ESTROGÊNIO PODE AJUDAR A PREVENIR CÂNCER DE MAMA

Hormônio tem efeito protetor quando ingerido durante a terapia de reposição hormonal

Uma novidade na luta contra o câncer de mama foi apresentada em dezembro, na reunião anual da Associação Americana para Pesquisa sobre o Câncer (AACR). Surpreendentemente, o hormônio estrogênio, conhecido na literatura médica por ser um fator de risco carcinogênico, pode proteger as mulheres contra o tumor maligno. Embora a forma endógena do hormônio, ou seja, aquela produzida pelos ovários, tenha ligação com o aparecimento do câncer, quando ingerido durante a terapia de reposição hormonal, diminui os riscos da neoplasia.

— Nossa análise sugere que, ao contrário do que se imaginava, há um valor substancial em utilizar o estrogênio na terapia de reposição hormonal. Os dados mostram que, para determinadas mulheres, ele não é apenas seguro, mas potencialmente benéfico contra o câncer de mama, assim como para outros aspectos da saúde feminina — disse o pesquisador Joseph Ragas, oncologista da Faculdade de Medicina da Universidade de British Columbia, no Canadá.

Ragaz e outros pesquisadores reviram e analisaram dados de um estudo epidemiológico realizado entre mulheres que faziam testes de reposição hormonal. O objetivo desse estudo, o Women’s Health Initiative (WHI), é prevenir doenças cardíacas, câncer de mama e colorretal e fraturas em mulheres na pós-menopausa. Ele foi lançado em 1991 e inclui dados de cerca de 161 mil mulheres entre 50 e 79 anos.

— Nas últimas três décadas, a terapia de reposição hormonal tem sido usada quase que indiscriminadamente por mulheres que esperam melhorar a qualidade de vida de forma geral. Originalmente, os resultados do WHI sugeriam que a terapia não fazia bem à saúde — recorda Ragaz.

O estudo é formado por dois grupos de mulheres: as que não têm útero e tomam apenas estrogênio e aquelas que não retiraram o órgão e fazem terapia com estrogênio e progestina (hormônio sintético). Ragaz reavaliou os dados do WHI e descobriu que as voluntárias sem histórico familiar de câncer de mama que receberam apenas o estrogênio tiveram uma redução de mais de 70% na incidência da doença.

— Essa redução é uma nova descoberta, porque o estrogênio sempre foi associado à alta incidência do câncer de mama, mas agora sabemos que, administrado de forma exógena (sem ser produzido naturalmente pelo organismo), ele é, na verdade, um protetor — diz.

De acordo com o médico, são necessários mais estudos para determinar o tratamento ideal, definir o perfil de mulheres beneficiadas e entender melhor o mecanismo do hormônio no processo de prevenção do câncer de mama.

Combinação de remédios

Outra forma de reduzir um tipo de câncer de mama, o HER-2 positivo, considerado um dos mais agressivos, também foi descrita na reunião da Associação Americana para Pesquisa sobre o Câncer. Segundo o Centro de Câncer do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, a combinação de três substâncias já aprovadas e existentes do mercado melhorou a resposta do tumor, comparando-se à ação dessas drogas sozinhas. O principal autor da pesquisa, José Baselga, chefe da Divisão de Hematologia e oncologia do hospital, diz que dados iniciais indicam uma taxa de remissão total de 50% — o índice foi de 20% nas mulheres que tomaram apenas uma das substâncias.

— Já havia sido sugerido em pequenos estudos clínicos que a combinação de lapatinibe, trastuzumabe e paclitaxel seria mais efetiva que cada uma dessas drogas sozinhas, mas essa é a primeira vez que provamos isso em uma pesquisa de larga escala — disse Baselga.

O destaque

Na área de pesquisas que podem levar ao desenvolvimento de novos tratamentos, o destaque foi um estudo publicado na revista Cancer Research. Cientistas do Centro de Câncer Kimmel da Universidade Thomas Jefferson, nos EUA, conseguiram provar uma antiga suspeita: a de que inflamações nas mamas são a chave do desenvolvimento e da progressão do câncer. Em uma experiência feita com ratos, eles demonstraram que os processos inflamatórios dentro das mamas promovem o crescimento das células cancerígenas. Eles também demonstraram que, ao desativar a inflamação, é possível evitar o câncer.

Preocupação feminina

O que é

Câncer de mama é o desenvolvimento anormal das células do seio. Essas estruturas crescem de forma desordenada e substituem o tecido saudável. O câncer normalmente começa com um pequeno nódulo, que pode crescer e se espalhar para áreas próximas à mama acometida, como os músculos, a pele e as axilas.

Sintomas

:: Nódulo ou tumor no seio, acompanhado ou não de dor mamária

:: Alteração no tamanho ou na forma da mama

:: Alteração no aspecto da mama, da auréola ou do mamilo

:: Saída de secreção pelo mamilo, sensibilidade mamilar ou inversão do mamilo para dentro da mama

:: Sensações como calor, inchaço, rubor ou escamação

:: Podem também surgir nódulos palpáveis na axila

:: Enrugamento ou endurecimento da mama (a pelo adquire um aspecto de casca de laranja)

Fatores de risco

— Histórico familiar, especialmente se um ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) tiveram a doença antes dos 50 anos

— Primeira menstruação precoce e menopausa tardia

— Idade avançada

— Ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos

— Não ter tido filhos

— Uso precoce de contraceptivos orais ou por período prolongado de tempo

— Ingestão regular de álcool, mesmo que em quantidade moderada

— Exposição a radiações ionizantes em idade inferior aos 35 anos

Detecção precoce

Embora seja uma doença tratável, a descoberta precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Quanto antes o tumor maligno for descoberto, seja por meio de mamografias ou de exames clínicos, maiores as chances de remissão da doença.

FONTE: CADERNO VIDA – ZH  (16/01/2011)

 

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