FATORES DE RISCO PARA O CÂNCER DE MAMA

Tendo em vista a história natural do câncer de mama, isto é, os fatores que levam à iniciação, promoção e progressão da doença, estabelece-se uma relação entre alguns hábitos adquiridos, mutações genéticas adquiridas ou hereditárias, influências ambientais e comportamentais com a evolução da malignidade, ou seja, fatores internos e externos x evolução do câncer.

Para se conhecer a verdadeira história natural de qualquer câncer, inclusive do mamário, seria necessário que, frente ao diagnóstico de uma neoplasia, médico e paciente em nada interferissem para que a doença fosse controlada. Somente assim, seria possível conhecer o modo como o câncer age e reage em cada organismo e se espalha, levando vários órgãos à falência e causando distúrbios eletrolíticos (desequilíbrio de íons, como cálcio, potássio e sódio, fundamentais para o funcionamento do organismo), tão comuns nas pacientes portadoras de metástases ósseas. Na impossibilidade de se avaliar a história natural do câncer, abandonando a paciente à própria sorte, os dados disponíveis referem-se a pacientes que descobriram o câncer de mama já num estágio bastante avançado, no qual as terapêuticas disponíveis surtem pouco ou nenhum efeito. Dessa maneira, é possível que se tenha uma idéia dos fatores que contribuem para o aparecimento e a evolução da doença maligna mamária: estudando cada caso separadamente, para depois agrupar casos semelhantes em grupos também com características parecidas, como: idade; paridade, uso de hormônios, história familiar, tipo histológico do carcinoma mamário, comprometimento axilar, comportamento biológico da doença, entre outros.

Os fatores de risco para o carcinoma mamário são vários e diz-se que se trata de uma doença multifatorial. Isto significa que não é possível encontrar apenas uma causa para a doença. Mesmo as mulheres que apresentam mutação do gene BRCA 1 não estarão fadadas a apresentar o câncer. Para isso, outros fatores têm que estar presentes e a doença poderá aparecer em algum momento em que houver um desequilíbrio entre seus fatores protetores (sistema imunológico, genes supressores, fatores ambientais e emocionais) e agressores (protooncogenes amplificados, mutações genética adquirida de genes supressores, ativação de receptores hormonais em células malignas hormônio-dependentes, entre outros).

Fatores de Risco Estabelecidos

Entende-se por fator de risco para o câncer de mama toda situação que eleva o “risco relativo” de um indivíduo de vir a apresentar este câncer, ao longo de sua vida. O risco relativo é a probabilidade de se desenvolver um carcinoma mamário, quando o indivíduo é exposto a determinado fator. Por exemplo, para saber se um determinado fator é capaz de elevar a chance de aparecimento de certa doença, é necessário comparar um grupo de pessoas expostas ao fator ‘x’ (este grupo é chamado de grupo de estudo) com um grupo semelhante ao primeiro, mas sem exposição ao fator ‘x’ (grupo controle). Se houver um número maior de casos da doença no grupo de estudo em relação ao grupo controle, então, o ‘fator x’ é um fator de risco para o desenvolvimento dela. Este princípio é aplicado aos estudos clínicos randomizados duplo-cego – aqueles que determinam se um medicamento é eficaz na prevenção, controle ou tratamento de doenças, como é o caso do câncer de mama.

O principal e mais relevante fator de risco para o câncer de mama é pertencer ao sexo feminino. Como este fator é inerente ao indivíduo e decidido aleatoriamente no momento da fecundação, nem será discutido. Os fatores de risco reconhecidos, no caso do carcinoma mamário, são:

Idade: as mulheres acima dos 60 anos de idade são as mais comumente afetadas pelo carcinoma mamário. Em verdade, há alguns picos de incidência relacionados com determinadas faixas etárias. Desse modo, entre 40 e 50 anos de idade ocorre o primeiro pico e entre 51 e 60 anos, o segundo pico, sendo este mais importante. Atualmente, nota-se um aumento lento e progressivo do número de casos de câncer em mulheres jovens e este aumento inicia-se a partir dos 30 anos de idade. Para entender melhor, o gráfico abaixo mostra a incidência do câncer de mama por faixas etárias

 

Incidência do câncer de mama no Brasil, de acordo com
faixas etárias, nas mulheres*

 

* INCA 2007

 

Antecedente familiar: algumas famílias apresentam um número de parentes afetados pelo câncer de mama muito maior do que a população em geral. Muitas vezes, não é apenas o câncer de mama o único a acometer essas famílias. Nelas, nota-se um maior número de casos de câncer de ovário, próstata, tireóide, leucemias, osteossarcomas e outras doenças. Esses cânceres estão associados a síndromes hereditárias, nas quais há um cromossoma afetado. As síndromes mais conhecidas são: Síndrome de Li- Fraumeni (SLF), Síndrome de Li-Fraumeni-like (LFL), Síndrome de Predisposição Hereditária ao Câncer de Mama e Câncer Colo-retal (HBCC) e Síndrome de Cowden, além da mutação germinativa dos genes BRCA 1 e BRCA 2.

Na prática, oferece-se para mulheres com mais de um caso de câncer de mama ou ovário em parente de primeiro grau, apenas a pesquisa da mutação dos genes BRCA 1 e BRCA 2. A pesquisa das outras síndromes ainda é realizada apenas em Estudos Clínicos. Existe, também, certa controvérsia a respeito da realização do exame para pesquisa de mutação dos genes, pois caso a mulher tenha dois ou mais parentes de primeiro grau com câncer de mama diagnosticado na pré-menopausa, a chance de apresentar a mutação é elevada, o que não justificaria a realização do exame (devido ao alto custo), a não ser para convencer a mulher a se submeter a uma vigilância maior das mamas ou à mastectomia profilática, procedimentos que deverão ser oferecidos a ela, independente da mutação confirmada. Por outro lado, mulheres que não têm nenhum parente afetado podem ter a mutação, mas não seriam candidatas à realização do exame. Portanto, a realização, ou não, da pesquisa da mutação dos genes BRCA 1 e BRCA 2 deve ser discutida caso a caso, levando-se em consideração a vontade da paciente e a disponibilidade do recurso para tal.

Menarca precoce: alguns estudos estabeleceram que as meninas que têm sua primeira menstruação antes dos 12 anos de idade e, principalmente, entre 9 e 10 anos, têm um risco relativo aumentado para o câncer de mama. Isto se deve à ação hormonal em lóbulos ainda indiferenciados e suscetíveis a alterações genéticas, como explicado anteriormente.

Menopausa tardia: mulheres que apresentam menopausa (ou idade da última menstruação) superior a 55 anos têm o dobro de chance de vir a ter câncer de mama, quando comparadas com as mulheres que tiveram sua última menstruação antes dos 50 anos de idade. Isto se deve ao longo período de exposição das mamas aos efeitos dos hormônios femininos: estrógeno e progesterona.

Nuliparidade e Primeira gestação tardia: a nuliparidade e a idade da primeira gestação (acima de 30 anos) tornam a mulher suscetível à ação de agentes carcinogenéticos, uma vez que possuem uma quantidade muito maior de lóbulos do tipo I (LINK), aqueles que têm um maior número de células indiferenciadas e, portanto, passíveis de sofrer danos que evoluirão para erros genéticos.

Lesões de alto risco das mamas: as hiperplasias, as neoplasias lobulares in situ e o carcinoma ductal in situ são lesões que elevam de duas a dez vezes o risco de uma mulher desenvolver um câncer de mama.

Outros: irradiação prévia da mama; consumo excessivo de álcool; terapia de reposição hormonal feita sem o controle adequado por período de tempo superior a 10 anos. A tabela abaixo resume os principais fatores de risco e a relação com o carcinoma da mama.

 

Fatores de risco x Risco relativo*

 

Fator de Risco Risco Relativo
Idade > 50 anos 6,5
Câncer de mama em parente de 1º grau 1,4 – 13,6
Menarca antes dos 12 anos 1,2 – 1,5
Menopausa após os 55 anos 1,5 – 2,0
Primiparidade com mais de 30 anos 1,3 – 2,2

* Ministério da Saúde, 2004

 

Fatores de Risco Controversos

Os fatores de risco ditos controversos são aqueles que parecem ter uma associação positiva com o câncer de mama, estão presentes em várias portadoras da doença, mas sozinhos, não parecem ser capazes de determinar a elevação do risco relativo para a doença.

São eles: uso de contraceptivos hormonais; uso de terapia de reposição hormonal por período superior a 10 anos; dieta rica em gordura, embora a relação peso/altura ou o índice de massa corporal (IMC) elevado e acima do normal tenha relação positiva com o câncer de mama, principalmente após a menopausa; uso de próteses de silicone que poderiam dificultar o diagnóstico precoce de lesões malignas iniciais – fator muito controverso que não se aplica às próteses inseridas atrás dos músculos peitorais; tabagismo e doença funcional benigna da mama (AFBM).

Cálculo do Risco Relativo

Para se calcular o risco relativo para desenvolvimento de câncer de mama, vários autores propuseram fórmulas, sendo as mais conhecidas: modelos de GAIL e CLAUS. O mais importante é entender o que é o risco relativo.

No Brasil, de cada 10 mulheres que têm o privilégio de viver até os 80 anos de idade, uma apresentará câncer de mama. Este é o risco relativo estabelecido da mulher brasileira para o câncer de mama. Esta relação de uma em cada dez pode variar nas diversas regiões do país, sendo que ela cai de uma em cada oito nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Os motivos são vários e o acesso maior aos métodos de diagnóstico pode explicar parte desse aumento.

As diversas variáveis discutidas acima, quando somadas, conferem à mulher um risco baixo, moderado ou alto de vir a ter um câncer de mama na vida. Aqui, destaca-se que, algumas vezes, mulheres sem nenhum fator de risco, isto é, com risco relativo baixo, podem ter câncer de mama e mulheres que têm risco elevado podem chegar a nunca experimentar a doença. Quanto mais se aprofundam os estudos nos fatores de risco, menor a margem de erro, mas ainda é fato que mais da metade das mulheres com câncer de mama não apresentam nenhum fator de risco estabelecido ou conhecido.

Risco elevado (maior que 4 vezes o da população geral):

  • Mãe ou irmã com câncer de mama na pré-menopausa.
  • Antecedentes de hiperplasia epitelial atípica, neoplasia lobular in situ e carcinoma ductal in situ.
  • Suscetibilidade genética comprovada (mutação de BRCA 1 e BRCA 2).

Risco moderado (risco relativo entre 3 e uma vez e meia maior do que o da população geral):

  • Mãe ou irmã com câncer de mama na pós-menopausa.
  • Nuliparidade.
  • Antecedentes de hiperplasia epitelial sem atipia ou metaplasia apócrina.

Risco baixo (risco relativo maior que 1,0 e menor ou igual a 1,5 vezes o da população geral):

  • Menarca precoce.
  • Menopausa tardia.
  • Primeira gestação a termo após os 30 anos de idade.
  • Sobrepeso e obesidade, principalmente após a menopausa.
  • Dieta rica em gordura.
  • Sedentarismo.
  • Terapia de reposição hormonal por mais de 5 anos.
  • Alcoolismo.

É bom ressaltar que os fatores de risco se somam e o alcoolismo somado à nuliparidade e à reposição hormonal podem aumentar sobremaneira o risco de desenvolvimento do câncer de mama. De qualquer forma, em algumas regiões do Brasil, como Sul e Sudeste, é difícil encontrar uma mulher acima de 50 anos sem algum deles.

Na tabela abaixo, há uma descrição das possíveis lesões encontradas nas mamas – benignas ou não – e a influência de cada uma no aumento do risco relativo para o câncer de mama.

Risco relativo de desenvolver câncer mamário a partir de lesões encontradas em biópsias de tecido das mamas*

Risco relativo de desenvolver carcinoma invasivo de mama associado a lesões benignas detectadas em biópsias
Sem risco
Adenose que não seja esclerosante
Ectasia ductal
Fibroadenoma sem aspectos complexos
Fibrose
Mastite
Hiperplasia sem atipia
Cistos macro ou microscópicos
Metaplasia apócrina simples sem hiperplasia ou adenose associada
Metaplasia escamosa
Discreto aumento de risco (1,5 – 2,0 vezes)
Fibroadenoma complexo
Hiperplasia sem atipia moderada ou florida
Adenose esclerosante
Papiloma solitário sem hiperplasia atípica
Moderado aumento do risco (4,0 – 5,0 vezes)
Hiperplasia ductal atípica
Hiperplasia lobular atípica

* Ministério da Saúde, 2004

É bom ressaltar que os fatores de risco se somam e o alcoolismo somado à nuliparidade e à reposição hormonal pode aumentar sobremaneira o risco de desenvolvimento do câncer de mama. De qualquer forma, em algumas regiões do Brasil, como Sul e Sudeste, é difícil encontrar uma mulher acima de 50 anos sem algum deles.

Dra. Cynthia Netto de Barros

Ginecologista, Obstetra e Mastologista. Onco-Cirurgiã da Maternidade e Hospital Octaviano Neves, de Belo Horizonte/MG. Médica Membro da World Health Organizations, Genebra/Suíça.


Referências Bibliográficas:

  • Barlow WE, White E, Ballard-Barbash R, Vacek P, Titus-Ernstoff L, Carney PA, Tice JA, Buist, DSM, Geller BM, Rosenberg R, Yankaskas BC, Kerlikowske K. Prospective Breast Cancer Risk Prediction Model for Women Undergoing Screening Mammography. Journal of the National Cancer Institute September 6, 2006; 17:Vol. 98.
  • Chen J, Pee D, Ayyagari R, Graubard B, Schairer C, Byrne C, Benichou J, Gail, MH. Projecting Absolute Invasive Breast Cancer Risk in White Women With Model That Includes Mammographic Density. Journal of the National Cancer Institute September 6, 2006; 17:Vol. 98.

Fonte: http://www.mamainfo.org.br

Anúncios

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

Alimentação: deve-se tentar manter uma alimentação normal, variada e saudável. Geralmente a mesma alimentação à qual a paciente já estava acostumada. Durante a quimioterapia é comum a perda do apetite (inapetência, ou hiporexia, ou anorexia). Podem ocorrer mudanças no paladar, a paciente passa a gostar de alimentos dos quais não gostava antes e vice-versa, ou todos os alimentos passam a ter o mesmo sabor. Atenção: nada de iniciar “dietas especiais” ou “miraculosas” durante a quimioterapia. Como regra, deve-se evitar alimentos “pesados” ou de difícil digestão e aqueles cuja simples visão ou menção, já causem náuseas ou repulsa.

Atividades físicas: deverá ser reduzida, mas não abolida. Cada paciente conhece seu próprio limite. É óbvio que aquelas pacientes que já praticavam esportes regularmente ou eram atletas, terão mais capacidade de manter-se em atividade, embora com menos intensidade.

Álcool: vale aquela regra que é igual para todos: evite o consumo excessivo. O álcool pode interagir com várias medicações, causando efeitos desagradáveis e até mesmo perigosos. Além disso, é irritante para o estomago, ou seja, pode piorar as náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia.

Ciclo menstrual: poderá ficar totalmente desregulado e até parar durante a quimioterapia. Poderá ficar permanentemente abolido nas pacientes que já estiverem próximas da menopausa.

Dentição: é conveniente que todo tratamento odontológico seja feito antes de iniciar a quimioterapia, ou ao final desta. Caso seja necessário fazer durante a quimioterapia, consulte seu médico e peça uma orientação e autorização por escrito, para serem entregues ao dentista.

Depressão: é muito comum e bastante compreensível em qualquer pessoa que tenha diagnóstico de câncer e precise submeter-se a uma quimioterapia. Pode ser passageira ou não. De qualquer forma, precisa ser combatida a fim de que o paciente não se “entregue” e possa colaborar com seu médico na luta contra a doença.

Dores ósteo-musculares: podem ser um efeito colateral do tratamento, ou um sintoma de um resfriado comum ou outra infecção. De qualquer forma devem ser relatados ao seu médico.

Fadiga: pode ser devido ao tratamento ou devido à doença. É difícil de ser tratada. Recomenda-se repouso físico e mental.

Gravidez: é proibida durante a quimioterapia pelos riscos de graves mal-formações no feto. Após o fim do tratamento, se a paciente quiser e caso ela ainda esteja em idade fértil, ela poderá engravidar após o retorno do seu ciclo menstrual à normalidade.

Relações sexuais: recomenda-se a manutenção normal da atividade sexual.

Trabalho: o afastamento ou não, dependerá do tipo de atividade profissional e da opção do paciente. Geralmente esta é uma decisão tomada em conjunto: paciente e médico.

Uso de outras medicações: como regra geral vale o seguinte: se o seu médico não disse que você não pode tomar, então é porque pode. Não pare ou interrompa nenhuma medicação que já vinha tomando para o tratamento de outras doenças.

Dr. Felisberto Andreas Bub

Médico Oncologista

Fonte: http://www.mamainfo.org.br

 

CUIDADOS ESPECIAIS

Dor: é um sintoma de alerta e o médico deve sempre ser informado da forma mais precisa possível. Pois tanto pode ser causada pelo tumor, como pelo tratamento, ou ser devido à outra causa não relacionada. Forma de início, tipo, intensidade, duração, localização, fatores de alívio ou de agravo, são características que auxiliam o seu médico a identificar a origem da dor e tratá-la da forma mais adequada. Convém lembrar que a dor é um fenômeno subjetivo, cada indivíduo sente a dor de forma diferente e por isso o tratamento sempre é individualizado. É direito do paciente e dever do profissional de saúde o tratamento adequado da dor.

Falta de ar: tem várias causas: ansiedade, lesões pulmonares, derrame pleural, doença cardíaca, edema agudo, trombo-embolismo, infecções graves, lesões nos nervos que controlam a musculatura respiratória, compressão dos pulmões por massas abdominais, limitação da respiração por comprometimento da parede torácica, ou doenças respiratórias pré-existentes (asma, bronquite, enfisema).

Febre: sempre é um sinal de alarme. Na grande maioria das vezes significa que existe uma infecção. Contudo, lesões no sistema nervoso central podem causar uma febre, que não cede com o uso de medicações antitérmicas. Alguns tipos de tumores também podem por si sós, serem causa de febre. Toda febre deve sempre ser medida e o médico sempre informado.

Hemorragia: pode ser discreta, leve, moderada, ou severa. Dependendo da intensidade, da causa e da parte do corpo em que ocorre, pode ou não ser tomada alguma atitude que pare o sangramento. É aconselhável que a paciente que estiver em quimioterapia não se submeta a procedimentos que tem potencial de hemorragia, ou se necessário for, que sejam tomadas precauções.

Incontinência urinária: pode ser um sinal de infecção urinária ou de perda no controle do esfíncter (músculo que abre e fecha a uretra). A perda de controle pode ser causada por algumas medicações ou por lesão nos nervos que controlam o esfíncter.

Infecções: atrasam o tratamento anti-tumoral, pois não podem ser feitas quimioterapias em uma paciente com infecção. Pacientes em quimioterapia devem evitar contato com pessoas portadoras de alguma infecção.

Visão: problemas de visão podem ser um alerta sobre possíveis alterações no sistema nervoso central, embora às vezes a causa possa ser outra.

Dr. Felisberto Andreas Bub

Médico Oncologista

Fonte: http://www.mamainfo.org.br

EFEITOS COLATERAIS

Anemia: é bastante comum, mas é de fácil manuseio e dificilmente algum tratamento é interrompido por causa de anemia. Pode trazer alguma complicação em pacientes idosas ou cardiopatas.

Calafrios: não são comuns e quando presentes podem indicar uma infecção e o seu médico deve sempre ser avisado.

Constipação ou diarréia: a constipação é um efeito colateral muito raro da quimioterapia e não implica em maiores transtornos, sendo facilmente resolvida com o emprego de laxantes. A diarréia pode estar presente em algumas quimioterapias e pode ser tão severa a ponto de interromper e suspender o tratamento.

Dores ósteo-musculares: provocadas por alguns quimioterápicos, são de intensidade variável e geralmente são tratadas com analgésicos comuns e repouso.

Falta de apetite: um efeito colateral muito comum, mas infelizmente não há ainda medicação que possa reverter ou reduzir esse efeito. Melhora apenas com o fim do tratamento.

Flebite: ocorre quase sempre, mas em grau leve e sem sintomas. Trata-se de uma inflamação da veia, na qual é feita a aplicação da quimioterapia. Quando é mais importante, a paciente sente dor, endurecimento e vermelhidão no trajeto venoso. O médico deve sempre ser avisado. Ocasionalmente pode ser grave, com febre, dor intensa, inchaço e dificuldade para mobilização do membro afetado.

Leucopenia: outro efeito colateral comum, mas bastante variável e depende da sensibilidade individual. Trata-se da redução no número de leucócitos (ou glóbulos brancos), que fazem a defesa do nosso organismo. Quando a leucopenia é severa e acompanhada de febre, a quimioterapia deve ser suspensa e a paciente deve ser internada para tratamento e recuperação.

Menopausa precoce: o uso de agentes alquilantes durante o tratamento quimioterápico, particularmente a ciclofosfamida, são os fatores que mais interferem com a fertilidade. A menopausa precoce pode causar ondas de calor, tromboembolismo e tumores de endométrio, além de secura vaginal. Em alguns casos este processo pode retroceder e o organismo voltar à sua atividade normal, principalmente quando a mulher inicia o tratamento ainda muito jovem.

Mucosite e aftas: é uma inflamação que ocorre na mucosa de todo o tubo digestivo, da boca até o reto. Bastante freqüente, mas leve na grande maioria das vezes podendo ser contornada com medidas simples. Porém, pode ser muito intensa e pode motivar uma internação hospitalar. Em casos raros pode vir a ser fatal.

Náuseas e vômitos: são os efeitos mais conhecidos e mais temidos pela população em geral. No passado eram mais freqüentes, mas com advento das novas medicações, não são mais algo a se temer, pois podem ser bem controlados e evitados. Convém lembrar que algumas pacientes são muito mais sensíveis e terão náuseas ou vômitos, apesar de tudo que seu médico faça para evitá-los. Pacientes ansiosas ou com história de vomitar facilmente por outros motivos, tem um pior controle dos sintomas.

Pele e unhas: podem sofrer alterações na coloração durante a quimioterapia. Por isso recomenda-se que a paciente não se exponha ao sol durante o tratamento e use um bloqueador solar fator 30 (no mínimo).

Perturbações neurológicas: não são comuns como efeitos colaterais de quimioterapia e quando surgem devem ser investigadas.

Problemas gástricos: ocorrem junto com as náuseas e vômitos, ou como parte da mucosite. Atualmente podem ser tratados, embora nem sempre com o sucesso esperado.

Dr. Felisberto Andreas Bub

Médico Oncologista

Fonte: http://www.mamainfo.org.br

 

RESISTÊNCIA AOS QUIMIOTERÁPICOS

São mutações que ocorrem nas células e que as tornam capazes de resistir aos danos causados pelas drogas. Essas mutações surgem ao longo do tempo, em novos clones das células tumorais e podem ir somando-se; ou, um câncer pode apresentar resistência a múltiplas drogas desde o seu surgimento caso ele já apresente muitas mutações no seu código genético desde o princípio. É o pior pesadelo de um médico oncologista, pois isso significa que não importa qual quimioterapia seja feita, nenhuma funcionará.

Dr. Felisberto Andreas Bub

Médico Oncologista

Fonte: http://www.mamainfo.org.br

MONITORAÇÃO DA TOXIDADE

Hematológica: é a mais comum e sua monitoração é feita através de exames de sangue. Na maioria das vezes é reversível, mas pode ser cumulativa e pode atrasar cada novo ciclo de quimioterapia. O grau de toxicidade varia muito, algumas drogas produzem muitos efeitos, enquanto que outras quase nenhum.

Gastrointestinal: também é bastante comum. São as famosas náuseas e vômitos. Se não for adequadamente controlada pode causar complicações e levar a atrasos ou até mesmo uma interrupção total do tratamento. Nem toda quimioterapia causa náuseas ou vômitos e alguns pacientes são mais sensíveis do que outros.

Cardíaca: pode ser importante nas drogas do grupo das antraciclinas, principalmente a doxorrubicina (adriamicina). Pacientes jovens e sem antecedentes de doença cardíaca não apresentam complicações ou sintomas. Pacientes idosas ou com história prévia de doença cardíaca deverão ser monitoradas com ecocardiograma e avaliação do médico cardiologista e algumas não poderão receber esse quimioterápico.

Urológica e renal: restrita a determinadas drogas que não são usadas no tratamento do câncer de mama.

Alopecia: é a famosa queda de cabelo, que ocorre durante certos tipos de quimioterapias. O cabelo volta a crescer quando o tratamento termina.

Neurológica: ocorre com alguns tipos de quimioterapia. Caracteriza-se na maior parte das vezes por dormência ou formigamento nas mãos e nos pés. Pode ser cumulativa, mas geralmente é reversível quando o tratamento é interrompido.

Hepática: incomum e não necessita de controle especial, salvo raras exceções.

Graus de toxicidade: graus de toxicidade é a forma como é medida cada tipo de toxicidade. Varia de grau I a grau IV (do menor para o maior).

Dr. Felisberto Andreas Bub

Médico Oncologista

Fonte: http://www.mamainfo.org.br

 

ESQUEMAS UTILIZADOS

Linfonodos axilares negativos:

 

Esquema Drogas
CMF ciclofosfamida, metotrexate e fluorouracila
AC adriamicina e ciclofosfamida
FAC fluorouracila, adriamicina e ciclofosfamida

 

Linfonodos axilares positivos:

 

Esquema Drogas
FAC fluorouracila, adriamicina e ciclofosfamida
CMF ciclofosfamida, metotrexate e fluorouracila
FEC fluorouracila, epirrubicina e ciclofosfamida
AC adriamicina e ciclofosfamida
A-CMF é um protocolo chamado seqüencial, por utilizar primeiro apenas uma droga isoladamente (adriamicina), seguida depois, por uma associação de três drogas (ciclofosfamida, metotrexate e fluorouracila)
AC-Taxanos outro protocolo seqüencial, primeiro é utilizada uma combinação de duas drogas (adriamicina e ciclofosfamida), seguida após, por uma droga apenas (taxol ou taxotere)
Terapias com monodrogas são sempre paliativas. Geralmente podem ser utilizadas uma das seguintes drogas: Taxol, Taxotere, Gemzar, Xeloda, Novantrone, ou Navelbine

 

Dr. Felisberto Andreas Bub

Médico Oncologista

TIPO DE ADMINISTRAÇÃO

Intravenosa: dentro de uma veia, também chamada de endovenosa, é a forma mais comum para as quimioterapias, pois espalha a droga por todo o corpo quase que imediatamente.

Intratecal: dentro do espaço que existe entre as membranas que envolvem nossa medula espinhal e nosso cérebro (as meninges); difícil de ser feita e envolve riscos; reservada para os casos específicos em que ocorre invasão e disseminação do tumor pelas meninges.

Via oral: pela boca.

Cateter: dispositivo especial que é implantado no corpo da paciente, sob a pele e a gordura, em áreas de fácil acesso. Por ser caro e envolver riscos de complicações, é reservado para os casos em que será necessário administrar drogas intravenosas por várias vezes ou por longo período, mas a paciente não oferece condições técnicas adequadas para que suas veias possam ser puncionadas com uma agulha.

Dr. Felisberto Andreas Bub

Médico Oncologista

Fonte: http://www.mamainfo.org.br

Entradas Mais Antigas Anteriores