoio/grupos.htm), em Belo Horizonte, ou o Cora – Centro Oncológico de Recuperação e Apoio (telefone 11-3813.3340), em São Paulo.
Mara explica ainda que a libido se manifesta a partir de estímulos diferentes para homens e mulheres. Enquanto os homens despertam sua libido com estímulos visuais, a mulher precisa de estímulos auditivos e sensitivos como um elogio ou de manifestações de carinho. A libido começa normalmente a se manifestar na puberdade, com as alterações hormonais, e perdura por tempo diferente para o homem e a mulher. Na mulher, a redução na produção hormonal do climatério pode diminuir o desejo sexual, enquanto no homem o desejo sexual pode manter-se até o final da vida.
Ela destaca que casais que enfrentam psicológica e emocionalmente problemas como doenças crônicas ou intervenções cirúrgicas conseguem manter a libido ativa, tornando a relação afetiva saudável e motivando o paciente a lutar contra sua doença.
 
Publicado em 16/02/2007
 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: