EFEITOS COLATERAIS

Os efeitos da radioterapia estão diretamente relacionados com a área a ser tratada. Como o efeito é acumulativo, espera-se o início das reações ao redor de três semanas de tratamento. Nesta fase começa se instalar um processo inflamatório e dependendo da estrutura envolvida, teremos os efeitos específicos.

 

Quando a área irradiada é a cerebral, pode haver queda de cabelos, leve dor de cabeça, tontura, alterações visuais e sonolência, entre outros. Ao tratar os tumores de cabeça e pescoço os sintomas mais freqüentes são boca seca, saliva espessa, perda do paladar ou alteração do mesmo, inflamação da mucosa, aparecimento de aftas, dificuldades de alimentação com dor ao deglutir e perda do apetite.

O tratamento de estruturas torácicas pode desencadear sintomas como tosse por irritação das vias aéreas (traquéia e brônquios) e dificuldades para alimentação pela inflamação do esôfago (esofagite).

No abdômen os sintomas comuns estão relacionados ao aparelho digestivo. Há aumento dos movimentos peristálticos levando a formação de gases, náuseas, vômitos, cólicas e diarréias.

A irradiação da pelve pode levar ao aparecimento de sintomas urinários como ardor à micção e aumento do ritmo urinário semelhante à cistite. O intestino baixo também sofre efeitos podendo causar colite e retite, cujo sintoma principal é a diarréia. Pacientes com tendências a hemorróidas podem apresentar piora do quadro. As reações de pele são mais intensas quando se tratam tumores de cabeça e pescoço, mama e tumores da própria pele. Nestas situações clínicas as doses são elevadas na pele e os efeitos se iniciam com a mudança na tonalidade da pele, ficando levemente avermelhada podendo ficar mais intensa em alguns casos. Outra possibilidade é da pele ficar mais escura, depende do tipo de pele do paciente. Passada esta etapa, prosseguindo com a radioterapia, inicia-se processo de descamação seca. Da descamação seca evolui para a descamação úmida, podendo formar bolhas e contrair infecções. Com este quadro o tratamento deve ser interrompido temporariamente e alguns cuidados dermatológicos devem ser tomados. Se por falta de orientação este paciente prosseguir com o tratamento pode chegar à necrose da pele.

A mama fica mais sensível durante a radioterapia, sendo comum os sintomas como pontadas ou mesmo aumento de volume (edema). Raramente necessitamos de analgésicos para controlar estes efeitos colaterais.

A radioterapia não deixa de ser uma agressão ao organismo, desta forma, é comum sintoma de fadiga durante o tratamento.

Os efeitos crônicos da radioterapia relacionam-se com fibroses e danos vasculares que podem resultar em redução da capacidade funcional dos órgãos, como exemplo a bexiga que pode perder a capacidade de acumular urina, tornando-se menos elástica.

A pele também pode perder a elasticidade, ficando com aspecto atrófico e apresentando pequenos vasos superficiais.

As pacientes que receberam tratamento na mama podem apresentar tardiamente o aumento de sua densidade tornando-a mais firme e com o volume um pouco menor do que a mama não tratada.

Dr. Sergio Esteves

Radioterapeuta do Hospital das Clínicas da Universidade de Campinas (UNICAMP).

Fonte: http://www.mamainfo.org.br

 

 

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