EUA SUSPENDEM MEDICAMENTO CONTRA CÂNCER

Uso do Avastin foi proibido no tratamento de tumores de mama. No Brasil, ele continua autorizado pela Anvisa.

O FDA (Food and Drug Administration),  órgão que regula o consume de alimentos e o uso de medicamentos nos Estados Unidos, suspendeu ontem a aprovação do Avastin (bevacizumabe), da Roche, para uso no tratamento do câncer de mama metastático. A agência alega que os benefícios oferecidos pela droga – disponível no Brasil – não compensam os riscos a que as pacientes são submetidas.

            O órgão americano manteve, porém, a autorização para aplicação da substância no combate a outros tumores, como o câncer de pulmão, rim, cérebro e cólon.

            As discussões nos Estados Unidos sobre a aplicação do Avastin para câncer de mama metastático começaram em 2010, qundo o FDA sinalizou a intenção de suspender a autorização, dada em 2008.

PROGRAMA DO GOVERNO DOS EUA MANTERÁ FORNECIMENTO

Mas uma apelação por parte da Roche e as reclamações de grupos de pacientes levaram o órgão a convocar uma audiência de conselheiros em junho. A decisão final saiu ontem. No entanto, o Medicare, programa de saúde do próprio governo americano, afirmou que continuará a fornecer o medicamento com esse propósito quando os médicos o prescreverem, já que a resolução não é proibitiva.

            No Brasil, o Avastin tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária(Anvisa) para ser usado no combate  ao tumor de mama. Mas o oncologista Ricardo Teixeira acredita que há a possibilidade de o órgão brasileiro ser influenciado pela decisão dos reguladores americanos:

            – Nós seguimos muito o modelo do FDA, que foi pressionado pelas seguradoras de saúde porque esse remédio é muito caro. Mas essa é uma das poucas drogas que têm efeito sobre o câncer de mama triplamente negativo, de difícil resposta aos tratamentos disponíveis hoje no mercado, e as alegações que eles usaram não procedem – afirma Teixeira.

            O FDA se baseou em estudos que mostraram que as pacientes usuárias da droga não tiveram a sobrevida esperada e que algumas apresentaram perfurações em órgãos como estômago e intestino, além de sangramentos severos.

EFEITOS COLATERAIS ATINGIRIAM MENOS DE 3% DOS PACIENTES

Mas grupos de pacientes e médicos alegam que o remédio, que é combinado com quimioterapia, é eficiente, e que os riscos são muito baixos: os efeitos colaterais têm incidência inferior a 3% do universo de pessoas que o utilizam.

            A Roche informou que as pesquisas clínicas do medicamento envolveram mais de 40 mil pacientes no mundo até hoje, sendo mais de dez mil somente em câncer de mama.

            De acordo com a farmacêutica suíça, o programa de pesquisa clínica com o remédio é o maior e mais completo que já realizou na área oncológica.

FONTE: Juliana Câmara – Jornal O Globo de 19/11/2011

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