CÂNCER DE MAMA “APRENDE” A DRIBLAR OS TRATAMENTOS MAIS MODERNOS


Pesquisador brasileiro ajudou a desvendar mecanismo de ‘evolução’ do tumor.
Exatamente aquilo que torna o câncer sensível ao remédio é o que causa a resistência.

Marília Juste Do G1, em São Paulo

Cientistas descobriram que um dos tipos de câncer de mama mais raros é capaz de “evoluir” para resistir até aos mais modernos medicamentos. O mecanismo pode se repetir em outros tipos de tumores de mama e até em outras partes do corpo. Conhecê-lo pode dar aos médicos uma arma de ação preventiva para evitar a resistência da doença aos medicamentos. A pesquisa contou com o trabalho do pesquisador brasileiro Jorge Reis-Filho, do Centro de Pesquisas de Ponta em Câncer de Mama, na Inglaterra.

O mecanismo está ligado a um tipo específico de câncer na mama, aquele causado por um defeito em um gene chamado BRCA2 – que impede as células de consertar danos no DNA. Esses danos, por sua vez, aumentam o risco da célula se tornar cancerosa. Esse tipo de tumor, em geral, é raro na população. Mas as chances de quem tem a falha genética desenvolver a doença são altas.

A equipe de Reis-Filho tem obtido grande sucesso recentemente ao usar tratamentos de ponta, como a droga quimioterápica carboplatina e o chamado “inibidor PARP”. A primeira fase de testes já foi completada e a segunda está em andamento.

Foi tentando descobrir se essa medicação poderia causar resistência, algo que só seria verificável em testes futuros, que o grupo encontrou o mecanismo, que apresenta nesta semana na revista “Nature”. “Estávamos tentando literalmente prever o futuro”, explicou Reis-Filho ao G1. “Tentando ver uma coisa que só aparecerá nos testes daqui a cinco anos. E conseguimos”, afirmou.

Problema darwiniano

A resistência surge de uma forma que surpreendeu os cientistas. Os medicamentos funcionam ao causar ainda mais mutações e danos no DNA da célula, para forçar a sua morte. Algumas dessas células no entanto mutam tanto que voltam a ter um gene BRCA2 normal. O que pode parecer uma boa notícia, no entanto, é um banho de água fria. A normalidade do gene não faz a célula que já virou câncer voltar ao normal. Mas faz o remédio, que só responde à falha genética, parar de funcionar. O câncer fica mais forte, se espalha mais rápido e se torna imune ao tratamento.

“Exatamente o mecanismo que torna a célula sensível ao remédio é o que cria a resistência”, diz Reis-Filho, que passou noites acordado após a descoberta, tentando entender todas as implicações. “Tem tudo a ver com a teoria da evolução”, explica ele.

O problema já pode ser verificável nos pacientes em teste que estão tomando a medicação.

Agora, a equipe do Instituto busca vencer o problema, usando combinações mais elaboradas de outros remédios. “Não temos a ilusão de que seremos capazes de encontrar uma cura para todos os tipos de tumores na mama. Mas queremos dar às mulheres uma vida livre do medo do câncer. Queremos remédios para tornar mais fácil e longa a vida de quem sofre com a doença”, afirma o cientista.

O brasileiro acredita que essa é apenas a “ponta do iceberg”. “Creio que algo do tipo também pode ser visto em outros tipos de câncer de mama e até em outros tumores”, disse ele.

Anúncios

BREAST RECONSTRUCTION SURGERY AFTER A MASTECTOMY

BREAST TISSUE BIOPSY

BREAST CANCER SURGERY: LUMPECTOMY, MASTECTOMY

CIENTISTAS AVANÇAM RUMO A UMA VACINA CONTRA O CÂNCER

17/11/2010

Anti-vacina

Eles ainda não descobriram uma vacina para o câncer, mas cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram uma das razões pelas quais as tentativas anteriores para aproveitar o sistema imunológico para o tratamento de tumores cancerosos falharam.

A nova pesquisa, publicada na revista Science, revela que um tipo de célula do estroma, que expressa a proteína alfa de ativação dos fibroblastos (FAP), desempenha um papel importante na supressão da resposta imunológica na presença dos tumores cancerosos.

Essas células, presentes em muitos tipos de câncer, restringem o uso de vacinas e outras terapias que dependem do sistema imunológico do corpo para contra-atacar o câncer.

Terapias imunológicas

Os cientistas confirmaram que a destruição dessas células permite que o sistema imunológico controle um tumor previamente sem controle.

“Encontrar as células específicas, dentro da complexa mistura do câncer, que impedem a reação imunológica, é um passo importante. O prosseguimento dos estudos, sobre como essas células exercem seus efeitos, pode contribuir para a melhoria das terapias imunológicas, permitindo-nos remover a barreira do câncer,” explica Douglas Fearon, coordenador da pesquisa.

As vacinas criadas para induzir o sistema imunológico a atacar as células cancerosas têm mostrado certa capacidade para ativar uma resposta imunológica no corpo, mas, inexplicavelmente, elas praticamente não afetam o crescimento dos tumores.

Imunologistas que se especializaram em tumores têm suspeitas de que, dentro do microambiente tumoral, a atividade de células do sistema imunológico é suprimida de alguma forma.

Mas, até agora, eles têm sido incapazes de inverter essa supressão.

A nova pesquisa lança as primeiras luzes sobre por que a resposta imune é suprimida.

Estroma

O estudo constatou que pelo menos um componente supressor está contido dentro de células de tecido normal (chamadas de células do estroma) que o câncer usa para sua própria sobrevivência.

A célula agora estudada expressa uma proteína única, muitas vezes associada com a cicatrização de ferimentos – a proteína alfa de ativação dos fibroblastos (FAP). As células que expressam a FAP são encontradas em muitos tipos de câncer, incluindo o câncer de mama e o câncer colorretal.

“Estes estudos foram feitos em camundongos e, embora haja muita sobreposição entre o sistema imunológico humano e dos camundongos, nós não sabemos a importância destas descobertas para os seres humanos até que sejamos capazes de interromper a função das células do estroma tumorais expressando FAP em pacientes com câncer,” alerta o professor Fearon.

Fonte: Diário da Saúde

 

 

BRASIL PADRONIZA MÉTODO DE DIAGNÓSTICO DE CÂNCER DE MAMA COM OUTROS 4 PAÍSES

13/11/2010

Brasil, Argentina, Chile, México e Uruguai concordaram em padronizar e modernizar seus métodos de diagnóstico do câncer de mama e estudar o perfil genético das mulheres para melhorar o tratamento da doença, que acomete mais de 117 mil pessoas e mata cerca de 40 mil por ano na América Latina e no Caribe.

Na etapa seguinte do projeto, serão recrutadas de 2,5 mil a 3 mil pacientes durante três anos. Depois disso, elas passarão por um acompanhamento ao longo de dois anos.

“Com esse estudo, queremos traçar o perfil molecular das latino-americanas e harmonizar procedimentos para aumentar a capacidade dos cinco países de gerar informações clínicas”, explicou nesta sexta-feira, 12, o diretor do Escritório para o Desenvolvimento de Programas na América Latina do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI), Jorge Gómez, que coordenou o projeto.

Para avançar nessa proposta, financiada pelo NCI com US$ 2,5 milhões anuais, cerca de 150 médicos, epidemiologistas, patologistas, pesquisadores e coordenadores dos cinco países latino-americanos se reuniram no Rio de Janeiro com o aval de seus ministérios da Saúde e o impulso do instituto americano.

“Concluímos os protocolos e compartilhamos procedimentos. Portanto, já estamos preparados para começar a trabalhar com entusiasmo. Sabemos que, em última instância, isso significará melhorar infraestrutura hospitalar e de tratamento”, afirmou Pilar Carvallo, da Universidade Católica do Chile e coordenadora do país no projeto.

A longo prazo, segundo Pilar, “também poderemos analisar perfis moleculares das mulheres em cada país e ver como respondem aos tratamentos para reduzir o tamanho do tumor. Assim, algum dia os oncologistas poderão refinar os tratamentos”.

De acordo com Gómez, há cinco subtipos de câncer de mama. “Para cada um, deve-se aplicar um tratamento específico. Por isso, obter um diagnóstico certo é fundamental. Com esse projeto, serão utilizados os reagentes mais modernos”, revelou.

Nesse sentido, o cientista do NCI James Robb explicou que erros em diagnósticos são mais frequentes do que se acredita. Segundo ele, nunca se pode defini-lo com segurança absoluta. “A medicina é assim. Os cientistas fazem o que podem, mas sempre há uma margem de erro, por milhares de razões, inclusive a dificuldade de analisar exames em um período de tempo suficientemente pequeno para evitar alterações”, apontou Robb em reunião com jornalistas.

A isso se soma, segundo Gómez, o fato de que, “nos diversos hospitais desses países latino-americanos, usam-se diferentes técnicas e reagentes, motivo pelo qual os resultados de diagnósticos variam”. “Com essa parceria, os 25 hospitais envolvidos se comprometem a padronizar procedimentos para, depois, compará-los e oferecer aos governos dados obtidos pelos médicos sobre os pacientes, para que sejam usados na elaboração de políticas de saúde”, ressaltou.

O câncer de mama é o de maior incidência nas mulheres da maioria dos países latino-americanos, inclusive os envolvidos – exceto o Chile, onde a doença é a segunda mais prevalente. O país concentra a tecnologia mais avançada da região.

No México, o câncer de mama é um “problema prioritário e crescente”, com cerca de 10 mil casos novos por ano e uma previsão de 17 mil até 2020. Esse percentual elevado atinge muitas mulheres jovens, destacou Adrián Daneri, do Centro Universitário de Ciências da Saúde da Universidade de Guadalajara e um dos coordenadores do país no projeto.

“Por isso, interessa-nos conhecer o perfil molecular das mulheres e o comportamento biológico dos tumores para favorecer a busca de fatores que ajudem a prever a resposta ao tratamento e aspectos genéticos que sejam importantes”, disse Daneri.

“A doença é curável, especialmente quando detectado em uma etapa inicial. Mas, na América Latina, costuma-se diagnosticar em estágios mais avançados, à exceção do Uruguai, que tem um plano nacional para diagnóstico antecipado”, apontou Gómez.

Fonte: Agência EFE

 

 

ESTUDO MOSTRA INFLUÊNCIA DA PROPAGANDA DE MEDICAMENTOS

16/11/2010
Segundo pesquisa, ocorre pressão da indústria farmacêutica nas decisões dos gestores em relação à compra de medicamentos

O Sistema Único de Saúde (SUS) também é alvo das estratégias de marketing da indústria farmacêutica. É o que constatou uma pesquisa coordenada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em parceria com instituições de ensino superior de 15 cidades brasileiras.

O objetivo do projeto foi fazer um diagnóstico situacional da promoção de medicamentos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS. Segundo a gerente geral de monitoramento e fiscalização de propaganda da Anvisa, Maria José Delgado Fagundes, as informações obtidas com a pesquisa irão subsidiar tanto as ações de monitoramento, fiscalização e regulação da propaganda quanto as estratégias para fortalecer a racionalidade na aquisição, dispensação e uso de medicamentos nas unidades básicas de saúde.

Para isso, foram identificados nas UBS os recursos utilizados para a promoção e propaganda de medicamentos, as fontes de informação sobre medicamentos dos prescritores e os fatores que exercem influência na padronização, aquisição e prescrição de medicamentos. As equipes acadêmicas envolvidas no estudo aplicaram um conjunto de três questionários nas unidades de saúde visitadas, estendendo o diagnóstico da influência a prescritores (médicos e dentistas), dispensadores (farmacêutico ou técnico responsável) e gestores do SUS.

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foi responsável por coordenar a pesquisa, por meio de uma parceria com as instituições de ensino superior participantes do Projeto de Monitoração de Propaganda da Anvisa das seguintes cidades: Manaus, Belém, São Luís, Natal, João Pessoa, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Teresina, Porto Alegre e Brasília.

Confira os resultados divulgados pela Anvisa:

Prescritores

Dos prescritores (médicos e dentistas) abordados na pesquisa, 41,3% afirmaram receber visitas de representantes de medicamentos em seu local de trabalho, sendo que essas podem ocorrer mensalmente (60,9%), quinzenalmente (14,5%), semanalmente (16,4%) ou diariamente (8,2%).

Essas visitas ocorrem em 94,1% dos casos nos consultórios. A forma preferida de divulgação dos medicamentos é a distribuição de folders e amostras grátis e, em segunda opção, a oferta de monografias ou artigos científicos. Em relação à influência da propaganda na prescrição de medicamentos, 77,9% afirmaram que não sofrem interferência das propagandas, porém, 37,7% destes alegam que podem ser influenciados.

Em contrapartida, 92,5% dos entrevistados julgaram que as informações apresentadas pelas propagandas podem ser insatisfatórias ou incompletas; mesmo assim, 64,9% disseram que consideram essas informações ao escolher o medicamento que irá prescrever. Os entrevistadores também observaram, em 28% dos casos, a presença de peças publicitárias no local, tais como canetas, panfletos, amostras grátis e blocos.

Gestores

A pesquisa demonstrou que ocorre pressão da indústria farmacêutica nas decisões dos gestores em relação à compra de medicamentos, uma vez que 75% dos entrevistados recebem representantes da indústria que ofertam brindes e impressos sobre os medicamentos. A frequência destas visitas é, na maioria das vezes, mensal.

Os gestores informaram que em 46,2% dos casos recebem solicitação de compras de medicamentos não padronizados ou que não constam das listagens oficiais, por motivos como decisões judiciais, compras de medicamentos excepcionais ou por exclusividade de fabricante. Perguntados se há influência da indústria farmacêutica nestas solicitações, 23% responderam que sim.

Dispensadores

A pesquisa constatou que 70,4% dos profissionais responsáveis pelas farmácias das UBS não são farmacêuticos. Desses, 57,9% são da área da enfermagem (enfermeiro, técnico de enfermagem e auxiliar de enfermagem), o que caracteriza violação à legislação em vigor, constituindo exercício ilegal da profissão farmacêutica.

Portanto, na maioria das unidades estudadas não existe dispensação de medicamentos, mas simplesmente entrega do produto ao usuário, uma vez que o farmacêutico é o único profissional devidamente capacitado para a dispensação. Até mesmo o armazenamento de medicamentos fica prejudicado, se o profissional encarregado não detiver os conhecimentos necessários para sua aplicação.

Outra questão empregada na entrevista versou sobre a emissão de prescrições com o nome comercial do medicamento: 83,3% dos respondentes informaram que as prescrições médicas usam o nome comercial dos medicamentos em vez do nome genérico, o que contraria a legislação em vigor. Perguntados se recebiam visitas de representantes de medicamentos, 21,2% dos dispensadores afirmaram que sim.

Fonte: Saúde Business Web

 

Entradas Mais Antigas Anteriores