DIAGNÓSTICO PRECOCE NEM SEMPRE É BENEFÍCIO

Estudo mostra que mamografias de rotina geram número exprressivo de mulheres tratadas sem necessidade.

Juliana Câmara

Uma pesquisa da Universidade de Harvard feita com 40 mil mulheres e divulgada esta semana levantou a discussão sobre o sobrediagnóstico – a detecção e o traamento de cânceres de mama que não evoluiriam para uma ameaça à saúde. O fenômeno é uma consequência da realização de mamografias de rotina. O resultado é um número expressivo de pacientes que passam por tratamentos com drogas fortes, como as da quimioterapia, e até por mastectomia radical – remoção do seio – para se livrarem de tumores que nunca lhe causariam problemas.

No Brasil, as mulheres com idade enre 50 e 69 anos são orientadas a realizar exames de rastreamento a cada dois anos – mesma faixa etária das norueguesas que participaram da pesquisa de Harvard. No estudo, até 25% delas foram submetidas a tratamentos desnecessários. A preocupação é um realidade também entre os especialistas brasileiros. O Técnico da Divisão de Apoio à Rede de Atenção  Oncológica do Inca, Arn Migowski, explica que diversos estudos mostram que os benefícios de realizar os exames periodicamente nesta faixa etária, a de maior incidência do câncer de mama, são maiores que os riscos. Mas eles existem. O problema é que não é possível prever qual tumor vai evoluir. Na dúvida, costuma-se tratar todos.

– No Brasil, falamos só dos benefícios do diagnóstico precoce. Mas as melheres devem ser informadas sobre estes malefícios. Este não é o primeiro estudo a tratar do sobediagnóstico – pondera Migowski.

FONTE: Jornal GLOBO – CIÊNCIA de 05 de abril de 2012

 

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