GENE QUE DEFLAGRA AS METÁSTASES É BLOQUEADO

Estudo vai ajudar a desenvolver drogas que impedem avanço do câncer em vários órgãos.

LONDRES. Cientistas britânicos descobriram um gene “rebelde”, que estimula as células de câncer a se espalharem pelo corpo, e acreditam que, se conseguirem bloquear sua ação com medicamentos específicos, será possível deter a disseminação de muitos tumores agressivos, como o de mama, intestino, cérebro e pele.

O feito de pesquisadores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, poderá levar ao desenvolvimento, em dez anos, de novos fármacos para frear a metástase, ou seja, o avanço do câncer por outros tecidos, às vezes bem distantes do foco principal. O gene “rebelde” é o WWP2, que funciona como uma enzima nas células cancerosas, explicam os autores, em estudo publicado na revista científica “Oncogene”. O WWP2 ataca e destrói uma proteína natural do nosso corpo que evita a difusão das células cancerosas.

Em laboratório, ao bloquearem o WWP2, os autores do estudo melhoram os níveis da proteína antimetástase e as células tumorais se mantiveram latentes ou mais lentas. Surinder Soond, que trabalhou na pesquisa, disse que se trata de um “enfoque novo e emocionante” para tratar o câncer e a expansão dos tumores.

– Todas as pessoas têm o gene, mas, quando ele dá defeito, ajuda o câncer a se desenvolver e a se espalhar para outras partes do organismo. O nosso desafio agora é ter um medicamento potente que entre nas células do câncer e impeça a atividade desse gene – afirmou Andrew Chantry, principal autor da pesquisa.

TUMOR PODERÁ SER ELIMINADO MAIS FACILMENTE

Chantry já trabalha no projeto de criar drogas contra o gene – uma tarefa difícil, mas possível, segundo ele.

– Se houver um fármaco para desativar o WWP2, os tratamentos convencionais de quimioterapia e radioterapia poderão ser aplicados em tumores primários, iniciais, sem o risco de a doença se disseminar para os tecidos.

Segundo Carlos Gil Ferreira, chefe do serviço de Pesquisa Clínica do Instituto Nacional de Câncer, o estudo britânico tem grande importância porque há algum tempo não se descobria nada novo no que diz respeito à terapia antimetástase. No início dos anos 90, foram identificados genes relacionados ao avanço do câncer, mas as drogas testadas a partir desses estudos se mostraram ineficazes ou tóxicas.

– A identificação desse novo gene vai ajudar a entender melhor a formação de metástases, que é algo muito complexo e certamente tem vários genes envolvidos. Esse é o primeiro passo para tentar desenvolver um fármaco.

FONTE: Ciência – Jornal O GLOBO de 25/01/2011 – Antônio Marinho (Com agências internacionais)


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