DESENVOLVIMENTO IGUAL PARA DOENTES COM MUTAÇAO NOS GENES BRCA

Desenvolvimento da doença igual para doentes com mutações nos genes BRCA
18.07.2007 – 15h29 com agências, Marta Ferreira dos Reis
 
As mulheres com cancro da mama provocado pela mutação dos genes BRCA1 e BRCA2, genes cuja mutação é, até agora, a mais conhecida na origem do cancro da mama e já identificada nos casos hereditários da doença, têm uma esperança de vida semelhante à das doentes não portadoras desta mutação, revelam investigadores canadianos e israelitas num estudo publicado pela revista científica “New England Journal of Medicine” (NEJM).
O estudo foi realizado com uma população de pacientes de 22 hospitais em Israel. As doentes portadoras de mutações dos genes BRCA1 e BRCA2 e as não portadoras apresentaram uma taxa virtual de sobrevivência igual, situada nos dez anos.
De acordo com o estudo, a esperança de vida de dez anos é válida para 67 por cento das mulheres portadoras de uma mutação no gene BRCA1, para 56 por cento das mulheres portadoras de uma mutação no gene BRCA2 e para 67 por cento das mulheres não portadoras destes genes. Segundo os investigadores, estas diferenças percentuais permitem concluir que a esperança de vida é muito semelhante entre pacientes portadoras e não portadoras dos dois genes mais conhecidos no desenvolvimento do cancro da mama.
“Há uma minoria de cancros da mama que têm como causa genética identificada mutações dos genes BRCA. Havia alguns estudos que sugeriam que o prognóstico associado a estes cancros era pior, mas tinham todos por base uma amostra de casos muito pequena. Este estudo tem o mérito de ter uma amostra muito grande, cerca de 2000 pessoas, o que permite resultados mais fiáveis”, explicou ao PUBLICO.PT o médico oncologista José Tavares de Castro. “A conclusão a tirar é que o curso clínico de um cancro da mama com origem na mutação dos genes BRCA é idêntico ao curso clínico de um cancro da mama provocado pela mutação de outro gene”, acrescentou.
Por outro lado, cinco anos após o diagnóstico da doença, a taxa de mortalidade e os tumores das mulheres portadoras de mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2 assumem valores mais discrepantes. O estudo revelou que, passados cinco anos do diagnóstico da doença, há uma taxa de 68 por cento de mortalidade para as mulheres não portadoras de mutações nestes genes, de 88 por cento para as portadoras de mutações do gene BRCA1 e de 77 por cento para as portadoras de mutações do gene BRCA2.
 
“Se se souber que uma paciente diagnosticada com cancro da mama é portadora de uma das mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2 pode optar-se por um tratamento mais adequado ou prever o desenvolvimento da doença, tendo também em conta a composição do tumor e a idade da paciente”, explica Patrícia Hartge, da U.S. National Cancer Institute, em editorial na NEJM.
As mulheres portadoras dos genes cancerígenos BRCA1 e BRCA2 são diagnosticadas normalmente antes dos 50 anos e os seus tumores tendem a ser mais pequenos, sendo mais difícil detectar a propagação aos gânglios linfáticos, concluíram os investigadores.
O cancro da mama mata 500 mil pessoas no mundo todos os anos. Cerca de 5 a 10 por centro dos 1,2 milhões de casos diagnosticados todos os anos têm origem hereditária. 

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