GENES PODEM CAUSAR CÂNCER DE MAMA

Genes presentes em 16% das mulheres podem causar câncer de mama

Claudio Angelo

Editor de Ciência

Um grupo internacional identificou, numa tacada só, quatro genes envolvidos no surgimento do câncer de mama. A boa notícia é que eles trazem um risco relativamente baixo da doença para as mulheres que os possuem. A má é que eles são bem comuns na população: um deles, por exemplo, está presente em uma em cada seis leitoras deste texto.

A descoberta é o maior avanço na guerra da genética contra o câncer de mama desde os anos 1990, quando foram isolados os primeiros genes ligados à doença, que mata 500 mil pessoas todos os anos.

Embora ainda não seja possível fazer testes para detectar os novos genes, os cientistas acham que a nova descoberta permitirá identificar mulheres jovens com risco aumentado de desenvolver a doença e submetê-las mais cedo à mamografia.

O estudo, publicado na forma de três artigos científicos nas revistas "Nature" e "Nature Genetics", também é um marco na pesquisa básica: é a primeira vez que se faz uma garimpagem em dois terços das 3 bilhões de letras genéticas do genoma humano em busca de trechos alterados do DNA (mutações) ligados ao tumor de mama.

E os pesquisadores "bamburraram" na procura: numa amostra de quase 50 mil mulheres, eles encontraram mutações em quatro genes onde não se sabia existirem fatores de risco e uma em uma região do genoma onde ainda não se identificou nenhum gene.

Variações em um desses genes –o FGFR2, presente em 16% da população– aumentam o risco de tumor de 1 em 11 para 1 em 6 em portadoras de duas cópias do gene.

Até agora, os genes mais importantes ligados ao tumor de mama já descobertos eram o BRCA1 e o BCRA2. Mulheres com duas cópias alteradas de um deles em seu DNA (cada um de nós recebe duas cópias de cada gene, uma do pai e uma da mãe) têm de 50% a 85% de risco de ter a doença.

Mas ambos são raros, e só explicam de 5% a 10% dos casos de câncer de mama. Mesmo assim, sua detecção em testes genéticos faz várias mulheres com histórico familiar da doença se submeterem à extração preventiva do seio.

As mutações recém-identificadas, juntas, explicam apenas 4% dos tumores de mama. "Portanto, não é provável que isso provoque uma onda de mastectomias preventivas", disse à Folha o geneticista Marcelo Nóbrega, da Universidade de Chicago (EUA).

"Mas uma série de estudos a partir de agora associarão essas variações genéticas novas a respostas a tratamentos variados, prognóstico de progressão da doença e sobrevida. É possível que, daqui a vários anos, desses estudos possam surgir indicações de terapias específicas para cânceres de mama com assinaturas genéticas diferentes", continuou Nóbrega.

Arrastão

O método usado para a identificação, a busca no genoma completo, tem se tornado possível sobretudo devido ao barateamento da tecnologia genômica. Segundo Nóbrega, com ele os cientistas já pescaram no último ano e meio novas variantes genéticas associadas a diabetes e câncer de próstata.

Bruce Ponder, autor-sênior do estudo, compara o método a uma pesca com redes de arrasto, em vez dos caniços usados até agora para descobrir genes de interesse no caudal do DNA.

Isso abre as portas para a identificação de mais genes ligados ao câncer de mama –75% dos casos da doença ainda não têm causa identificada.

Fonte: Folha Online

Mama e Parede Torácica


Na radioterapia dos tumores da mama, os limites do campo são definidos clinicamente e o posicionamento diário da paciente é fundamental para o sucesso do tratamento. Por isso, idealmente a paciente deve passar por um processo de simulação do tratamento, que pode ser feito num aparelho simulador ou virtualmente através de imagens de tomografia.

 

Em condições ideais a paciente inicialmente deve ser imobilizada em decúbito dorsal, com a mão (do mesmo lado do tumor) sob a cabeça, e o rosto voltado para o lado contra-lateral ao da mama acometida. Moldes individuais podem ser feitos para maior reprodutibilidade do posicionamento.

 

Tradicionalmente trata-se a mama com um par de campos tangentes, paralelos e opostos de fótons. Em pacientes mastectomizadas, a parede torácica é tratada de forma mais segura com feixe de elétrons.

 

Na radioterapia tridimensional a aquisição das imagens de tomografia deve ser feita com a paciente imobilizada e em posição de tratamento.

 

As imagens são então transferidas a um sistema de planejamento, onde o médico irá delimitar em todos os cortes tomográficos o volume-alvo e o volume dos órgãos de risco (órgãos que não precisam ser irradiados).

 

A partir daí, é possível uma perfeita visualização de toda a área e a simulação virtual do tratamento pode ser feita. Com este recurso, podemos melhorar cobertura do volume-alvo e minimizar dose em estruturas normais ao redor. 

 

 

Evolução do Tratamento Radioterápico em Mama

 

 Planejamento 2D versus 3D

 

O planejamento radioterápico em 2 dimensões (2D) é feito baseado no contorno da paciente em um único plano, com o cálculo de dose sendo feito neste plano, e não em toda a área irradiada, não obtendo assim a noção volumétrica da distribuição de dose.

 

As combinações dos campos de irradiação são bastante simples, com inclusão de grandes margens para garantir cobertura completa do tumor. Desta forma, estruturas críticas podem ser incluídas na área de tratamento, o que pode contribuir para aumento da toxicidade.

 

Com o advento dos computadores e o desenvolvimento no final da década de 80 de hardwares mais potentes e softwares específicos, os sistemas de planejamento tridimensionais (3D) e aparelhos de tomografia computadorizada tornaram-se viáveis, disponibilizando várias ferramentas para planejamento, avaliação e comparação de tratamentos, nos deixando livres para explorar diferentes técnicas de maneira prática e acurada.

 

No tratamento radioterápico 3D da mama, a distribuição de dose é calculada em todo o volume irradiado, levando em consideração o contorno torácico da paciente em seus diferentes níveis, assim como medidas de volume de coração e pulmão que estão sendo irradiados através da avaliação dos histogramas de dose e volume (qual volume de tecido normal ou de tumor que recebe determinada dose de radiação).

 

Vários estudos têm mostrado distribuições de dose heterogêneas ao longo do volume de mama irradiado, particularmente em mulheres com mamas volumosas e estas regiões de dose aumentada podem contribuir para um resultado cosmético inferior. Estas informações não são possíveis de serem avaliadas num planejamento em 2D.

 

O planejamento 3D torna-se ainda mais importante quando além da mama ou plastrão (parede torácica), há indicação de irradiação de Fossa Supra Clavicular e Mamaria Interna, pois nestas situações temos um planejamento radioterápico de alta complexidade pela junção de vários campos de tratamento.

 

 

 

 

A avaliação dos histogramas de dose-volume também são importantes armas na busca por um melhor tratamento, pois ajudam não só na avaliação de quão homogêneo está o planejamento, assim como que volume de órgão está recebendo determinada dose. Estas relações numéricas podem ajudar a definir, por exemplo, se um tratamento é proibitivo pela alta chance de efeitos colaterais, se é aceito ou até se é melhor do que outro na cobertura do volume-alvo, melhor na homogeneidade de dose ao tumor ou se possibilita poupar mais os órgãos de risco.

 

Dra. Larissa Pereira da Ponte Amadei

Radioterapeuta do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês, São Paulo/SP.

 

Dra. Cecília Maria Kalil Haddad

Física responsável pelo Serviço de Radioterapia do Hospital Sírio Libanês, São Paulo/SP.

 

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: