DROGA PARA CÂNCER MELHORA MEMÓRIA DE LONGO PRAZO

14/6/2007
 
Uma droga usada para tratar o câncer melhora a memória de longo prazo e reforça as conexões naturais o cérebro, de acordo com novo estudo dos cientistas da University of California, Irvine.
No estudo com camundongos, os cientistas descobriram que inibidores histona deacetilase (HDAC) – correntemente usados em testes clínicos para atacar tumores cancerígenos – relaxam a estrutura da proteína que organiza e compacta o DNA genômico, permitindo uma ativação mais fácil de genes envolvidos no armazenamento de memória. Esta descoberta sugere que inibidores HDAC podem melhorar a memória em humanos e – por causa da maneira que eles trabalham – podem tratar pessoas com as doenças de Alzheimer e Huntington e com a síndrome de Rubenstein-Taybi.
"Nós mostramos pela primeira vez que inibidores HDAC aplicados diretamente no hipocampo aumenta a memória e plasticidade sináptica no cérebro, e agora nós conhecemos um mecanismo molecular através dos quais esses aumentos ocorrem," disse Marcelo Wood, professor-assistente no Departamento de Neurobiologia e Comportamento na UCI e autor do estudo.
Uma proteína complexa chamada cromatina faz com que o DNA genômico se encolha como o fio do telefone se enrola. Quando a cromatina se solta, genes associados com a memória podem ser ativados mais facilmente. Estudos anteriores mostraram que a proteína CBP faz com que a cromatina relaxe, facilitando dessa forma a ativação do gene necessária para formação da memória. As enzimas que revertem esse processo, ou fazem as cromatinas mais contraídas, são conhecidas como HDACs. Cientistas da UCI descobriram neste estudo que inibidores HDAC soltam a cromatina e levam a formação de uma memória mais forte.
"Este é o aspecto fundamental da biologia molecular, e é fascinante que possa impactar a memória, o câncer e a neurodegeneração – e potencialmente outras condições como adicção a drogas e outras desordens psiquiátricas," disse Wood.
Wood e seus colegas colocaram camundongos num compartimento e deram choques elétricos moderados, similares a choques de eletricidade estática que humanos podem levar quando andam num tapete e tocam na maçaneta de uma porta. Depois, os cientistas injetaram inibidores HDAC dentro do cérebro dos camundongos, de modo a atingir o hipocampo, uma região envolvida na memória de longo prazo e na memória de curto prazo. Um dia depois, os cientistas recolocaram os camundongos no compartimento para ver o quão bem eles se lembravam do lugar onde receberam o choque. Os camundongos tratados com inibidores HDAC ficaram imóveis no lugar muito mais tempo do que aqueles que não receberam a droga, indicando que os camundongos tratados formaram memórias mais fortes da sala do que os camundongos não tratados.Os cientistas também examinaram o tecido cerebral e descobriram que conexões neurais no hipocampo foram mais fortes nas amostras tratadas com inibidores HDAC.
"Depois de um evento, existe uma janela crítica quando ocorre a consolidação da memória. Durante esse tempo, os genes associados com a memória precisam ser ativados para certos tipos de memória de longo prazo serem formados. Para o inibidor HDAC aumentar a memória, precisamos administrar a droga durante este período crítico quando a expressão do gene é requerida.
A proteína CBP deve estar presente para os inibidores HDAC aumentarem a memória, descobriram Wood e seus colegas. Testado em camundongos geneticamente desenvolvidos sem CBP, os inibidores HDAC não melhoraram a memória. Quando o CBP é bloqueado em humanos, pode levar à neurodegeneração associada com a doença de Huntington e déficits cognitivos na síndrome de Rubenstein-Taybi. Inibidores HDAC podem ajudar a superar esse bloqueio e levar a um melhor funcionamento neural em pessoas com essas desordens – e as vezes melhorar a memória também.
 
Fonte: Emedix

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