CIRURGIA ONCOPLÁSTICA

                       
 
O câncer de mama afeta um grande número de mulheres em todo o país e ainda, infelizmente, pela demora no diagnóstico e tratamento, ocasiona quase 20% das mortes entre as mulheres brasileiras.
 
O aumento do número de casos em mulheres mais jovens está relacionado com a menarca precoce, obesidade, sedentarismo, estresse, retardo na gravidez e amamentação, além de fatores ambientais não identificados com exatidão.
 
Os exames ginecológicos de rotina, o auto-exame, a ultra-sonografia de mamas e a mamografia são os aliados disponíveis atualmente para a detecção e o desejado tratamento precoce da doença, fatores indispensáveis para uma maior chance de cura.
 
O desenvolvimento e aprimoramento do tratamento oncológico associado à correção estética da agressão cirúrgica (Cirurgia o­ncoplástica) representa uma das maiores conquistas no tratamento dessa doença.
 
Os quimioterápicos, assim como as novas técnicas de cirurgia e de radioterapia, trouxeram novas esperanças para as mulheres na luta contra o câncer de mama. O tratamento moderno do câncer de mama envolve e integra equipes de várias especialidades médicas, instituindo um verdadeiro plano de vôo, com roteiro personalizado e a garantia de uma decolagem e aterrissagem perfeitas.
 
Nesses termos, a equipe propõe alternativas de tratamento capazes de respeitar os princípios oncológicos de máxima radicalidade possível na extirpação do câncer, associado ao tratamento sistêmico da doença, cujo objetivo é destruir células tumorais antes da sua implantação.
 
Podemos afirmar, categoricamente, que o câncer de mama somente provoca a morte quando afeta órgãos vitais como, por exemplo, o cérebro, pulmão e fígado. De que vale então sacrificar a mama sem destruir eventuais células cancerígenas em circulação?
 
Entendemos que o diagnóstico precoce e o tratamento sistêmico (quimioterapia) podem obter o domínio da doença e permitem a escolha da melhor proposta de tratamento cirúrgico. As opções podem ser oferecidas pelo mastologista, obviamente amparado pelo oncologista, cirurgião plástico, e especialistas responsáveis pelos tratamentos complementares, utilizando os profissionais atuantes em radioterapia, fisioterapia, nutrição e a indispensável psicologia de apoio.
 
Em tese, o tratamento envolve a remoção do tumor, identificado pelo exame físico ou métodos de imagem (ultra-sonografia, mamografia, tomografia, ressonância magnética) e deve impedir o crescimento de células, ainda não identificadas pelos métodos disponíveis, utilizando principalmente a quimioterapia precedendo a cirurgia (quimioterapia neo-adjuvante), seguindo-se de hormônioterapia e radioterapia.
 
Quem sabe poderemos direcionar o tratamento do câncer de mama para condições em que se obtenha melhoria das condições físicas e emocionais? Em suma, atendendo ao dito popular, vamos fazer do limão uma limonada. O trauma, ocasionado pelo diagnóstico da doença, deverá ser combatido através da melhoria estética e psicológica da paciente.
 
O tratamento o­ncoplástico integral deverá expandir consideravelmente, norteado pelos avanços no tratamento sistêmico, nas práticas cirúrgicas conservadoras, linfadenectomia seletiva (linfonodo sentinela) e uso da radioterapia loco-regional.
 
O sistema de saúde deve facilitar a ação integrada dos profissionais para agilizar a recuperação e retorno à vida normal, com um mínimo prejuízo estético e, na maioria dos casos, com melhoria na condição estética das mamas.
 
As terríveis deformidades causadas pela mastectomia são temas superados. A cirurgia oncoplástica e o tratamento sistêmico avançam em direção à cura radical, sem seqüelas.
 
As técnicas para ressecção da lesão, seguindo-se os princípios oncológicos e otimizando os resultados pela cirurgia na mama contra-lateral, contribuem para um melhor resultado final.
 
A mamoplastia redutora ou a mastectomia subcutânea, preservando-se a pele da mama e o mamilo, podem representar uma excelente opção para obter resultados estéticos, superiores aos obtidos com as ressecções parciais. Sendo necessária a mastectomia radical, a reconstrução imediata com retalho mio-cutâneo do músculo abdominal, ou do grande dorsal, ou ainda com o implante de próteses, são indispensáveis ao bem-estar físico e psicológico da mulher, inferindo um impacto bastante positivo na sua qualidade de vida.
 
Dr. Waldemir Washington Rezende
Médico Assistente responsável pelo Setor de Ginecopatias e Cirurgia Oncológica em Obstetrícia, da Divisão de Obstetrícia do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICHC-FMUSP).
 

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