GAÚCHOS CONTRA O CÂNCER

 
Experiências de médicos do Estado trazem esperança para pacientes em estágios avançados da doença. De uma proteína extraída de um sapo a uma vacina, passando por um radioterapia feita durante uma cirurgia, as novidades começam a apontar como possibilidades reais de tratamentoUma nova família de moléculas, como o RC-3095, poderá trazer esperança a pacientes com câncer e outras doenças. Pesquisas realizadas pela equipe do médico gaúcho Gilberto Schwartsmann, 52 anos, apontam resultados promissores.
 
A classe de moléculas foi elaborada no início dos anos 1990 pelo grupo do cientista Andrew Schally (Prêmio Nobel em Medicina e Fisiologia), na Universidade de Tulane, nos Estados Unidos. Inspirado na proteína encontrada em um sapo – da espécie sapo-de-barriga-de-fogo – , Schally desenvolveu uma série de substâncias sintéticas em laboratório. Surgia o inimigo do câncer batizado de RC-3095.
 
Schwartsmann conheceu Andrew Schally quando dirigia a Organização Européia para Pesquisa e Tratamento do Câncer. A sua missão era buscar alternativas menos tóxicas e mais eficazes do que a quimioterapia convencional. Considerou o projeto de Schally altamente inovador.
 
Em 1995, a equipe gaúcha começou a estudar a RC-3095 num grupo de 35 pacientes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Schwartsmann destaca que a iniciativa faz parte da história da oncologia da América Latina, por ser o primeiro teste de um novo medicamento em pessoas.
 
A primeira fase foi alentadora. Foi possível definir qual a dosagem adequada do RC-3095 em humanos. Também ficou comprovado que a substância é segura e não provoca efeitos colaterais significativos. Além disso, alguns pacientes apresentaram melhoras. Dois pacientes com tumor de próstata tiveram redução na taxa de PSA (proteína que mede a presença das células cancerosas).
 
Em outra pessoa, o câncer avançado de tireóide diminuiu 30%.
 
Substância é indicada para outras doenças.
A etapa inicial com pacientes de câncer foi concluída em 2005, merecendo publicações internacionais. Atualmente, Schwartsmann e os colegas (Rafael Roesler, Felipe Dal Pizzol, Flávio Kapczinski, Daniel Damin, João Tavares Brenol, Ricardo Xavier e Daniela Cornélio) se preparam para a fase dois, que deverá começar neste ano.
 
A equipe aguarda que o laboratório alemão Zentaris complete a produção de mais um lote do RC-3095 para reiniciar os trabalhos. Então, selecionará um grupo de 25 a 30 pacientes, com diferentes tipos de câncer: de mama, próstata, pulmão, rins, ovário, colo do útero e outros.
Professor de Oncologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e presidente da Fundação Soad de Pesquisas do Câncer, Schwartsmann ressalta que o RC-3095 também gerou otimismo nas pesquisas com animais, contra doenças neuropsiquiátricas e inflamações. Isso não havia sido abordado por Schally.
 
Quem coordena os experimentos com o RC-3095 em doenças neurológicas e psiquiátricas é o professor de Farmacologia da UFRGS Rafael Roesler. Por enquanto, os testes são com ratos.
 
Entusiasmado com os resultados, Roesler destaca que chegou o momento de aplicar a molécula em pessoas, principalmente nas que sofrem de transtornos de memória (doença de Alzheimer), ansiedade e autismo. No futuro, poderão ser atacados outros males neuropsiquiátricos.
 
Estudos coordenados por Felipe Dal Pizzol, da Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina (Unesc), e pelas equipes de reumatologia e proctologia do HCPA analisam a eficácia do RC-3095 como antiinflamatório. Os pesquisadores identificaram avanços em casos de artrite e colite ulcerativa (inflamação crônica do intestino grosso).
– Em um país onde as idéias raramente geram produtos capazes de melhorar a vida das pessoas, deve-se aguardar com interesse os resultados dessas pesquisas – diz Schwartsmann.
 
Fonte: Zero Hora
 

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