QUIMIOTERAPIA X RISCOS CARDÍACOS

Novas diretrizes para tentar controlar o problema

Pense na situação: você sobrevive a um câncer, mas descobre que a quimioterapia causou danos ao seu coração e que eles podem ser irreversíveis?

Cerca de 10% dos pacientes oncológicos correm esse risco, mas até hoje não havia regras claras e reunidas em um só documento sobre como tratar os doentes.

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O que fazer quando um paciente precisa de uma medicação que, apesar de altamente eficiente no controle e tratamento de diversos tipos de câncer, traz uma série de riscos ao coração? Esse é o dilema que muitos médicos têm que enfrentar.

Um dos efeitos mais graves da quimioterapia é a cardiomiopatia, responsável por causar um enfraquecimento do músculo do coração, que pode levar à insuficiência cardíaca e, em última instância, à morte.

Além da cardiomiopatia, as drogas podem causar taquicardias, arritmias, insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e até a morte súbita.

Estudos internacionais mostram que os pacientes que passaram por tratamentos de câncer têm até 30% mais chances de desenvolver o problema do que a população em geral.

Normas

Por isso, para orientar os profissionais e garantir o controle do câncer com menos chances de complicações cardiovasculares, o Brasil criou as primeiras diretrizes mundiais sobre o atendimento cardíaco a pacientes oncólogicos.

As normas, que estão sendo editadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e por oncologistas, deverão ser publicadas no início de 2011.

No documento haverá uma lista dos quimioterápicos que podem causar efeitos nocivos ao coração e as recomendações sobre como os médicos devem tratar esses pacientes. Entre os quimioterápicos cardiotóxicos estão as antraciclinas, ciclofosfamida e o trastuzumab.

De acordo com o cardiologista Ricardo Kalil Filho, um dos coordenadores das novas diretrizes, o médico será orientado a solicitar um ecocardiograma ao paciente dois meses depois do início da quimioterapia.

Se o músculo do coração apresentar deficiência, um cardiologista passa a fazer parte da equipe e, junto com o oncologista, define a mudança do remédio, a diminuição da dose ou a indicação de drogas que melhorem o músculo cardíaco.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informa que o SUS será um dos grandes usuários das diretrizes, já que é responsável pelo atendimento de 80% dos tratamentos de câncer no Brasil.

Fonte: Blog da Saúde

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