RESTAURAR A LIBIDO TAMBÉM É QUESTÃO DE BUSCA

Entrevista com a psicóloga Carolina Chem, da Santa Casa de Porto Alegre
 
O tipo de câncer – se ele ocorre ou não em regiões do corpo ligadas às atividades sexuais ou à imagem corporal – são fatores que podem provocar reflexos negativos sobre a libido do paciente desde o momento de seu diagnóstico. A diminuição do desejo sexual e o conseqüente afastamento do parceiro podem perdurar se, durante o tratamento, a imagem corporal também for afetada. Fatores como a queda de cabelos provocada pela quimioterapia por via intravenosa podem agravar esse processo.  A opinião é da psicóloga Carolina Chem, chefe do Serviço de Psico-oncologia do Hospital Santa Rita do Complexo Hospitalar Santa Casa, de Porto Alegre.
Embora a preocupação com a saúde faça parte da vida de qualquer pessoa, ao receber o diagnóstico de uma doença que exige tratamento de longa duração pensar na saúde acaba se tornando o foco principal de atenção durante todo o dia. Todas as energias ficam voltadas para a busca sobre o que fazer diante da nova informação e, por isso, a conseqüência é que as demais rotinas fiquem alteradas, avalia a especialista.
“O medo de que a doença seja fatal altera o sono, diminui o poder de concentração, a auto-estima fica baixa e a libido pode até desaparecer”, resume a psicóloga.
Carolina, que integra uma equipe multidisciplinar de oncologia na instituição gaúcha, acredita que pacientes com contextos social, profissional e familiar favoráveis conseguem passar pela primeira fase de crise mais rapidamente, facilitando o processo de aceitação e permitindo-se falar de si mesmos com menor dificuldade.
Nesse processo, alguns relacionamentos acabam se rompendo pelo distanciamento entre os parceiros, mas Carolina adverte que em geral isso ocorre com casais que já vinham apresentando problemas anteriores à doença. Entre os que superam a fase inicial, é nesse momento que a vida sexual começa a ser retomada.
A especialista destaca a importância da participação do paciente em grupos de auto-ajuda. A prática de reuniões entre pacientes que já se recuperaram e aqueles que apenas iniciam o tratamento é adotada rotineiramente no Santa Rita e Carolina tem observado que a troca de experiências e informações, inclusive sobre as questões relacionadas à sexualidade, torna mais fácil entender e lidar com os problemas enfrentados num tratamento de longa duração como o do câncer.
Outra técnica utilizada pela psicóloga para a superação da queda da libido é relacionar com o paciente as áreas em que ele tem atuação bem-sucedida e que lhe proporcionam prazer, seja no trabalho, em hobbies ou no relacionamento familiar. A idéia é reforçar suas potencialidades, para que as emoções positivas possam fortalecê-lo e ser estendidas aos campos em que ele encontra mais dificuldade.
 
Publicado em 29/03/2007

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