Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 56.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 21 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

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REPASSANDO INFORMAÇÃO….

                                                                 CLÍNICA POPULAR

(Colégio Santo Inácio – Botafogo- RJ) 

– A clínica noticiada é obra dos ex-alunos do colégio Santo Inácio, dos jesuítas. De formação católica e humanística, esses profissionais dedicam (cada um) um tempo na semana para saírem de seus consultórios particulares e atenderem aos mais carentes. O valor cobrado nos exames destina-se às despesas com aluguel, empregados e materiais. Até o aparelho de ressonância foi comprado pelos médicos em rateio.

 

                         EXAMES MAIS BARATOS PARA QUEM NÃO TEM PLANO DE SAÚDE

 

Foi criada uma clínica de exames de diagnósticos por imagem, para atender a população de baixa renda. A Kodak, GE, e empresas da área de saúde patrocinaram este lindo projeto! É a realização de um sonho do radiologista Romeu Cortes Domingues, diretor médico de duas clínicas de radiologia, que buscou parceiros para a iniciativa. Para se ter uma idéia, os exames, que custam, na rede privada, cerca de R$ 850,00, são oferecidos por R$ 120,00 .

 

Repassem para todos que necessitam de ressonância magnética, ultra-som e mamografia e não podem pagar.

Rua São Clemente, 216 – Botafogo RJ – Imagem Solidária – Tel: (21) 2535-6000  

Confiram em: http://www.imagemsolidaria.com.br

PARA REFLETIR……….

NOVO LABORATÓRIO AJUDA A IMPULSINONAR TRATAMENTO E DIAGNÓSTICO DO CÂNCER NO PAÍS

No Laboratório de Nanorradiofármacos, Ralph Santos-Oliveira (segundo à esquerda) orienta alunos no desenvolvimento de suas pesquisas.

 

 

 

 

Há tempos o combate ao câncer conta com os radiofármacos, substâncias que contêm um elemento radioativo de extrema importância tanto para diagnóstico quanto para tratamento de tumores. Na América Latina, o Brasil é o maior produtor destes produtos. Em setembro, o setor ganhou novo impulso, com a inauguração, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de dois projetos pioneiros no País e na América Latina: um laboratório para produção desses medicamentos em escala nano (o equivalente a um milionésimo de milímetro), os chamados nanorradiofármacos; e um Escritório de Farmacovigilância de Radiofármacos. Ambos estão sob a coordenação do farmacêutico Ralph Santos-Oliveira, especialista em radiofarmácia e pesquisador do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) e do HUCFF, e contam com o apoio do programa de Auxílio à Pesquisa (APQ1) da FAPERJ.

Ralph Santos-Oliveira explica que o Laboratório de Nanorradiofármacos é o único do País com estrutura física para trabalhar a matéria radioativa em escala nano. “Por essa dosagem bem menor, os novos compostos expõem o organismo a menos radiação“, fala Santos-Oliveira. E acrescenta: “Além disso, atingem o tumor com maior precisão e, portanto, com menor risco de afetar órgãos sadios próximos.” Apesar de inaugurado há pouco tempo, o laboratório conta com uma equipe de pesquisadores que já desenvolve estudos conjuntos com dezessete instituições de ensino e pesquisa do Brasil e do exterior. “Atualmente, temos oito alunos, divididos em pesquisas de doutorado, mestrado e iniciação científica, além de dez especialistas atuando como colaboradores“, afirma.

Um desses estudos, em parceria com pesquisadores do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, está voltado para o desenvolvimento de um composto de samário-157 (Sm). “É comum que casos de câncer de mama ou de próstata evoluam para câncer ósseo. Quando isso acontece, entre os sintomas há a chamada síndrome incurável do câncer ósseo, que provoca dores fortíssimas e como o próprio nome diz, não tem cura. O tratamento, nesse caso, consiste em reduzir as dores no paciente com o uso de morfina ou com a secção do nervo periférico do paciente, que, se não eliminam totalmente a dor, reduzem-na substancialmente“, explica o farmacêutico. “Porém, o uso do Samário-157 é ainda mais eficaz. Uma única nanopartícula atingirá melhor o órgão afetado“, acrescenta. Santos-Oliveira acredita que o produto deva estar disponível no mercado em cerca de dois anos.

Com a ajuda de especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também estão desenvolvendo três compostos diferentes. O primeiro é a chamada Teosfera, que consiste em nanopartículas com paredes duplas (uma parede protegendo outra) que tem no seu interior uma substância de interesse e no seu exterior insere-se, pelo processo de marcação, o elemento radioativo tecnécio-99m (Tc-99m). O segundo é a nanopartícula, de parede única, que assim como na primeira tem no seu interior uma substância de interesse e na sua cobertura, se insere, pelo processo de marcação, a substância radioativa tecnécio-99m. A diferença entre uma e outra está relacionada ao tipo de substância a ser inserido no interior da teosfera ou da nanoparticula. Em ambos os casos a inserção do Tc-99m permite avaliar sua biodistribuição assim como transforma os nanocompostos em nanorradiofármacos. “Os dois medicamentos podem, ser utilizados em exames de cintilografia, que servem para acompanhar a ação de rádiofármacos em órgãos afetados pelo câncer“, explica Santos-Oliveira.

O terceiro composto é a nanocápsula de hólmio-165 (Ho), que podem ser empregadas tanto para diagnóstico quanto para o tratamento de tumores. “Num reator nuclear, o hólmio-165 (Ho), que não é radioativo, vira hólmio-166 (Ho), que emite a radiação gama que costuma ser utilizada nos exames de cintilografia. Além de ser um emissor gama o hólmio-166 (Ho) tem propriedades paramagnéticas e assim pode ser utilizado também em ressonância magnética nuclear“, ensina Santos-Oliveira. “O hólmio-166 (Ho) emite ainda radiação beta, que pode ser empregada no tratamento de tumores“, completa. Os medicamentos já estão prontos para testes em animais.

Sob a orientação de Ralph Santos-Oliveira, a farmacêutica Alessandra Fusco está iniciando um estudo para criar nanocompostos com pequenos fragmentos artificiais de DNA ou RNA criados para aderir a uma molécula particular, celular ou organismo – os chamados aptâmeros – que, marcados com tecnécio-99m (Tc-99) e Rênio-188 (Re), se transformam em nanorradiofármacos. O trabalho, que está contando com a colaboração de pesquisadores da Universidade Aberta de Londres, também conta com apoio do programa de Auxílio à Pesquisa (APQ1), da FAPERJ. “Estes medicamentos são bastante eficientes contra o câncer de pulmão e de próstata”, explica Santos-Oliveira.

Novo escritório agregará qualidade a medicamentos
Já o caso do Escritório de Farmacovigilância de Radiofármacos, segundo Santos-Oliveira, veio como resposta à completa ausência de estudos no gênero na América Latina. “
Os portadores de câncer tomam muitos medicamentos por dia e os radiofármacos são um dentre tantos. Mas não sabemos verdadeiramente quais seus reais benefícios, ou quais as contra-indicações quando eles entram em contato com outros medicamentos e com o tipo de alimentação do brasileiro“, fala Santos-Oliveira. Ele explica que todos os estudos sobre o assunto vêm da Europa e dos Estados Unidos, que têm realidades culturais distintas da nossa. “Com este projeto, esperamos agregar qualidade a nossos medicamentos“, complementa.

avaliando os radiofármacos que utilizam, com destaque para os voltados para câncer renal e ósseo, os mais utilizados. Além disso, nos dias 23-24 de setembro, uma reunião com representantes das dezessete instituições participantes junto ao Ministério da Saúde, em Brasília, serviu para determinar os radiofármacos que serão estudados. Durante a reunião com representantes dos principais hospitais do país, realizada em São Paulo, ficou decidido a inclusão de todos os radiofármacos em,uso atualmente no Brasil. Dessa forma tanto radiofármacos usados em terapia assim como os radiofáramcos usados em diagnósticos serão avaliados.

No Rio de Janeiro, os pesquisadores ligados ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho estão avaliando os radiofármacos em uso, com destaque para os voltados para câncer renal e ósseo, os mais empregados. Já os representantes das dezessete instituições ligadas ao Escritório de Farmacovigilância vão avaliar todos os radiofármacos em uso atualmente em uso no País. “O assunto ficou decidido durante uma reunião realizada em São Paulo, em setembro, com representantes dos principais hospitais do país“, explicou Santos-Oliveira. “Dessa forma, tanto aqueles usados em tratamento quanto os utilizados em diagnóstico serão avaliados“, acrescentou.

A repercussão do novo escritório já chamou a atenção de autoridades da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas, escritório regional da Organização Mundial da Saúde para as Américas). “A Opas discutiu a utilização do modelo de estudos que faremos em nosso escritório para ser implantado em todos os países da América Latina, tendo o Brasil como líder nesse processo”, conclui o coordenador do projeto.

Fonte: por Vinicius Zepeda para FAPERJ. Outubro, 1, 2010.

Publicado por Ricardo Menacker

PORQUE PERDEMOS A LUTA CONTRA O CÂNCER?

Clifton Leaf escreve reportagem intitulada “Why we’re losing the war on cancer? — and how to win it” [Por que estamos perdendo a guerra contra o câncer? – e como vencê-la] para a revista Fortune, em 22 de março. “Por que nós fizemos tão pouco progresso na guerra contra o câncer?” É essa a pergunta que faz o jornalista — ele próprio um sobrevivente da doença —, indo na contramão da mídia. Segundo ele, as matérias que celebram os medicamentos revolucionários contra o câncer, como Gleevec, Herceptin e o recém-aprovado Avastin, dão a idéia de que a cura está mais perto do que nunca — mas não está. “Otimismo é essencial“, diz o texto, “mas a porcentagem de americanos que morrem de câncer é a mesma que em 1970 e 1950“. Enquanto isso, os óbitos provocados por doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais (AVC) caíram, respectivamente, 59% e 69% desde a metade do século passado. O repórter fornece outros dados para sustentar sua tese de que os Estados Unidos estão muito longe de vencer o câncer — apesar dos avanços conseguidos desde o início da cruzada, em 1971, com o National Cancer Act. Este ano, a doença deverá tirar a vida de mais de 563 mil americanos. Em 14 meses, mais pessoas terão morrido de câncer nos Estados Unidos do que em do que todas as guerras das quais o País participou juntas. Nas últimas três décadas, o número de mortes por câncer a cada ano aumentou 73%, uma vez e meia a mais que o crescimento da população no mesmo período. De acordo com as previsões do National Cancer Institute (Instituto Nacional do Câncer), NCI, dentro dos próximos dez anos o câncer provavelmente substituirá as doenças do coração como a principal causa de morte entre os americanos. Isso já aconteceu quando se leva em consideração quem está abaixo dos 75 anos.

Embora os pesquisadores digam que mais pessoas estão sobrevivendo por mais tempo, Leaf lembra que os ganhos são medidos em meses de vida, não em anos. Em 1971, metade dos pacientes sobrevivia por cinco anos ou mais após o diagnóstico. Hoje, “33 anos e aproximadamente US$ 200 bilhões depois“, a taxa é de 63%. A reportagem diz que muito pouco desse modesto aumento de 13 pontos porcentuais é resultado da ação dos novos compostos anticâncer. Ao contrário, escreve o jornalista, simples mudanças de hábitos, como parar de fumar, ajudaram a reduzir a incidência de cânceres fatais de pulmão. Mais importante ainda é a identificação precoce dos tumores, auxiliada por mamografias, auto-exames das mamas e dosagens de PSA. Segundo dados da bioestatística Ruth Etzioni, do Centro de Pesquisa em Câncer Fred Hutchinson, na cidade de Seattle, as taxas de sobrevivência entre pacientes com um dos quatro tipos de câncer mais letais — pulmão, cólon e reto, mama, e próstata — mal se moveram desde a década de 1970. “O câncer é um desafio como nenhum outro“, diz a reportagem. O motivo é sua misteriosa habilidade de mudar de identidade, pois as células cancerosas são geneticamente instáveis. Quando elas se dividem, podem transmitir uma cópia alterada do código do DNA — e mesmo a mais insignificante das mudanças é capaz de provocar grandes efeitos no comportamento das células. Segundo Isaiah Fidler, professor e chefe do Departamento de Biologia do Câncer do M. D. Anderson Cancer Center, em Houston, a heterogeneidade dos tumores é o maior obstáculo para um tratamento simples.

A reportagem afirma que hoje o esforço contra o câncer é absolutamente fragmentado — tanto que é praticamente impossível definir de onde vem o dinheiro que paga as pesquisas. Mas Leaf enumera as principais fontes. A verba oficial é o orçamento do NCI; para este ano o Congresso liberou US$ 4,74 bilhões, 3,3% a mais que em 2003. Outras quatro agências federais somam US$ 1,9 bilhão em financiamentos. Até o Pentágono participa, oferecendo US$ 249 milhões para custear estudos envolvendo os cânceres de mama, próstata e ovário. As cinco principais instituições de caridade americanas, junto com nove centros de pesquisa em câncer, arrecadam US$ 1,8 bilhão em doações, enquanto as industrias farmacêuticas investem US$ 6 bilhões na pesquisa e desenvolvimento de medicamentos contra a doença. Ao todo, são US$ 14,4 bilhões só em 2004. Desde 1971, corrigida a inflação, os americanos gastaram perto de US$ 200 bilhões entre impostos, doações e pesquisas particulares. “Sem dúvida o dinheiro nos trouxe uma enorme quantidade de conhecimento“. Leaf afirma que os nichos de pesquisa estão ficando tão estreitos que os cientistas interessados em uma abordagem mais ampla, da doença ou do organismo como um todo, geralmente não conseguem financiamento — quase todo o dinheiro que sai do NCI, por exemplo, vai para o estudo de mecanismos moleculares ou genéticos muito específicos dentro das células. Conforme explica Jean-Pierre Issa, que pesquisa leucemia no M. D. Anderson, quando alguém faz uma alteração sutil em um gene de um rato e isso provoca drásticos efeitos de câncer no animal, o estudo sai nas melhores publicações especializadas. O autor ganha reputação e passa a receber doações. Segundo a base de dados online do NCI, a comunidade científica já publicou mais de 150 mil estudos sobre experimentos com camundongos. “Adivinhe quantos deles levaram a tratamentos para o câncer?“, questiona o jornalista. A resposta é “muito, muito poucos“. “Na verdade, se você quer entender onde a guerra contra o câncer deu errado, o camundongo é um bom lugar para se começar“, acrescenta Leaf. Isso porque, apesar das semelhanças genéticas entre homens e camundongos, as duas espécies possuem diferenças fundamentais de fisiologia, constituição dos tecidos, taxa de metabolismo, funções do sistema imunológico e sinalizações moleculares. É o que diz Robert Weinberg, professor de biologia no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Portanto, conclui ele, os tumores que crescem em cada um são completamente distintos. O texto afirma que a indústria de medicamentos reconhece claramente o problema, mas ainda não o solucionou. Pior que isso, escreve o jornalista, é a possibilidade de que drogas que funcionariam em humanos tenham passado batidas pelos cientistas. Para Weinberg, há duas razões para a falta de atitude: não existe outro modelo para substituir o camundongo e o FDA criou uma inércia ao continuar reconhecendo esses modelos como padrões para se prever a utilidades dos medicamentos.

Segundo a reportagem, o que mata as pessoas, em 90% das vezes, é o processo de metástase — e não os tumores localizados. Apesar disso, das quase 8,9 mil propostas de financiamento aceitas pelo NCI no ano passado, 92% sequer mencionavam a palavra. De acordo com Isaiah Fidler, do M. D. Anderson, a metástase não recebe muita atenção simplesmente porque é um assunto difícil. Por outro lado, escreve Leaf, esse fenômeno que abrange todo o organismo e que pode envolver dezenas de processos é uma grande idéia. “É exatamente esse tipo de pesquisa que precisamos“, diz o repórter. Entretanto, as companhias farmacêuticas não se concentram em resolver o problema da matástase (“a coisa que mata pessoas“); ao contrário, focam-se no desenvolvimento de drogas que reduzem tumores (“a coisa que não mata“). A reportagem diz que o FDA é invariavelmente culpado de empatar a guerra contra o câncer, mas afirma que a falha é menos da autoridade que dos atores, pois os medicamentos que reduzem tumores simplesmente não funcionam muito melhor que os tratamentos convencionais. Isso foi comprovado por um estudo publicado no ano passado no British Medical Journal. Dois farmacologistas italianos compararam os resultados dos testes de 12 novos medicamentos contra o câncer, aprovados para o mercado europeu entre 1995 e 2000, com os tratamentos padrões para as respectivas doenças. Nenhuma vantagem substancial foi encontrada em relação aos novos agentes, embora eles custem muito mais caro que as drogas antigas. “Em um caso, o preço era 350 vezes mais alto“, salienta o texto.

A reportagem diz que há dois problemas com os testes clínicos — a única maneira pela qual uma pesquisa pode transformar-se em um medicamento aprovado. Primeiro, eles são caros e longos demais. Por isso, as companhias farmacêuticas, que precisam ver o retorno de seus investimentos, procuram testar compostos que provavelmente serão aprovados pelo FDA e se concentram na melhoria de classes de drogas já existentes. Segundo o texto, o tempo e o dinheiro gastos para se desenvolver um novo composto são muito elevados: de 12 a 14 anos e cerca de US$ 802 milhões. O segundo problema é ainda maior: os testes clínicos estão focados no objetivo errado. A verdadeira razão de ser desses testes, diz Leaf, é checar uma hipótese, ou seja, verificar se o tratamento X é melhor que o Y. No entanto, freqüentemente as informações geradas por esses longos e tortuosos processos não importam muito. O Erbitux, por exemplo — um medicamento usado para tratar câncer de cólon e reto —, reduziu o tamanho dos tumores, mas não demonstrou de maneira alguma ser capaz de prolongar a vida dos pacientes. Assim mesmo foi aprovado em fevereiro para ser usado depois que todos os outros tratamentos possíveis falharem. A dose semanal custa US$ 2,4 mil. De acordo com a reportagem, nem o Gleevec, que provou salvar vidas de pacientes com um tipo pouco comum de leucemia, conhecido como CLM, é o que parece, pois o CLM não é um câncer complicado. Além disso, as células malignas desenvolvem resistência à atuação do composto. Devido à multiplicidade de mudanças nas células cancerosas, Leaf vê o ataque precoce à doença — e por diversas frentes de batalha — como a única chance de sucesso.

Leaf aponta a definição oferecida pelos livros: ‘o câncer começa quando as células de um tumor em expansão atravessam a fina camada protéica que as separam de outro tecido‘, como uma das causas do que ele caracteriza como “o primeiro fracasso de nossa luta contra o câncer“. De acordo com uma das fontes do jornalista — Michael Sporn, da Dartmouth Medical School, é necessário entender o câncer como um processo, que ele designou carcinogenese. Câncer, para Sporn, ‘é uma doença de muitos estágios, que atravessa muitas transformações celulares e que às vezes apresenta longos períodos de latência na sua progressão‘. Essa mudança de concepção, segundo o jornalista, permitiria que a intervenção médica começasse mais cedo. Hoje, pessoas diagnosticadas com displasias, hiperplasias são consideradas saudáveis, e não são tratadas. “Não são sadias pessoas que estão no caminho para o câncer“, afirma o repórter da Fortune, ecoando sua fonte. Trata-se, então, de expandir e aperfeiçoar a prevenção. Como exemplo da eficiência da multiplicação das estratégias preventivas, o jornalista apresenta os testes chamados Papanicolau: nos paises em que é amplamente aplicado, a incidência e a morte por câncer do colo do útero caiu em 78% e 79%, respectivamente, desde a década de 1950. Ele observa que poucos pesquisadores trabalham para identificar sinais precoces de cânceres; e que aqueles marcadores já identificados são ainda imprecisos. Antecipa o argumento de que tratar pessoas com esses sinais — seja removendo lesões pré-cancerosas, ou tratando-as com as drogas já disponíveis — aumentará o custo dos sistemas de saúde e poderá, também, expandir o numero de cirurgias “potencialmente perigosas“, para remover lesões que, afinal, não fariam mal a seus portadores. “Mas certamente os custos de não agir são muito maiores“, pontifica o jornalista. Segundo ele, Elias Zerohuni, diretor do NIH, e Andy Eschenbach, do National Cancer Institute, compartilham seu ponto de vista. O texto cita o diretor do NCI, que quer levar o Instituto na ‘missão de evitar, em primeiro lugar, que o processo ocorra; ou detectar a ocorrência de câncer cedo o bastante para eliminá-lo com menor morbidade‘.

Mas, até o momento, observa, o NCI não passou das palavras à ação. “Para que a nação finalmente vire o jogo nesta guerra brutal“, escreve, “a comunidade do câncer deve encetar uma agressão coordenada à doença“. Para tanto, sugere o jornalista, o NCI poderia começar mudando a forma pela qual financia a pesquisa. Ao invés dos grants individuais, que privilegiam linhas de pesquisa reducionistas, o NCI deveria financiar projetos cooperativos, que olhassem a doença em seus aspectos mais gerais. Hoje, os projetos individuais levam 25% do orçamento da agência; e em relação a projetos cooperativos, o dinheiro gasto com eles é 12 vezes maior. O NCI também deveria comprometer-se em localizar marcadores de câncer, e em criar e aperfeiçoar a detecção precoce através de exames de imagem. Se os americanos parassem de fumar, 30% das mortes por câncer não aconteceriam. O preço dessa estratégia? Bilhões de dólares. Mas, observa o paladino, a nação gasta US$ 64 bilhões anuais com o tratamento do câncer. Há também uma tarefa para o legislativo: concentrar toda a guerra contra o câncer em apenas uma agência de fomento — o NCI — e não em cinco, como ocorre hoje. Ao Congresso, junto com os pesquisadores e o FDA, cabe também modificar o processo de aprovação de drogas, alterando a rotina dos testes clínicos para propiciar mais rapidez na informação sobre o que funciona e o que não funciona. Mais: as restrições legais e de vigilância relacionadas ao uso de drogas combinadas devem ser levantadas. Os testes clínicos para combinações de drogas devem ser financiados pelo próprio NCI; e o processo de autorização para os coquetéis deve ser agilizado pelo FDA. Finalmente, o engajamento de pessoas com cânceres em estágios mais precoces deve ser permitido, para que a avaliação das drogas se torne mais realista.

Fonte: Inovação UNICAMP, Boletim dedicado à Inovação Tecnológica. Maio, 20, 2004.

Publicado por: Ricardo Menacker

CIENTISTAS AVANÇAM RUMO A UMA VACINA CONTRA O CÂNCER

17/11/2010

Anti-vacina

Eles ainda não descobriram uma vacina para o câncer, mas cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram uma das razões pelas quais as tentativas anteriores para aproveitar o sistema imunológico para o tratamento de tumores cancerosos falharam.

A nova pesquisa, publicada na revista Science, revela que um tipo de célula do estroma, que expressa a proteína alfa de ativação dos fibroblastos (FAP), desempenha um papel importante na supressão da resposta imunológica na presença dos tumores cancerosos.

Essas células, presentes em muitos tipos de câncer, restringem o uso de vacinas e outras terapias que dependem do sistema imunológico do corpo para contra-atacar o câncer.

Terapias imunológicas

Os cientistas confirmaram que a destruição dessas células permite que o sistema imunológico controle um tumor previamente sem controle.

“Encontrar as células específicas, dentro da complexa mistura do câncer, que impedem a reação imunológica, é um passo importante. O prosseguimento dos estudos, sobre como essas células exercem seus efeitos, pode contribuir para a melhoria das terapias imunológicas, permitindo-nos remover a barreira do câncer,” explica Douglas Fearon, coordenador da pesquisa.

As vacinas criadas para induzir o sistema imunológico a atacar as células cancerosas têm mostrado certa capacidade para ativar uma resposta imunológica no corpo, mas, inexplicavelmente, elas praticamente não afetam o crescimento dos tumores.

Imunologistas que se especializaram em tumores têm suspeitas de que, dentro do microambiente tumoral, a atividade de células do sistema imunológico é suprimida de alguma forma.

Mas, até agora, eles têm sido incapazes de inverter essa supressão.

A nova pesquisa lança as primeiras luzes sobre por que a resposta imune é suprimida.

Estroma

O estudo constatou que pelo menos um componente supressor está contido dentro de células de tecido normal (chamadas de células do estroma) que o câncer usa para sua própria sobrevivência.

A célula agora estudada expressa uma proteína única, muitas vezes associada com a cicatrização de ferimentos – a proteína alfa de ativação dos fibroblastos (FAP). As células que expressam a FAP são encontradas em muitos tipos de câncer, incluindo o câncer de mama e o câncer colorretal.

“Estes estudos foram feitos em camundongos e, embora haja muita sobreposição entre o sistema imunológico humano e dos camundongos, nós não sabemos a importância destas descobertas para os seres humanos até que sejamos capazes de interromper a função das células do estroma tumorais expressando FAP em pacientes com câncer,” alerta o professor Fearon.

Fonte: Diário da Saúde

 

 

BRASIL PADRONIZA MÉTODO DE DIAGNÓSTICO DE CÂNCER DE MAMA COM OUTROS 4 PAÍSES

13/11/2010

Brasil, Argentina, Chile, México e Uruguai concordaram em padronizar e modernizar seus métodos de diagnóstico do câncer de mama e estudar o perfil genético das mulheres para melhorar o tratamento da doença, que acomete mais de 117 mil pessoas e mata cerca de 40 mil por ano na América Latina e no Caribe.

Na etapa seguinte do projeto, serão recrutadas de 2,5 mil a 3 mil pacientes durante três anos. Depois disso, elas passarão por um acompanhamento ao longo de dois anos.

“Com esse estudo, queremos traçar o perfil molecular das latino-americanas e harmonizar procedimentos para aumentar a capacidade dos cinco países de gerar informações clínicas”, explicou nesta sexta-feira, 12, o diretor do Escritório para o Desenvolvimento de Programas na América Latina do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI), Jorge Gómez, que coordenou o projeto.

Para avançar nessa proposta, financiada pelo NCI com US$ 2,5 milhões anuais, cerca de 150 médicos, epidemiologistas, patologistas, pesquisadores e coordenadores dos cinco países latino-americanos se reuniram no Rio de Janeiro com o aval de seus ministérios da Saúde e o impulso do instituto americano.

“Concluímos os protocolos e compartilhamos procedimentos. Portanto, já estamos preparados para começar a trabalhar com entusiasmo. Sabemos que, em última instância, isso significará melhorar infraestrutura hospitalar e de tratamento”, afirmou Pilar Carvallo, da Universidade Católica do Chile e coordenadora do país no projeto.

A longo prazo, segundo Pilar, “também poderemos analisar perfis moleculares das mulheres em cada país e ver como respondem aos tratamentos para reduzir o tamanho do tumor. Assim, algum dia os oncologistas poderão refinar os tratamentos”.

De acordo com Gómez, há cinco subtipos de câncer de mama. “Para cada um, deve-se aplicar um tratamento específico. Por isso, obter um diagnóstico certo é fundamental. Com esse projeto, serão utilizados os reagentes mais modernos”, revelou.

Nesse sentido, o cientista do NCI James Robb explicou que erros em diagnósticos são mais frequentes do que se acredita. Segundo ele, nunca se pode defini-lo com segurança absoluta. “A medicina é assim. Os cientistas fazem o que podem, mas sempre há uma margem de erro, por milhares de razões, inclusive a dificuldade de analisar exames em um período de tempo suficientemente pequeno para evitar alterações”, apontou Robb em reunião com jornalistas.

A isso se soma, segundo Gómez, o fato de que, “nos diversos hospitais desses países latino-americanos, usam-se diferentes técnicas e reagentes, motivo pelo qual os resultados de diagnósticos variam”. “Com essa parceria, os 25 hospitais envolvidos se comprometem a padronizar procedimentos para, depois, compará-los e oferecer aos governos dados obtidos pelos médicos sobre os pacientes, para que sejam usados na elaboração de políticas de saúde”, ressaltou.

O câncer de mama é o de maior incidência nas mulheres da maioria dos países latino-americanos, inclusive os envolvidos – exceto o Chile, onde a doença é a segunda mais prevalente. O país concentra a tecnologia mais avançada da região.

No México, o câncer de mama é um “problema prioritário e crescente”, com cerca de 10 mil casos novos por ano e uma previsão de 17 mil até 2020. Esse percentual elevado atinge muitas mulheres jovens, destacou Adrián Daneri, do Centro Universitário de Ciências da Saúde da Universidade de Guadalajara e um dos coordenadores do país no projeto.

“Por isso, interessa-nos conhecer o perfil molecular das mulheres e o comportamento biológico dos tumores para favorecer a busca de fatores que ajudem a prever a resposta ao tratamento e aspectos genéticos que sejam importantes”, disse Daneri.

“A doença é curável, especialmente quando detectado em uma etapa inicial. Mas, na América Latina, costuma-se diagnosticar em estágios mais avançados, à exceção do Uruguai, que tem um plano nacional para diagnóstico antecipado”, apontou Gómez.

Fonte: Agência EFE

 

 

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