TRATAMENTO DO CÂNCER VIVE NOVA ERA, AFIRMAM ESPECIALISTAS

Gradualmente, as pessoas têm deixado de encarar o câncer como uma doença mortal. O avanço das pesquisas, a chegada de novos medicamentos e um melhor entendimento sobre o processo de desenvolvimento dos tumores tornaram vários tipos de câncer em doenças crônicas, ou seja, incuráveis, porém, controláveis.

 

E foi esse ponto de vista que pautou a abertura do Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO – sigla em inglês), que se encerrra nesta terça-feira (5), em Chicago, nos Estados Unidos.

 

Na avaliação do presidente da ASCO, Gabriel Hortobagyi, além da sobrevida desses pacientes ter aumentado, houve também uma melhora na qualidade de vida. "Neste ano, vamos focar nossas discussões na qualidade dos tratamentos. Queremos mudanças e elas vão ocorrer. Há trinta anos, os médicos iam ao limite com os seus pacientes. Usavam quimioterapia e radioterapia ao extremo e os efeitos colaterais eram sérios. Mas, hoje, a situação é diferente para os pacientes com câncer. A doença ainda mata mas é diferente", informa.

 

Essa melhora no prognóstico envolve vários fatores, como diagnóstico precoce e cada vez mais preciso, e, sobretudo, como ressaltaram os especialistas em conversa com a imprensa, a descoberta de novos medicamentos. "Alguns tipos de câncer, como o de rim e cabeça e pescoço, não tinham opções de tratamento e hoje têm, graças aos avanços da ciência", declara Horotbagyi.

 

Embora a cura ainda não tenha chegado, os médicos se mostram otimistas com os avanços que estão por vir. "Talvez, nos próximos quatro ou cinco anos, teremos algo que se aproxime da cura", diz Allen S. Lichter, vice-presidente executivo da ASCO. Ainda assim, dados da American Cancer Society, apontam como os atuais avanços mudaram o cenário da doença: hoje dois terços dos pacientes com câncer sobrevivem, em média, cinco anos após diagnosticada a doença; em 1975, somente metade das pessoas acometidas pelo mal alcançavam sobrevida similar.

 

Complexidade

 

Apesar de todo o esforço em busca de novas drogas que aumentem sobrevida e melhorem a qualidade de vida dos pacientes, o diretor do Instituto Nacional de Câncer (NCI – sigla em inglês), dos Estados Unidos, John Niederhuber, lembra que os especialistas ainda têm muito a aprender sobre o câncer. "Trata-se de uma doença complexa e temos que saber cada vez mais sobre ela. Estamos tentando entender quais genes causam o câncer e como saber se determinada pessoa tem predisposição a desenvolver a doença em seus diversos tipos", declara.

 

Esse caminho que os especialistas devem percorrer, segundo Niederhuber, servirá para, num futuro próximo, personalizar os tratamentos. Isto é, além de entender tudo o que está envolvido no desenvolvimento da doença, seja um fator hereditário ou ambiental – como o tabagismo, os médicos poderão adequar a terapia a cada tipo de paciente, com dosagens específicas para cada caso. Ainda que alguns exames já possibilitem algo similar à personalização, o objetivo dos pesquisadores é chegar ao ponto máximo, como se a fórmula do tratamento fosse dada conforme o RG ou DNA de alguém.

 

Na abertura do encontro, os especialistas também citaram a necessidade de sensibilizar as autoridades a investirem em pesquisas para tratamento e cura do câncer. "Aqui nos Estados Unidos, vivemos essa onda de medo do terrorismo, mas nós oncologistas lembramos que milhares de pessoas morrerão em decorrência de um câncer", diz o representante do NCI. Só no Brasil, em 2006, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), foram diagnosticados 472 mil casos da doença. (AE)

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