TOMOSSÍNTESE MAMÁRIA

 

APARELHO PARA TOMOSSINTESEO principal método de diagnóstico capaz de detectar precocemente o câncer de mama é a mamografia.

 

Estudos recentes demonstram que esse método reduz significativamente a mortalidade, em função da alta capacidade de detecção de lesões sutis, como as microcalcificações, na ordem de 100-150 mm e carcinomas de 10 mm. Essa capacidade de detecção, no entanto, somente é verificada se a imagem possuir uma qualidade mínima aceitável, isto é, se o padrão radiográfico produzido apresentar indicadores mínimos de qualidade, de acordo com os critérios estabelecidos pela legislação nacional ou internacional. Por outro lado, estudos clínicos mostram que a sensibilidade do método é em média de 70%.

A baixa sensibilidade de detecção de lesões em mamas, de alta e baixa atenuação, tornou-se o principal limitador desse método. Nesse ponto, a mamografia digital foi revolucionária, principalmente pela habilidade em demonstrar com maior fidelidade estruturas da mama que até então permaneciam obscuras na mamografia analógica.

O desenvolvimento de ferramentas digitais de pós-processamento, melhoria na qualidade dos sistemas de detecção digital, preocupação dos fabricantes de equipamentos em criar e produzir tecnologias capazes de maximizar a detecção dessas lesões, foram os responsáveis diretos pelo salto de qualidade desse método.

Duas são as tecnologias empregadas pelos fabricantes para obter uma imagem digital. São elas: a tecnologia CR (radiologia computadorizada) e DR (radiologia digital). Objetivamente, o sistema CR utiliza o mesmo equipamento de mamografia para a obtenção das imagens. No entanto, para digitalizar as imagens, o sistema chassis/filme foi substituído por um cassete/placa de fósforo. Esse, por sua vez, possui a mesma dimensão que o chassis/filme utilizado no sistema analógico, o qual é inserido no equipamento de mamografia na mesma posição que o chassis/filme.

Após a sua exposição à radiação, o mesmo é inserido numa leitora, onde ocorre o escaneamento da placa, obtendo assim uma imagem digital que é visualizada no monitor. De uma maneira diferente, o sistema DR produz diretamente uma imagem digital, isto é, após a exposição do detector digital a imagem é visualizada diretamente no monitor de imagem, pois o mesmo está instalado no próprio equipamento de mamografia.

Sendo assim, as imagens obtidas são de melhor qualidade e as mesmas são apresentadas no monitor de uma maneira mais rápida. O grande limitador do amplo uso dessa nova tecnologia é o custo envolvido na aquisição do equipamento.

Atualmente, em média, o valor do sistema DR é três vezes maior do que o sistema CR.

Por outro lado, novas tecnologias também foram desenvolvidas em cima da plataforma DR, para obtenção de uma melhor qualidade de detecção e visualização das lesões mamárias.

Cito aqui a Tomossíntese Mamária, um método de obtenção de imagens digitais da mama que agrega o princípio de detecção do sistema DR com o princípio da produção de imagem da tomografia linear. Antes do advento da tomografia computadorizada, para se obter uma imagem de um único plano de interesse de uma área anatômica específica, alguns equipamentos de raios X convencionais analógicos, eram capazes de realizar uma exposição em arco sobre uma determinada área de interesse. Para tanto, o tubo de raios X era interligado através de uma haste metálica, com a gaveta (local no qual o chassis é posicionado no equipamento) do equipamento de raios X.

Assim, durante toda a emissão do feixe de raios X, o tubo de raios X se deslocava conjuntamente com a gaveta, mas em sentido contrário, produzindo através da correta seleção dos fatores físicos, uma imagem específica de um plano de interesse da anatomia do paciente. Essa técnica foi muito utilizada nas imagens da traquéia. O grande problema desse método era a obtenção de uma única imagem radiográfica, não havendo a possibilidade de gerar outras imagens de outros planos sem a repetição do exame, seleção de novos fatores físicos e uma nova exposição do paciente. Essa limitação foi resolvida com a utilização e instalação de detectores digitais nos equipamentos de raios X. A angiografia foi a primeira a aplicar o princípio da tomossíntese digital, como método de obtenção de inúmeras imagens digitais de diferentes planos de interesse de uma parte anatômica específica, expondo o paciente somente uma única vez.

Os primeiros estudos e aplicação desse método na mamografia foram apresentados no RSNA de 1997, por Loren T. Niklason et al. Eles apresentaram toda a metodologia de obtenção de tomogramas (imagens de cortes) da mama utilizando um equipamento de mamografia modelo DMR do fabricante GE Medical System com um detector digital de campo total. Essas imagens foram obtidas, uma a uma, posicionando o tubo de raios x em diferentes ângulos em relação a um ponto fixo posicionado no próprio equipamento de mamografia (isocentro). Posteriormente, essas imagens foram analisadas separadamente e em conjunto, através da aplicação de algoritmos de reconstrução específicos.

A grande vantagem da tomossíntese digital mamária é a obtenção de imagens em diferentes planos da mama. Esse processo, aparentemente simples, demanda a aplicação de uma extensa gama de novas tecnologias no equipamento de mamografia digital (DR), por parte dos fabricantes, principalmente na mecânica de movimentação do tubo de raios X em relação à mama e algoritmos de reconstrução. Além de demonstrar com alta fidelidade lesões de alto e baixo contraste, lesões que antes permaneciam obscuras nas incidências convencionais, as partes crânio-caudal e médio-lateral, em função da sobreposição dos tecidos, agora são detectadas em outros ângulos, aumentando a possibilidade de detecção precoce do câncer de mama.

Para se ter uma idéia real da qualidade da detecção, os equipamentos que estão sendo apresentados para a comunidade em geral, podem produzir, com apenas uma exposição, em torno de 50 imagens de uma única mama. Essas imagens podem ser melhoradas digitalmente, através da aplicação de inúmeros algoritmos matemáticos, sem a necessidade de repetição do exame e apresentar ao médico, ao mesmo tempo, uma visão global de toda área da mama em todos os ângulos possíveis.

Por fim, cabe ressaltar que a tomossíntese mamária está sendo apresentada por todos os fabricantes como sendo a nova tecnologia que levará a mamografia a um patamar mais elevado como método efetivo na detecção de lesões da mama.

 Marcus Vinicius Bortolotto
Físico, Especialista em Física do Radiodiagnóstico, Sócio da empresa PhyMED – Consultores em Física Medica e Radioproteção Ltda, Prof. da Faculdade de Tecnologia IPUC
 

12 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Suéllen PinheiroMoura
    mar 23, 2012 @ 20:21:45

    Ola queridos, boa noite….
    Gostei muito das informações apresentas no informativo, pois me interesso pelo assunto. Gostaria de saber se vocês possuem mais materiais informativos sobre o tema, faço radiologia e estou pesquisando para o trabalho de conclusão de curso, peço-lhes que se tiverem alguma mais por favor envie para meu email, algo mais profundo sobre a tomossintese, se possivel algum comparativo com a mamografia.
    Obrigada pela atenção

    Responder

  2. Betania
    jul 07, 2011 @ 21:36:15

    Ótimo informativo sobre mais uma forma para estudar esse mal que acomete grande parte da população mundial.
    Sou tecnóloga em radiologia e p/mim esse tema é inovador; gostaria de saber mais a respeito e quantos aparelhos para este fim já existem no nosso país.
    Parabéns.
    Agiardo resposta. Obg e boa noite!

    Responder

    • grupomamacancer
      jul 07, 2011 @ 22:30:26

      Boa noite Betania…..obrigada por seu comentário. Procuramos sempre colocar informações de fácil leitura. Não se lhe precisar quantos aparelhos existem. Vou procurar saber e informo ok?
      Visite-nos sempre!!!
      Atenciosamente Tânia

      Responder

  3. Jéssica Santos
    maio 31, 2011 @ 21:06:09

    Boa noite.
    Estou interessada em fazer meu TCC ( Monografia) de faculdade com o este tema, gostaria de saber se há muitas informações sobre a tomossíntese de mama ou se ainda é muito escasso o tema.
    Obrigada.

    Responder

    • grupomamacancer
      jun 01, 2011 @ 20:24:29

      Boa noite Jéssica…. olha o assunto é vasto, precisa de bastante pesquisa. Você vai precisar procurar artigos sobre o assunto. Se eu achar algo a mais do existente no site, envio a você.

      Atenciosamente Tânia

      Responder

  4. Raquel
    jan 12, 2011 @ 19:38:08

    oi. Tou a fazer uma pequisa sobre tomossintese da mama e precisava de fazer um questionario sobre o tema. Será que poderei ter alguma ajuda.
    obrigado

    Responder

  5. Tatiana Nunes Mendonça
    nov 07, 2010 @ 23:51:23

    Parabéns pelo site … gostaria de receber mais informações da Radiologia Digital.
    Se vcs tiverem videos de calibração de mamografos … tb gostria de receber ou poder está vendo no site. Os de DO tb calibração diária e semanal.
    desde já, muito obrigada pela atenção
    Tatiana Mendonça

    Responder

    • grupomamacancer
      nov 08, 2010 @ 20:45:23

      Olá Tatiana….vou ver se consigo atender a sua solicitação. Em breve entro em contato ok? Se você tiver alguma matéria que seja interessante, mande-me, colocarei no site com prazer.

      Abraços Tânia

      Responder

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: