HORMÔNIOS

O simples fato da prevalência quase absoluta do câncer de mama no sexo feminino evidencia a importância dos fatores hormonais, em particular dos hormônios ovarianos (estrogênio e progesterona), contribuindo para a gênese e promoção da doença mamária.

A atividade das células mamárias recebe a influência direta desses hormônios ovarianos no decorrer do ciclo menstrual. O agrupamento de células mais simples das mamas é o ducto terminal, considerado como a unidade morfofuncional da glândula mamária (contribui com seu formato e determina a sua função). A influência dos hormônios regula a multiplicação normal dessas células (mitoses) e, provavelmente, participa das primeiras alterações que podem resultar em células anormais, que precedem o câncer.

Nos ciclos ovulatórios, a formação do corpo lúteo acarreta a secreção de progesterona, enquanto que a gravidez e a amamentação bloqueiam a ovulação por longos períodos, associando-se à maior proteção relativa contra o câncer de mama.

Em outra análise, a primeira menstruação precoce, a última menstruação tardia, o primeiro filho após os trinta anos de idade e a ausência de amamentação acarretam o maior número de ciclos ovulatórios cumulativos e podem amplificar o risco oncogenético de câncer.

A proliferação celular fisiológica relaciona-se com a presença de estrogênios e de progesterona. A ação seqüencial estimula o crescimento, a divisão e a proliferação das células da mama. Havendo células anormais, esse estímulo hormonal amplifica a exagerada e descontrolada proliferação das células mamárias.

 

Reposição Hormonal

A terapia de reposição hormonal (TRH), tratamento dado às mulheres após a menopausa, ainda é um tema controverso. Num câncer de mama, o estrogênio, independente de ser proveniente dos ovários ou de medicação, pode influenciar a evolução do tumor de mama.

Os estrogênios naturais, produzidos pelos ovários, são representados pelo estradiol, o mais potente, a estrona, predominante na pós-menopausa, e o estriol, o menos potente, tendo a placenta como sua principal fonte natural. A produção natural desses hormônios é influenciada pela idade, índice de massa corpórea, gravidez, lactação, uso de medicações, estilo de vida, padrão de atividade física, ingestão de bebidas alcoólicas e de gordura animal.

A produção de hormônios ovarianos decai progressivamente até a menopausa. A redução do estrogênio associa-se a queixas de alterações de humor, depressão, insônia, irritabilidade, ondas de calor, dificuldade para concentrar a atenção, enfraquecimento dos ossos (osteopenia), redução da umidade vaginal, alteração da libido e pele mais flácida, friável e seca.

Como alternativas aos estrogênios naturais temos os fito-estrogênios, encontrados em grãos integrais, ervilhas, feijão e que substituem parcialmente o efeito dos estrogênios naturais. Os estrogênios sintéticos, componentes dos medicamentos para a reposição hormonal, são produzidos a partir da urina de éguas grávidas ou sintetizados pela indústria farmacêutica.

A reposição hormonal (TRH) tem como objetivo atenuar os sintomas decorrentes da menopausa e evitar complicações relacionadas à atrofia genital, perda da massa óssea e demais sintomas relacionados anteriormente. Entretanto, a exposição prolongada e não controlada aos estrogênios sintéticos parece aumentar significativamente o risco de câncer de mama.

As pacientes com fatores de risco para o câncer de mama devem ser tratadas criteriosamente, avaliando-se os riscos e benefícios da terapia hormonal associando-se acompanhamento médico rigoroso com exames anuais de mamografia e ultra-sonografia das mamas.

Alguns fármacos exercem ações moduladoras seletivas dos receptores de estrogênios. Esses produtos não estimulam as células das glândulas mamárias e podem ser utilizados em pacientes de alto risco com osteopenia (raloxifeno) ou naquelas com biópsia de mama detectando atipias (tamoxifeno), exercendo ação protetora das mamas.

Os fito-estrogênios podem reduzir as ondas de calor e aumentar a lubrificação vaginal em algumas pacientes.

Havendo necessidade de reposição hormonal, as mamas e o útero (também sensível aos hormônios) merecem atenção médica especial, garantindo o diagnóstico precoce na eventualidade de qualquer modificação não desejada.

Dr. Waldemir Washington Rezende

Médico Assistente responsável pelo Setor de Ginecopatias e Cirurgia Oncológica em Obstetrícia, da Divisão de Obstetrícia do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICHC-FMUSP). (Jan/2001 a set/2008).

Fonte: http://www.mamainfo.org.br

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